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Porto Alegre, quinta-feira, 13 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

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Saúde

Edição impressa de 13/09/2018. Alterada em 12/09 às 21h54min

Sepse é principal causa de morte nas UTIs

Falta de leitos de UTI em hospitais públicos é um dos agravantes

Falta de leitos de UTI em hospitais públicos é um dos agravantes


MARCO QUINTANA/JC
Suzy Scarton
Embora seja a principal causa de mortes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), a sepse (antes chamada de septicemia ou infecção no sangue, e, hoje, de infecção generalizada) é praticamente desconhecida. A condição também é uma das principais causas de morte hospitalar tardia, superando o infarto do miocárdio e o câncer. No dia 13 de setembro, celebra-se o Dia Mundial de Combate à Sepse.
A Aliança Global da Sepse calcula que o número de óbitos causados pelo problema gire entre 7 milhões e 9 milhões - uma morte a cada 3,5 segundos. No Brasil, não há um registro confiável, uma vez que, às vezes, a causa da morte não é registrada como sepse, e sim como a doença que causou a infecção generalizada (pneumonia, por exemplo). O Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas) estima que ocorram 600 mil casos no País anualmente - destes, cerca de 250 mil acabam em óbito.
A rigor, a sepse pode ocorrer com qualquer pessoa, mesmo que não esteja internada, como resposta a uma infecção já presente no organismo. Na tentativa de combater essa infecção, o organismo acaba afetando os próprios órgãos, causando falência. "A maioria das pessoas acha que só se pega no hospital e confunde com infecção hospitalar", argumenta o presidente do Ilas, o médico Luciano Azevedo.
A taxa de mortalidade no País, estimada em 65%, é mais alta que a média mundial, que gira em torno dos 30% a 40%. O grupo de risco - ou seja, as pessoas que são mais suscetíveis a formas mais graves de infecção - abrange idosos, recém-nascidos prematuros, pessoas com diabetes, câncer, HIV, usuários de corticoides, transplantados, pessoas que passaram por tratamento quimioterápico e pessoas que apresentam qualquer forma de imunossupressão. Como prevenção, Azevedo cita as imunizações. "A vacinação contra a gripe pode evitar o desenvolvimento de uma pneumonia, que pode vir a causar sepse", exemplifica. Para a população em geral, o pesquisador do Hospital Sírio-Libânes recomenda a higienização das mãos, além de evitar o consumo de alimentos de procedência duvidosa e aglomerações de pessoas doentes.
O rápido diagnóstico da condição, com aplicação imediata de antibiótico, facilita a melhora do paciente. O Ilas finalizou, recentemente, um estudo observacional de três dias, com o objetivo de avaliar a sepse nos prontos-socorros do Brasil. Avaliando 74 instituições (28 públicas e 46 privadas), com 350 pacientes, o estudo mostra que 42,2% dos doentes com sepse nas instituições públicas morreram. Nas instituições particulares, a taxa foi de 17,7%. "Acreditamos que a falta de estrutura dos hospitais públicos possa contribuir. Em geral, o volume de atendimento é maior. Tem muito paciente para pouco médico, o que dificulta o atendimento. Os pacientes são diagnosticados rapidamente, mas ficam no pronto-socorro porque não há leito de UTI, e acabam falecendo ali", pondera Azevedo.
Pensando nisso, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre criou, em 2013, o Programa Intrahospitalar de Combate à Sepse. No Clínicas, 30% dos pacientes internados na UTI desenvolviam a condição, e a taxa de mortalidade chegava a 55%. "Demorávamos cerca de seis horas para diagnosticar e para dar a primeira dose de antibiótico. Passamos a trabalhar na educação do corpo clínico do hospital, e também com um grupo multidisciplinar", explica o professor Rafael Barberena Moraes, responsável pelo programa.
Para o médico, a demora no reconhecimento do diagnóstico se dá devido à variação de sintomas. Os mais comuns são pressão baixa, dificuldade na respiração, alteração do nível sensorial e diminuição de diurese. "Precisamos sensibilizar médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem a reconhecer os sintomas como sinal de urgência", explica Moraes. Entre 2013 e 2017, o tempo para início da infusão de antibiótico foi reduzido em 55%, e a taxa de mortalidade no hospital caiu para 40%. O Hospital de Clínicas realiza, nesta quinta-feira, o III Simpósio Gaúcho de Sepse para discutir e dar visibilidade ao tema.
 

Números da sepse

  • Entre 27 milhões e 30 milhões de casos por ano no mundo
  • Entre 7 milhões e 9 milhões de mortes por ano - uma morte a cada 3,5 segundos
Quais são os sintomas?
  • Fala arrastada ou confusão
  • Arrepios extremos ou dor muscular/febre
  • Diminuição da urina
  • Dificuldade para respirar
  • Sensação de morte iminente
  • Alterações na cor da pele
Fonte: Global Sepsis Alliance
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