Guilherme Catta-Preta, diretor comercial da marca, 
diz que materiais escolares desenvolvem aprendizado Guilherme Catta-Preta, diretor comercial da marca, diz que materiais escolares desenvolvem aprendizado Foto: /CLAITON DORNELLES /JC

Tris aposta no contato direto com o público

Mercados tradicionais também exigem inovação. A Tris, empresa gaúcha de materiais escolares, atua no setor desde 1993. Há cinco anos, a marca iniciou um processo de reposicionamento de mercado, apostando em produtos de mais qualidade. Nessa trajetória, em 2016, surgiu o projeto Escola Criativa, com o intuito de disseminar a importância da criatividade para as crianças mesmo em um momento em que a tecnologia faz parte da rotina dos pequenos. Além disso, o projeto funciona como um termômetro para a marca que se aproxima diretamente do consumidor final nas oficinas criativas que promove em escolas. Para 2019, a empresa projeta o lançamento de 150 produtos, entre licenciados e próprios. Nesta entrevista, Guilherme Catta-Preta, diretor comercial da Tris, fala sobre os desafios de seguir crescendo e como manter as crianças interessadas em utensílios lúdicos e práticos. 
GeraçãoE - Como tornar a marca competitiva em um mercado com nomes muito tradicionais?
Guilherme Catta-Preta - Os nomes fortes do mercado têm 60, 70 anos de atuação. Participaram de um momento em que a economia era muito fechada, então eles aproveitaram isso e têm o mérito deles. O que temos feito é, através de trabalho em loja, quando temos acesso ao consumidor final, oferecer a chance de ele testar o produto. A gente deu uma virada há uns cinco anos. Saímos de um patamar de marca de produtos médios para produtos top, em termos de entrega. É óbvio que existe a percepção de que é uma coisa que se constrói ao longo do tempo, que não acontece de um dia para o outro.
GE - Como manter uma geração que tem tanto acesso à tecnologia interessada em lápis de cor?
Guilherme - Ninguém consegue dizer categoricamente que tecnologia é boa ou ruim para a criança. Entendemos que não se pode eliminar o lápis, a caneta, a cor do processo de aprendizado. A criança constrói algumas funções cognitivas a partir desse tipo de material. Não é o nosso, é qualquer um. Eu acho que ainda que essa tendência ganhe peso fora, a gente está em um País em que isso é quase uma primeira necessidade.
GE - Recentemente, a Tris lançou uma caixa de lápis de cor com vários tons de pele. Como foi a aproximação com esse tema?
Guilherme - Nós vivemos em um País muito diverso, e isso apareceu muito forte nas pesquisas que fizemos. Sejam os pais ou as crianças que entrevistamos, havia quem se sentisse excluído, não se sentiam representados nas cores. Foi super bem recebido. Temos um degradê de 12 cores. Essas questões sempre existiram, elas só não eram valorizadas, mas essa geração valoriza a inclusão. E a Tris também tem um papel nessa questão da inclusão porque permite ter um bom material escolar, de qualidade, sem ter que pagar o preço das empresas que vendem pela marca, e não pelo produto.
GE - Nos últimos anos marcas estrangeiras passaram a estar mais presentes nas prateleiras das papelarias. Como vocês lidam, além da competição do mercado interno, com essa aproximação de nomes do exterior?
Guilherme - Como a gente tem acesso a fabricantes muito fortes, quando um produto não é desenvolvido por nós, buscamos do melhor fornecedor. Conseguimos fazer isso porque, nesse mercado muito tradicional e conservador, a questão da lucratividade, rentabilidade, é o primeiro direcionamento dessas empresas que estão há mais tempo no mercado. Vendemos e desenvolvemos o produto em cima de um conceito e, por isso, às vezes, abrimos mão de lucratividade para ter um produto competitivo que entregue determinada característica. Competição é super saudável e quanto mais você briga mais consegue crescer. Nesse tempo de crise, a marca tem crescido entre 20% e 25% anualmente nos últimos cinco anos, na média. Isso mostra que existe espaço para quem oferece uma linha inclusiva com um preço bom.
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Comentários ( 1 )
  1. Silda santos

    Parabéns pelo projeto e processo que vem acontecendo, acredito que este caminho de estar próximo do consumidor para entender suas necessidades e com ele cocriar ideias e soluções faz parte deste momento da Indústria 4.0.

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