Cláudia Tondo, da Tondo Consultoria, trabalha com famílias empresárias há 25 anos Cláudia Tondo, da Tondo Consultoria, trabalha com famílias empresárias há 25 anos Foto: /MARCELO G. RIBEIRO/JC

Ser filho de alguém muito forte não é fácil

Cláudia Tondo, da Tondo Consultoria

A psicóloga Cláudia Tondo, 51 anos, da Tondo Consultoria, de Porto Alegre, trabalha com casos de famílias empresárias há 25 anos, com clientes no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Sergipe e até de fora do País, como Uruguai. Nesta entrevista, ela fala sobre como é a relação entre empreendedorismo e as pessoas que nascem em lares onde negócios fazem parte da rotina.
GeraçãoE - Nascer em um grupo familiar no qual negócios consolidados foram criados ajudam na formação de um DNA empreendedor?
Cláudia Tondo - Ser filho de alguém muito forte não é fácil. Há alguns casos em que o DNA de empreendedorismo funciona bem, as famílias treinam desde cedo seus familiares, uma educação que não se tem na escola ou na faculdade. Essa pessoa conhece fornecedores do setor há muito tempo, é um aprendizado muito sólido. Mas é difícil, porque uma árvore frondosa faz sombra. Outro lado é que os pais de destaque, normalmente, não estão presentes na vida dos filhos, estão muito dentro dos negócios. Isso acaba criando pessoas que não têm grande autoestima e têm ciúme, pois os pais se dedicaram mais aos negócios do que a elas. Sem contar que o filho tem que provar, por tempo longo, que é bom.
GE - Que contribuições os filhos podem dar aos negócios dos pais?
Cláudia - A primeira geração não teve estudo, mas tem muita sabedoria. É preciso tomar cuidado para que os filhos, que têm mais estudos, não cheguem avacalhando os pais. Pode gerar uma briga muito grande. Eles precisam entender que sabem conceitos a mais, mas os pais têm sabedoria prática. O pessoal mais novo chega dizendo que a empresa não tem planejamento estratégico, mas tem, sim, na cabeça das lideranças. O líder da primeira geração enxerga estrategicamente, por isso que a empresa deu certo.
GE - Que angústias os herdeiros têm?
Cláudia - Às vezes, os filhos entram e querem rapidamente ser reconhecidos. Eles serão reconhecidos, porém, depois de oito, 10 anos. Tem um ciclo de equipes dos pais, que conheceram aquele sucessor como criança. Tem uma transição entre os funcionários, não só na família. O sucessor tem que ir criando a equipe dele, mais jovem, que possa acompanhá-lo nos próximos 10, 20 anos.
GE - Quais são os principais cuidados na hora da sucessão empresarial?
Cláudia - Que a nova geração entre por mérito, e não pelo sobrenome. Associado a isso, de que as pessoas realmente se desenvolvam. Senão, melhor optar por profissionais não familiares.
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