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Porto Alegre, quinta-feira, 12 de julho de 2018.
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Saúde

Notícia da edição impressa de 12/07/2018. Alterada em 11/07 às 21h57min

Queda na vacinação amplia risco de sarampo

Aplicação da tríplice geral tem ficado em torno dos 70% da meta nos últimos anos

Aplicação da tríplice geral tem ficado em torno dos 70% da meta nos últimos anos


JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Igor Natusch

Doença que havia sumido do cotidiano dos gaúchos, o sarampo voltou a ser uma presença incômoda para moradores de Porto Alegre, além de uma dor de cabeça para o sistema de saúde da Capital. No momento, são cinco casos confirmados no município, além de outras nove situações suspeitas que aguardam resultado de exames para serem confirmados ou descartados. No Estado, são sete casos ao todo. E um dos fatores que aumenta o risco é, justamente, a falta de vacinação entre os porto-alegrenses.

Segundo a enfermeira-chefe do Núcleo de Vigilância de Doenças Transmissíveis Agudas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Sônia Regina Coradini, a média de aplicação da tríplice viral - que também imuniza contra caxumba e rubéola - tem ficado em torno de 70% da meta nos últimos anos, quando o objetivo preconizado pelo Ministério da Saúde é de 95% de imunização. Ainda que todos os casos confirmados venham de fora do Estado, a necessidade de construir uma barreira de imunização se amplia, já que a vacina é, no momento, a única forma conhecida para evitar o contágio.

A investigação da SMS localizou o caso índice, que dá início à disseminação recente da doença em Porto Alegre, em uma estudante de 25 anos que esteve em Manaus, no Amazonas. Os outros quatro casos confirmados são de pessoas do círculo de convivência da jovem. Uma paciente de Vacaria também teve contato com a estudante, e o sétimo caso gaúcho, em São Luiz Gonzaga, é de uma pessoa contaminada durante viagem à Europa.

Segundo Sônia, o resultado dos exames pendentes é fundamental para determinar se as medidas tomadas para deter a disseminação do vírus foram eficientes, ou se ainda há risco da doença se espalhar na Capital. Ela explica que é feita uma investigação para determinar o itinerário das pessoas contaminadas no período de transmissão do sarampo, que ocorre entre quatro e seis dias antes e depois do surgimento das manchas que caracterizam a enfermidade. São aplicadas doses em todas as pessoas que tiveram contato com doentes e que não tenham como comprovar vacinação anterior.

A principal preocupação da prefeitura é, justamente, com a baixa cobertura vacinal que vem sendo verificada nos últimos anos em Porto Alegre. "Esperamos que, agora, mais sensibilizadas, as pessoas se mobilizem, entendam a importância da vacinação e procurem as unidades de saúde", afirma. Segundo ela, a doença ainda ocorre com alguma frequência em boa parte da Europa, e há surto da enfermidade também na Venezuela, origem de grandes fluxos migratórios para o Brasil. Assim, é preciso manter o bloqueio vacinal alto, para minimizar o risco de reintrodução da doença em solo gaúcho.

A SMS garante que todos os postos do município estão com estoques abastecidos e em plenas condições para aplicar a imunização. Pessoas entre um e 29 anos devem receber duas doses da tríplice, enquanto quem tem até 49 anos precisa de uma dose apenas. Uma vez aplicada, a vacina oferece proteção para toda a vida.

Da mesma forma, solicita-se que pessoas que apresentem sintomas da doença busquem o sistema de saúde para exames e tratamento. Além das manchas características da infecção, sinais como febre alta, tosse, coriza e conjuntivite também devem ser levados em conta. O período de incubação gira entre dez e 14 dias, podendo se estender por até 18 dias.

Cinco estados registraram ocorrências nos últimos meses

Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) o certificado de eliminação do vírus do sarampo. Porém, a queda nas coberturas vacinais, verificada nos últimos anos, acabou trazendo a doença de volta em diferentes partes do País. Além do Rio Grande do Sul, que soma sete casos até o momento, estados como Amazonas, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima já confirmaram a presença de pacientes infectados.

No começo do mês, prefeitos de mais de 300 cidades brasileiras receberam ofício do Ministério Público Federal solicitando a adoção de medidas que garantam a vacinação adequada de crianças no País. Esses municípios causam especial preocupação, principalmente, pela reduzida taxa de aplicação de vacinas contra poliomielite, abaixo de 50% da meta.

No ano passado, de todas as doses que devem ser aplicadas à população infantil, apenas a BCG, que protege contra a tuberculose, atingiu a meta prevista pelo Ministério da Saúde, de 90% de imunização. Caso a cobertura vacinal não volte a crescer, há risco de outras doenças que saíram do cotidiano brasileiro - como rubéola e difteria - também voltarem a circular mais amplamente.

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