Luiz Meisler participou do Oracle Open World Brasil Luiz Meisler participou do Oracle Open World Brasil Foto: /ORACLE/DIVULGAÇÃO/JC

Tecnologia para transformar o mundo

Um papo com Luiz Meisler, vice-presidente executivo para a América Latina na Oracle

Há 20 anos no mercado, a Oracle é uma das maiores empresas de tecnologia do mundo no que se refere a sistemas de banco de dados e nuvem. Desde 2016, Luiz Meisler, vice-presidente executivo para a América Latina, trabalha por algo que vai além dos números: uma mudança de cultura dentro da multinacional, mais ligada ao propósito dos projetos em que se envolve do que necessariamente o dinheiro que irá faturar com isso. Segundo ele, quem não se ligar nisso em termos de posicionamento de marca "estará velho". Conversamos com Luiz sobre como está sendo essa transição durante o Oracle Open World, que aconteceu mês passado em São Paulo.
GeraçãoE - Como se começa a fazer a transformação da cultura de uma empresa?
Luiz Meisler - Primeiro, você tem que se conscientizar de que tem um problema. Este foi o início da transformação, em 2016. Entendi, claramente, que, se a gente não fizesse uma coisa muito radical, não iria chegar aonde está chegando. Partíamos do entendimento de ser uma empresa que vende produtos para grandes corporações, que tem o pessoal conectado por um modelo de gestão muito mais ligado a resultados financeiros. A vantagem da Oracle é o Larry Elison: desde que montou a companhia, há 20 anos, sempre incentivou o comportamento de dono. Me sinto dono aqui na América Latina, com total liberdade de administrar o modelo de gestão que eu quiser. A gente tem poucos níveis hierárquicos, e tenho um ambiente para fazer mudança.
GE - Por que agora?
Luiz - O mundo vai mudar. Mas, se eu esperar o mundo mudar, pode ser que seja tarde para mim. Melhor que eu comece antes.
GE - Quais as primeiras ações para colocar a mudança em prática?
Luiz - Uma das primeiras ações foi criar um propósito. Tem que se ancorar em alguma coisa. A Oracle é uma empresa que tem produtos de A a Z, é a única empresa que pode chegar em uma companhia e levá-la para o mundo digital da maneira que ela quiser. A gente tem tudo para qualquer tipo de indústria. Então acho que um propósito legal é poder transformar o mundo através da nossa tecnologia. Acharam que eu estava maluco. Mas fomos começando a traduzir esse "transformar o mundo" em coisas práticas.
GE - Tem um exemplo?
Luiz - A cidade de Buenos Aires, por exemplo, tinha muitas enchentes. A gente foi lá e resolveu o problema. Que produto eu usei? Poderia dar uma lista com nomes de sistemas. Não interessa, interessa que resolvemos esse problema. Isso é transformar o mundo. Se aplica também ao sistema de saúde de vários países em que estamos com nossa tecnologia, Chile, Brasil... Em alguns países mais avançados, se as pessoas querem encontrar um remédio gratuito, poderão saber antes de sair de casa. Se quiserem consultar disponibilidade de atendimento, também. Começamos a conectar essas histórias com propósito.
GE - E então?
Luiz - Não é só bonitinho falar isso. É bom, é legal, e faz você vender mais. As pessoas se conectam melhor, entendem do que você está falando, e isso traz resultados. A tecnologia tem que ficar transparente para quem compra. Esse mundo novo está levando a complexidade da tecnologia digital para detrás de uma parede. Quem está lá atrás é quem melhor traduz o que está à frente para o mercado.
GE - Como você avalia esse movimento da empresa até agora?
Luiz - Estamos em um processo de transição. Plantei um montão de sementes. 100% da Oracle já pensa assim? Não. É uma transição profunda. Estou trabalhando para, cada vez mais, celebrar e premiar a transformação e, cada vez menos, o valor. Essa é a mudança cultural, acho que estamos avançando. Quem não está nessa onda está velho. Tem gente que faz projetos para ganhar US$ 50 bilhões, tem gente que faz projetos para transformar cidades, contribuindo para a democracia, transformando sistemas de saúde. Essa é a diferença.
Compartilhe
Seja o primeiro a comentar

Publicidade
Mostre seu Negócio