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Saúde

Edição impressa de 03/10/2018. Alterada em 02/10 às 23h30min

Premiada com Nobel, imunoterapia representa o futuro no combate ao câncer

Roithmann descreve a terapia como 'um mundo novo' a ser explorado

Roithmann descreve a terapia como 'um mundo novo' a ser explorado


/HOSPITAL MOINHOS DE VENTO/DIVULGAÇÃO/JC
Suzy Scarton
A imunoterapia, método inovador no combate ao câncer, chegou há pouco no Brasil. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado, o tratamento, de alto custo, ainda não é ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas é disponibilizado pela maioria dos planos privados. Estudos sobre a terapia, vista como o futuro da luta contra as neoplasias, renderam, nesta semana, o prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia aos imunologistas James P. Allison, dos Estados Unidos, e Tasuku Honjo, do Japão.
Graças ao trabalho de ambos, descobriu-se que as células cancerígenas, traiçoeiras como são, escapam do alcance do sistema imunológico. A imunoterapia consiste, então, em fortalecer o sistema imunológico e torná-lo novamente competente na batalha contra os tumores. Os princípios desse tratamento vêm sendo estudados há cerca de 30 anos, e, há pouco menos de dez, iniciou-se a etapa de estudos clínicos com pacientes. "O mecanismo de reativar ou desbloquear o sistema imunológico teve implicações práticas fantásticas, superiores aos tratamentos que já tínhamos", comenta o professor e chefe do Serviço de Oncologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Sérgio Azevedo.
A imunoterapia, porém, ainda não se provou eficaz para todos os tipos de neoplasias. O benefício em ganho de sobrevida se comprovou em casos de melanoma metastático, câncer de pulmão não pequenas células, linfoma de Hodgkin recidivado e refratário, câncer de bexiga metastático, em alguns cânceres de cólon, de estômago e de rim. Em vários cenários, não se consegue efetividade em todos os pacientes, mas, quando dá certo, a solução acaba sendo duradoura.
Descobrir quais são os pacientes mais propensos a uma resposta positiva ao tratamento é o próximo desafio dos pesquisadores da área. Algumas doenças, como o câncer de pulmão, de rim e o melanoma, têm respostas, em geral, boas. "Em outros casos, como o câncer de mama e o de intestino, os resultados não são tão emocionantes. Testes estão sendo desenvolvidos para ver quais têm mais chance. É um mundo novo, estamos aprendendo a explorá-lo", conta o chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento, Sérgio Roithmann. Os médicos têm experimentado, também, combinar antigas quimioterapias às novas drogas imunoterápicas. Outra possibilidade, que está em vias de liberação nos EUA, consiste na retirada das células imunológicas do corpo e na ampliação, fora do organismo, da eficiência, para posterior devolução ao organismo - a chamada terapia celular. Essas inovações são descritas pelo médico como uma "injeção de esperança". 
Embora menos tóxicas que a quimioterapia à qual estão submetidos os pacientes com câncer, as drogas imunoterápicas também têm efeitos colaterais. O paciente, inclusive, precisa estar ao alcance do médico. "Estamos desreprimindo o sistema imunológico, o que pode causar efeitos de alta imunidade. Pode fazer uma tireoidite, que é fácil de resolver, ou uma colite, uma inflamação autoimune do cólon. Essas doenças autoimunes que são criadas com o tratamento podem atingir o coração, o pulmão, qualquer órgão", alerta Azevedo.
A imunoterapia, por enquanto, ainda não está ao alcance do paciente vinculado ao SUS. O acesso à terapia é, portanto, limitado, uma vez que o custo mensal é de aproximadamente US$ 10 mil. Existem, porém, centros de pesquisa clínica em todos os estados brasileiros que já trabalham com a imunoterapia e que oferecem essa possibilidade. "Como médico, além de procurar a melhor opção para o paciente, procuro saber se existe algum estudo clínico na região no qual o paciente possa se enquadrar", explica Roithmann. Em Porto Alegre, estima-se que mais de 100 pacientes, em pouco mais de um ano, já tenham sido beneficiados dessa forma.
 
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