Porto Alegre, sábado, 18 de julho de 2020.

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- Publicada em 20h29min, 15/07/2020. Alterada em 20h29min, 15/07/2020.

"MP do Flamengo" pode trazer prejuízos a clubes do Interior

Bolsonaro e Landim (camisa do Fla) uniram forças para alterar a lei

Bolsonaro e Landim (camisa do Fla) uniram forças para alterar a lei


/CAROLINA ANTUNES/PR/JC
Deivison Ávila
No dia 18 de junho, o presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou uma Medida Provisória (MP) 984, alterando as regras para os direitos de transmissão de futebol no País. A partir de agora, clubes mandantes passam a ter os direitos de arena, podendo negociar com as emissoras de tevê e com as plataformas de streaming a exibição de seus jogos.
No dia 18 de junho, o presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou uma Medida Provisória (MP) 984, alterando as regras para os direitos de transmissão de futebol no País. A partir de agora, clubes mandantes passam a ter os direitos de arena, podendo negociar com as emissoras de tevê e com as plataformas de streaming a exibição de seus jogos.
A mudança no artigo da Lei Pelé ficou conhecida como "MP do Flamengo", já que a articulação partiu do presidente Rodolfo Landim junto a Bolsonaro, que faz questão de expor suas indiferenças com a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão das principais competições nacionais e continentais. Soma-se a isso o não acordo do rubro-negro com a emissora para a transmissão do Carioca.
A MP já está valendo, mas precisa ser aprovada em até 120 dias pelo Congresso Nacional para se tornar lei. Em um primeiro momento, a dupla Grenal não foi favorável à MP, mas acabou vencida e concordando com a maioria na Comissão Nacional de Clubes.
Mesmo sendo um debate recente, em meio a um cenário de incertezas, uma pergunta já pode ser feita: o que acontecerá com os times menores, que não possuem um apelo tão grande de torcida ou de comercialização de seus jogos?
Para o deputado federal gaúcho Danrlei de Deus (PSD), a medida, aparentemente, é boa para o Flamengo. O ex-goleiro do Grêmio disse que já conversou sobre o assunto com o presidente Romildo Bolzan Jr., e sua posição será em acordo com a decisão do clube. Mas ele faz um alerta: "Para os pequenos é horrível. Para clubes menores, tirando os da Série A, não auxilia em dada. Essa medida vem para ajudar os times com mais torcida. No entanto, por óbvio, traz liberdade para eles fazerem suas escolhas. Em princípio, o presidente do Grêmio me falou que seria muito ruim para o clube. Agora, vamos aguardar para ver se o assunto vai entrar em debate na Câmara", resume o parlamentar.
O presidente do Juventude, Walter Dal Zotto Jr, que disputa a Série B nacional, acredita que a MP não será votada e nem irá avançar, já que é preciso ser mais discutida. "Acredito que foi mais uma pressão do Flamengo, principalmente pela questão do Campeonato Carioca. Caso avance, para os times grandes, com mais apelo, pode ser um bom negócio. Para os clubes médios, até pode ter alguma possibilidade de negociação, mas tem que ser coletivo. Não pode o clube negociar individualmente", sintetiza o mandatário.
O São José, que disputará a Série C neste ano, foi procurado e a assessoria informou que o presidente Ênio Gomes não trata sobre as pautas do futebol, já que a gestão é independente. A terceira divisão, com a presença do Zequinha, será transmitida pelo canal de streaming DAZN, que tem contrato em vigor com a CBF até 2022. O serviço deve exibir quatro dos dez jogos de cada rodada, além de toda a fase de mata-mata.
Já o Caxias, que inicia a Série D em setembro, diz que os departamentos de marketing e jurídico estão analisando como a MP pode afetar o clube. O presidente Paulo Cesar Santos acredita que as equipes menores devem se unir e que as federações precisam participar do debate. "Não é o momento de dividir e sim de unir esforços. Tudo é muito novo e a gente precisa, primeiro entender, para depois analisar as mudanças", afirma.
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