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Futebol Internacional

- Publicada em 15h15min, 03/04/2021.

Craque da Bósnia-Herzegovina, Edin Dzeko venceu a guerra para brilhar no futebol

Atacante bósnio de 35 anos tem passagens por Wolfsburg, Manchester City e Roma

Atacante bósnio de 35 anos tem passagens por Wolfsburg, Manchester City e Roma


ELVIS BARUKCIC/AFP/JC
Em uma quadra de asfalto, em frente a uma escola, os gols carecem de redes, algo comum em Sarajevo. Foi lá que o prodigioso atacante bósnio Edin Dzeko passou grande parte de seu tempo durante o cerco a Sarajevo na década de 1990. Ele tinha seis anos em 1992, quando estourou a guerra no país, causando 100 mil mortes.
Em uma quadra de asfalto, em frente a uma escola, os gols carecem de redes, algo comum em Sarajevo. Foi lá que o prodigioso atacante bósnio Edin Dzeko passou grande parte de seu tempo durante o cerco a Sarajevo na década de 1990. Ele tinha seis anos em 1992, quando estourou a guerra no país, causando 100 mil mortes.
Dzeko venceu a guerra para, anos mais tarde, brilhar no futebol mundial, com passagens de destaque por Wolfsburg (Alemanha), Manchester City (Inglaterra) e Roma (Itália). Nesta semana, aos 35 anos, Dzeko voltou a Sarajevo, na condição de capitão, liderar a seleção da Bósnia-Herzegovina contra a França, pelas Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2022. A derrota por 1 a 0, em casa, não apaga em nada o brilho da carreira do atacante.
Midhad, o pai de Dzeko, hoje com 66 anos, era soldado do exército bósnio. Ele se refugiou em um pequeno apartamento de parentes em um bairro da periferia de Sarajevo. E foi em um campinho de Otoka, cercado por edifícios, alguns ainda com sinais dos atentados até hoje, que Dzeko deu os primeiros chutes.
Quando as armas eram silenciadas, os meninos saíam de seus abrigos para jogar futebol. "Era arriscado, mas em algum lugar eles tinham de jogar", lembra Midhad. Um dia, sua mulher Belma proibiu o pequeno Edin de sair para a rua. Um tiro caiu pouco depois no campo, com dois mortos e vários feridos, lembra o pai.
Midhad, então, inscreveu o filho na academia do Zeljeznicar, um dos grandes clubes de Sarajevo, e logo Dzeko passou a chamar atenção. Iso Ahmetovic, um dos seus treinadores naquela época, ainda se recorda com orgulho de um dia em quem Dzeko treinava sob o olhar atento de um punhado de aposentados. "Naquela época, Andriy Shevchenko era o melhor jogador do mundo. Eu me virei e disse: 'Olhe para ele, ele é o novo Shevchenko'".
O atacante ucraniano Shevchenko era o grande ídolo do jovem Dzeko. Ele também queria jogar no Milan, algo que quase alcançou em 2009 depois de vencer a Bundesliga com o Wolfsburg, mas o clube alemão "não me deixou sair", explicou o jogador em 2018.
Amar Osim, que levou o Zeljeznicar a conquistar cinco de seus seis títulos nacionais, lembra-se de um menino magrelo que já tinha a mesma altura de hoje (1,93m), mas certamente 25 quilos a menos. "Ele tinha uma capacidade incrível de marcar gols”. E graças a esse talento raro Dzeko vem colecionando títulos, como Campeonato Alemão (2009), Campeonato Inglês (2012 e 2014), Copa da Inglaterra (2011), entre outros.
Dzeko mora no exterior há 16 anos, mas seus laços com a Bósnia e Herzegovina continuam fortes. Ao lado da mulher Amra, ele frequentemente participa de operações humanitárias para ajudar crianças doentes.
Em 2012, por exemplo, quando estava no Manchester City, foi informado que um adolescente bósnio gravemente doente estava na Inglaterra em tratamento. "Eu estava meio adormecido na cama quando vi Dzeko, sua mãe e seu pai aparecerem. A princípio pensei que era um sonho", disse Aner Zelic, 24 anos, que mora em Hadzici, perto de Sarajevo. Até hoje, Dzeko ajuda financeiramente o menino e sua mãe.
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