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Porto Alegre, quinta-feira, 11 de outubro de 2018.
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Porto Alegre

02/10/2018 - 17h40min. Alterada em 04/10 às 10h15min

Idosos protestam contra retirada de professores de atividades esportivas em Porto Alegre

Alunos de projetos fizeram abraço simbólico no ginásio Tesourinha contra transferência de professores

Alunos de projetos fizeram abraço simbólico no ginásio Tesourinha contra transferência de professores


MARCO QUINTANA/JC
Lívia Rossa
Idosos fizeram nesta terça-feira (2) um abraço simbólico ao ginásio Tesourinha, em Porto Alegre, para protestar contra a transferência de professores de educação física que ameaça a continuidade de atividades esportivas. Mais de 2,5 mil pessoas, a maioria com mais de 60 anos, participam de projetos em diversos pontos da Capital. O abraço serve para reforçar a mobilização. Os participantes chegaram a ficar sobre a faixa de segurança na avenida Erico Verissimo com faixas alertando para a medida da prefeitura.
Os alunos das atividades gratuitas já se reuniram com vereadores e com áreas da prefeitura para pressionar contra a retirada de professores. "Aqui é o meu segundo lar", afirma Ione Koehn, de 74 anos, que encontrou na dança a sua alegria de viver. Há 22 anos, a aposentada faz parte de um grupo de idosos que frequentam as atividades gratuitas desenvolvidas no Ginásio Municipal Osmar Fortes Barcellos, o Tesourinha. Lá são desenvolvidas atividades como alongamento, condicionamento físico, dança afro, balé adulto, ginástica, grupos de convivência, musculação, ioga e, uma das mais requisitadas, o câmbio (espécie de vôlei adaptado para idosos).
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Cartazes "clamam" pela manutenção dos professores, que foram reduzidos no Tesourinha. Foto: Marco Quintana/JC 
Como a Secretaria Municipal de Educação (Smed) pediu de volta 32 servidores cedidos para a área da Educação Física e que trabalham atualmente no projeto, Ione vê suas aulas ameaçadas. Conforme a pasta, os servidores devem ser remanejados para atender à demanda de escolas municipais. A transferência já afeta as aulas dos projetos, comprometendo a oferta de horários. Sete dos 13 professores que atuavam no Tesourinha foram chamados.
Os idosos não vão desistir da luta para manter as atividades. Na próxima segunda-feira (8), um grupo deles terá audiência no Ministério Público Estadual (MP), onde pedirá a permanência dos professores no local. Ione diz que a expectativa é que a situação seja resolvida. “Quero ver se isso passa e que retorne toda a alegria que sempre tivemos aqui", diz a aluna, que não contém as lágrimas.
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A possibilidade de encerramento das atividades, ofertadas em 16 locais da Capital e que atendem também  a crianças e jovens, foi um dos principais assuntos entre os participantes dos Jogos Municipais da Terceira Idade, evento de esportes para idosos que ocorreu no Tesourinha nesta terça. Reunindo diversos participantes das atividades ameaçadas, o evento serviu para aumentar a mobilização.
Um dos professores, que não quis se identificar por medo de retaliação, diz que ter continuar no Tesourinha, onde fazia 20 horas semanais e agora teve as horas reduzidas e espaçadas na semana. Ele atendia a uma turma de cerca de 30 pessoas e prevê que as mudanças irão impactar a vida dos alunos. "Acredito que eles sentirão muita falta, pois, além do físico, também existe a questão do pertencimento. Às vezes, as pessoas chegam aqui deprimidas e é notório o desenvolvimento social e a disposição. A vida delas melhora também fora daqui", diz o professor.
O professor de Educação Física Luis Felipe Silveira, que dava aulas de dança, foi deslocado a um novo local. Ele trabalhava com três turmas, duas de dança com 45 pessoas e um grupo de convivência com 30 alunos, e foi transferido para uma escola no bairro Intercap, especializada em alunos surdos. Ele observa que não possui capacitação em Libras. Silveira também quer continuar as atividades que fazia. "Todos os colegas gostariam de ficar nos locais, pois a atuação é como professor de Educação Física. Alguns estão sendo encaixados dentro da escola em coordenação de turno e em áreas administrativas", lamenta Silveira.
Sobre os benefícios das aulas que oferecia, ele cita principalmente a socialização. "O idoso quando não socializa tem a expectativa de vida muito reduzida. O convívio social acaba dando muitas motivações para ele persistir ativo, não só da saúde física, mas a saúde mental", defende o professor.
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De acordo com a secretária de Desenvolvimento Social e Esporte, Denise Russo, não há motivo para receio. Segundo Denise, em nenhum momento afirmou-se que as atividades iriam acabar, mas que haveria um remanejo. "Não tem alunos sem aula, nós estamos remanejando. Conforme os servidores foram sabendo das transferências, eles disseram que [a atividade] iria terminar, mas isso não vai acontecer", garante a secretária.
Segundo a pasta, as aulas estão mantidas e os ajustes devem interferir apenas na primeira semana do programa. A gestora garantiu que as mil pessoas atualmente atendidas pelos serviços apenas no Tesourinha terão suas atividades supridas. Além disso, Denise afirma que a mudança também deve trazer profissionais que estavam focados em gestão para dar aulas práticas.
Ainda assim, fontes da prefeitura que atuam nos projetos indicam que o objetivo é minimizar o impacto do remanejo dos profissionais, mas não há garantias de que não haverá redução de atividades. Em 2017, foram atendidas cerca de 2,5 mil alunos com frequência regular, além de quase 130 mil pessoas que tiveram aulas e eventos pontuais. Atualmente, as atividades são oferecidas em parques, como o Ararigboia, Alim Pedro e Ramiro Souto, praças como Tamandaré e Azambuja e centros comunitário, como o Cecores, Cecopam e Cegeb, além do Tesourinha.
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Comentários
Evandro Brasil 11/10/2018 15h22min
As declarações e as ações do Secretário de Educação de Porto Alegre, Adriano Brito, são entristecedoras. Transferir professores que beneficiam milhares de portoalegrenses idosos e crianças para serviços administrativos parece uma atitude incoerente. O que é mais importante: o serviço direto com a comunidade ou o serviço burocrático? Como vão ficar essas milhares de pessoas sem suas atividades? Os professores são formados para ensinar ou para serviços administrativos? Então o professor se forma, se qualifica e depois vai trabalhar administrativamente sem exercer sua atividade...nOutro detalhe que não passa despercebido é que os professores foram alocados em escolas de alunos surdos e mudos sem conhecer a linguagem de Libras.nEmbora para o sr. Secretário Adriano Brito exercer atividade administrativa em escola de surdo sem conhecer a LIBRAS não seja um problema, pobre desse professor que terá que pedir tradução toda vez que um aluno vier conversar com ele ou quando estiver em uma conversa com outros professores e alunos. É quase como estar no administrativo em uma escola da China sem falar chinês. nOutro detalhe importante dito erroneamente é que os alunos são surdos e mudos. Na verdade, são surdos e não mudos. A surdez é uma deficiência e a mudez é outra e embora exista pessoa surda e muda isso é muito raro e atribuir a denominação surdo-mudo aos surdos em geral é uma grosseria. E falar em linguagem de LIBRAS também não está certo. A LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais - é uma língua assim como o português, como o inglês e o espanhol. Uma sinalizada e outras faladas. A diferença entre língua e linguagem é gigantesca. É evidente que faltou um aconselhamento técnico. Mas é assustador o desconhecimento do sr. secretário.n