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Inter

- Publicada em 15h28min, 23/09/2020.

"Gosto desse futebol do Inter, que não dá espaços aos adversários", diz Figueroa

Dom Elias vê algumas semelhanças em grupos vitoriosos do qual participou com o atual elenco

Dom Elias vê algumas semelhanças em grupos vitoriosos do qual participou com o atual elenco


MARTIN BERNETTI/AFP/JC
Elías Figueroa tem gostado do Inter nos últimos jogos da equipe. Um dos maiores ídolos da história do clube gaúcho, o ex-zagueiro chileno aprova a forma intensa de jogar da equipe do técnico argentino Eduardo Coudet, em segundo no Campeonato Brasileiro e líder do Grupo E da Copa Libertadores, no qual também está o arquirrival Grêmio.
Elías Figueroa tem gostado do Inter nos últimos jogos da equipe. Um dos maiores ídolos da história do clube gaúcho, o ex-zagueiro chileno aprova a forma intensa de jogar da equipe do técnico argentino Eduardo Coudet, em segundo no Campeonato Brasileiro e líder do Grupo E da Copa Libertadores, no qual também está o arquirrival Grêmio.
Figueroa compara a fase atual com a do time que atuou e foi bicampeão brasileiro (1975 e 1976) e hexacampeão gaúcho (1971 até 1976). O ex-jogador também relembra momentos históricos, como o "gol iluminado", e conta sobre a vida que leva hoje, como dono de uma vinícola.
Hoje, segundo o filho Ricardo, ele ocupa parte dos dias lendo e escrevendo poesia - atividades também já realizadas desde a época que estava em campo, pois o zagueiro era grande admirador de Pablo Neruda e Gabriela Mistral. Ao menos uma frase célebre de Figueroa já foi imortalizada: "A grande área é minha casa. Aqui só entra quem eu quero".
Você tem acompanhado os jogos do Inter neste começo do Brasileirão? O que tem achado da forma de jogar da equipe?
Elias Figueroa - Mesmo morando no Chile, a gente tenta acompanhar por internet ou TV os jogos do Inter e a equipe tem se apresentado muito bem em campo, com uma estrutura que no futebol se conhece como a coluna vertebral definida.
O que acha do trabalho de Eduardo Coudet em termos táticos?
Figueroa - Tenho gostado da equipe. Joga rápido, tem bom passe e propõe intensidade no jogo. Gosto desse futebol, que marca em cima, abafando, sem dar espaços.
Vê alguma semelhança com a equipe em que você jogou e foi bicampeã em 1975 e 1976?
Figueroa - Bom preparo físico, já que para obter essa intensidade no jogo tem que ter preparo físico. Na nossa época, tínhamos um preparador excepcional que era o grande Gilberto Tim, chegávamos a ter pesadelos com ele. No dia a dia nos propunha níveis de dificuldade incríveis, como correr com pesos de areia nas pernas, éramos um time forte e que corria o tempo todo. Se você aliar a isso à qualidade técnica, fica difícil vencer uma equipe assim.
E quais seriam as diferenças para aquele time?
Figueroa - Muita gente hoje em dia pensa que o futebol mudou muito e eu discordo. O futebol sempre teve um só objetivo que é ganhar o jogo e, para isso, devemos ter um time com qualidade em campo, fazer gol e não levar, simples assim. Tínhamos uma equipe muito entrosada, que não tinha medo de nada nem de ninguém, se fazia respeitar onde fosse, e isso muito também pela preparação física e, obviamente, pela qualidade dos jogadores que tínhamos, como Valdomiro, Carpegiani, Escurinho, Falcão, Manga e tantos outros. Então, se comparamos aquele time com o de hoje ressaltam a qualidade e inteligência da equipe, e hoje o Inter tem excelentes jogadores jovens e também a experiência de um extraclasse como D'Alessandro, que pode fazer toda a diferença nos momentos difíceis. Tem um ditado que diz que jogadores jovens ganham jogos, e jogadores experientes ganham campeonatos.
Quais lições você acredita que o time bicampeão poderia trazer à equipe atual?
Figueroa - Jogávamos igual em qualquer campo, com pressão ou sem, e isso parece com a situação atual onde se está jogando sem público, aí não tem pressão de 100 mil pessoas te vaiando, é você contra o adversário. E eu, que tive a sorte de marcar Pelé, Maradona, Platini, Rivelino, Cruyff e tantos craques, posso dizer que ninguém tem três pernas, nem pula três metros. Se ele é bom, também sou, e é só no campo que se decide.
Considera o Inter favorito ao título do Brasileirão? E da Libertadores?
Figueroa - Inter é time grande e sempre vai estar entre os favoritos. O importante é continuar jogando bem e compenetrado, que o prêmio virá em forma de vitórias. Repito: o Inter é time grande, já ganhou Libertadores e Mundial, com essa história vai ser favorito sempre.
O que poderia melhorar na equipe em busca do título?
Figueroa - A defesa sempre é importante e deve ser o centro da estabilidade da equipe, pois vê o jogo desde atrás e tem a noção completa do campo.
Com quais adversário você acha que o Inter deveria se preocupar mais no Brasileirão?
Figueroa - Do que eu tenho acompanhado, vejo que o Flamengo, o Palmeiras e o Atlético Mineiro estão jogando muito bem também.
O Inter não é campeão brasileiro desde 1979. Acredita que esse longo jejum na competição pode pesar no fator emocional da equipe ou da torcida?
Figueroa - Acredito que não, a equipe tem qualidade e jogadores experientes que transmitem tranquilidade ao grupo. Pelo contrário, se eu estivesse jogando este fator seria muito mais uma motivação do que um peso.
O que você faz da vida hoje em dia?
Figueroa - No Chile, o vinho faz parte da nossa cultura. Nós temos uma vinícola boutique familiar, na qual cumpri o sonho de meu pai, onde produzimos excelentes vinhos que, orgulhosamente, têm sido premiados internacionalmente e que,, atualmente exportamos para o Brasil e outros países.
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