Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 11 de outubro de 2018.
Dia Internacional do Combate à Obesidade.

Jornal do Comércio

Geral

COMENTAR | CORRIGIR

Ciências

Edição impressa de 11/10/2018. Alterada em 10/10 às 22h14min

INCT Ciências Forenses qualifica combate a crimes no Brasil

Clarice diz que estudos são necessários para conhecer as características das populações

Clarice diz que estudos são necessários para conhecer as características das populações


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Isabella Sander

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Ciências Forenses, coordenado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), atua desde 2017 com demandas de tecnologias para o combate ao crime no Brasil. As necessidades mais imediatas e com maior potencial de resultado nos cinco anos iniciais de previsão das atividades foram divididas em quatro grandes grupos: Toxicologia, Genética, Estudos de Meio Ambiente, e Tecnologia da Informação.

Em Toxicologia, a equipe do INCT tem se empenhado em estudos relacionados ao combate às drogas, qualificando tecnologias de rastreamento de drogas ilícitas que indicam de qual país vem, por exemplo, a maconha apreendida, e como entrou naquele estado. Também são feitas pesquisas relacionadas a medicamentos falsificados.

Nos Estudos de Meio Ambiente, o foco é no conhecimento do solo de regiões de fronteiras, muito acometidas por tráfico de drogas. Quando um entorpecente é apreendido pela Polícia Federal, conhecer as características de solo de cada fronteira do Brasil permite a identificação de por onde a droga entrou, ou seja, de qual país veio.

Em Genética, são realizados estudos de plantas como a cannabis (maconha), para identificar quais seus efeitos no organismo humano. Também são feitas pesquisas com análise de DNA de espécies variadas como, por exemplo, um peixe que foi vendido como cação, mas, na verdade, é um panga - com menor teor nutritivo e criado em ambiente mais poluído. Já o DNA humano é analisado, por exemplo, a partir de material genético. Define-se se é mulher ou homem, sua característica étnica, cor do cabelo etc. Porém, ainda é preciso conhecer melhor o perfil genético de alguns grupos étnicos. "Se acontece algo em uma comunidade de índios caingangues ou uma ocorrência com gêmeos idênticos, é difícil fazer uma análise precisa, pois eles são muito parecidos entre si. Precisamos de estudos para conhecer essas populações e dar respostas precisas nos laudos", explica a coordenadora técnica do INCT, Clarice Alho.

Em Tecnologia da Informação, são elaborados aplicativos para policiais descreverem o local do crime, para quando se está buscando um suspeito de um caso. São desenvolvidos, ainda, softwares de identificação de faces em multidões, como em estádios de futebol.

Pesquisa da Criosfera procura indícios de mudança climática

A análise do material das geleiras da Antártica pode parecer algo muito distante da realidade dos brasileiros, mas não é. Pesquisas realizadas no INCT da Criosfera, coordenado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), indicam que, além das chuvas geradas pela evaporação de água na Amazônia, as chuvas no Sul do Brasil também têm recebido impacto da água que evapora das geleiras da Antártica, devido ao derretimento do gelo. O fenômeno aponta indícios de mudança climática, com o aquecimento do globo.

Criado em 2008 para a análise de geleiras, hoje, o trabalho vai além disso. Os cientistas têm captado água da chuva em Porto Alegre, para saber detalhes de eventos severos de tempestades, a fim de compreendê-los melhor do ponto de vista das mudanças ambientais globais.

Um dos estudos feitos é específico sobre a grande tempestade de 29 de janeiro de 2016, que, mesmo durando poucos minutos, causou a queda de centenas de árvores e o destelhamento de casas na Capital. A constatação do pesquisador Francisco Eliseu Aquino é que a água que caiu naquele evento severo veio da Antártica, tratando-se de um ar polar que entrou em conflito com o calor da época e gerou uma "miniexplosão". Ainda não é possível dizer que o evento é fruto de uma mudança climática, mas é um forte indício.

Conforme Aquino, a realização de estudos no setor traz para o gestor público e a iniciativa privada uma capacidade de entendimento sobre no que será preciso investir nos próximos 20, 30, 60 anos. "Quando analisamos a história climática, temos certeza de que as mudanças ambientais que ocorrem hoje existem em uma velocidade e um espaço de tempo muito curto, que jamais ocorreu no passado, e a origem não é natural, e sim antropogênica", defende.

Trabalhos sobre energia querem ampliar fontes renováveis

O INCT em Geração Distribuída de Energia Elétrica tem coordenação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e seu principal objetivo é estudar fontes renováveis de energia, especialmente a eólica e a solar-fotovoltaica, para que se reduza a defasagem no setor existente no Brasil. "A oferta de energia elétrica não cresce na mesma proporção da demanda, tornando necessárias novas estratégias de fornecimento de energia que permitam atender a essa demanda", explica o coordenador-geral do INCT, Hélio Leães Hey.

Com um ano de atuação, Hey afirma que já é possível identificar resultados importantes. Além da publicação de artigos em periódicos científicos nacionais e internacionais, na parte prática houve colaboração com empresas e indústrias do setor, associada ao desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos para a obtenção de produtos e processos inovadores.

Além da contribuição científica, o INCT procura consolidar uma cadeia nacional de tecnologias para geração distribuída de energia elétrica. Foi implantado o primeiro laboratório brasileiro para certificação e ensaios de inversores fotovoltaicos conectados à rede elétrica com potência nominal de até 50 quilowatts. "Após a implantação desse laboratório, já certificamos 16 inversores para 12 empresas diferentes e alinhamos projetos para a melhoria e concepção de novos produtos", revela o professor. O INCT conta com cerca de 60 pesquisadores de 19 instituições no Brasil e dez no exterior, além de cinco empresas nacionais do setor elétrico.

COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia