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Tóquio 2020

- Publicada em 20h03min, 24/03/2020. Atualizada em 20h03min, 24/03/2020.

Jogos Olímpicos são adiados para 2021

Presidente do COI, Thomas Bach, cedeu às pressões das entidades nacionais

Presidente do COI, Thomas Bach, cedeu às pressões das entidades nacionais


INTERNATIONAL OLYMPIC COMMITTEE/AFP/JC
O Comitê Olímpico Internacional (COI) se rendeu ao que parecia inevitável e anunciou que os Jogos Olímpicos de Tóquio não serão realizados nas datas planejadas. A pandemia do coronavírus levou a entidade e o governo japonês a adiarem o evento para 2021, em data ainda a ser confirmada - provavelmente, no verão do Hemisfério Norte (de junho a setembro).
O Comitê Olímpico Internacional (COI) se rendeu ao que parecia inevitável e anunciou que os Jogos Olímpicos de Tóquio não serão realizados nas datas planejadas. A pandemia do coronavírus levou a entidade e o governo japonês a adiarem o evento para 2021, em data ainda a ser confirmada - provavelmente, no verão do Hemisfério Norte (de junho a setembro).
Nesta terça-feira, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, conversou por telefone com o presidente do COI, o alemão Thomas Bach, e anunciou o adiamento em entrevista coletiva. Na sequência, a entidade olímpica se manifestou em nota confirmando a decisão.
Essa é a primeira vez que uma edição dos Jogos muda de data em sua era moderna (desde 1896). Outras três foram canceladas (1916, 1940 e 1944) nesse meio tempo, em razão das grandes guerras mundiais.
Pelo que havia sido estabelecido inicialmente, as competições em Tóquio teriam início em 22 de julho (com a cerimônia de abertura no dia 24) de 2020 e se estenderiam até 9 de agosto, data prevista para o encerramento. A Paralimpíada, que começaria em 25 de agosto, também foi adiada.
"Nas atuais circunstâncias, e com base nas informações fornecidas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o presidente do COI e o premiê do Japão concluíram que os Jogos devem ser remarcados para uma data posterior a 2020, mas o mais tardar no verão de 2021, para proteger a saúde dos atletas, todos os envolvidos nos Jogos Olímpicos e na comunidade internacional", afirma o comunicado do comitê. Segundo a entidade, o evento continuará sendo chamado, oficialmente, de Tóquio 2020.
Desde que a OMS passou a tratar como pandemia o surto de coronavírus, em 11 de março, eventos esportivos vinham sendo paralisados em sequência. Havia alguma resistência, no entanto, por parte do COI, que, até meados do mês, não via pressa para "decisões drásticas". A entidade mantinha a esperança de que a situação pudesse ser normalizada a tempo, algo que não se concretizou.
No domingo passado, o comitê admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de adiamento e estabeleceu um prazo de quatro semanas para uma definição, o que se mostrou tempo demais diante da pressão que passou a ser exercida por atletas e comitês olímpicos de países como Estados Unidos, Austrália, Canadá, Alemanha e Brasil.
Alguns rituais tradicionais dos Jogos já haviam iniciado. A chama olímpica, por exemplo, fora acesa na Grécia e entregue ao Japão, que iniciaria o revezamento da tocha amanhã. Segundo o COI, o fogo que simboliza o evento permanecerá no país à espera de um novo cronograma.

Os Jogos como negócio

  • US$ 26 bilhões é a estimativa de custos mais recente do Japão com o evento
  • US$ 3 bilhões é o valor dos contratos de patrocínio domésticos firmados para Tóquio 2020
  • US$ 5,7 bilhões é o total das receitas do COI neste ciclo olímpico (quatro anos)
  • Cerca de 73% dessa quantia vêm de direitos de transmissão, e 18%, de patrocínios

Preparação dos atletas e preenchimento de vagas pesaram

Além de toda a preocupação em relação à transmissão da Covid-19, havia muitas dúvidas sobre a preparação dos atletas e até sobre o processo de classificação deles à Olimpíada. Estão abertas, ainda, muitas vagas nos Jogos de Tóquio, cujas definições sairiam em torneios seletivos ainda não realizados.

De acordo com o COI, estão preenchidas 57% das vagas até agora. As outras 43% permanecem indefinidas e poderão ter seus critérios alterados nos próximos meses. Uma possibilidade ventilada antes da decisão sobre o adiamento foi utilizar rankings mundiais e resultados de competições já finalizadas, como os Jogos Pan-Americanos.

Mesmo os esportistas que já têm classificação assegurada se viam em situação complicada, com limitações nos treinamentos. A nadadora espanhola Mireia Belmonte, ouro nos Jogos de 2016, sem acesso às piscinas de seu país, afirmou que não seria possível "fazer um papel digno" caso o calendário inicial fosse mantido. No Brasil, o nadador Bruno Fratus também fez duras críticas enquanto o comitê sustentava a manutenção da data original dos Jogos.

Competidores celebram sensatez em adiamento

O adiamento da Olimpíada de Tóquio repercutiu positivamente entre atletas e comitês olímpicos nacionais. Bicampeão e maior medalhista olímpico da história do Brasil (dois ouros, duas pratas e um bronze), o velejador Robert Scheidt, 46 anos, comemorou o adiamento. Classificado para os Jogos, ele participará de sua sétima Olimpíada. "A decisão de adiar os Jogos Olímpicos para 2021 é correta. Infelizmente, o mundo está vivendo um momento muito triste, e acho que a prioridade, hoje, é a saúde. Considerando a saúde dos atletas e a de todos os envolvidos na organização da Olimpíada, considerando também a possibilidade de se preparar de maneira igualitária, o caminho do adiamento é o caminho correto. Tenho certeza de que Tóquio estará mais motivada do que nunca para entregar uma grande Olimpíada", afirmou Scheidt.

Dono de 24 medalhas paralímpicas, 14 delas de ouro, o nadador Daniel Dias, de 31 anos, foi outro que comemorou a mudança. O atleta nascido em Campinas fará em Tóquio sua quarta participação em Paralimpíadas. "Japão, te vejo em 2021! Obrigado, COI, pela sábia e sensata decisão. Fico mais tranquilo e motivado para participar destes Jogos em Tóquio", escreveu no Twitter.

Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mizael Conrado celebrou a decisão tomada pelos organizadores. "O Comitê Paralímpico Internacional, o Comitê Organizador dos Jogos e o primeiro-ministro japonês nos fazem sentir orgulho de pertencer ao movimento esportivo. Eles nos mostram que os valores do esporte são preservados e o ser humano, de acordo com esses valores, está sempre em primeiro lugar", disse o dirigente. "Não tenho dúvida que o movimento esportivo, especialmente os atletas, darão sua resposta, até em reconhecimento ao respeito das nossas organizações nos Jogos de 2021."

COB fica 'aliviado' com o adiamento das disputas

O presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Paulo Wanderley, afirmou ter ficado "aliviado" com o adiamento de um ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, por causa da pandemia do novo coronavírus. "Tenho certeza de que este também é o sentimento de nossos atletas, com quem tínhamos a maior preocupação e cuidado", disse o dirigente, nesta terça-feira, em um vídeo gravado.
"Desta forma, teremos a oportunidade de oferecer uma melhor preparação para os Jogos. A comunidade do Brasil está bastante satisfeita", disse o presidente, referindo-se às competições que deverão ocorrer, segundo o Comitê Organizador, até meados do ano que vem, no verão do hemisfério norte.
"Sempre tivemos confiança de que o presidente Thomas Bach seria capaz de liderar com serenidade e segurança o Movimento Olímpico nesse momento histórico", afirmou o dirigente, que havia se manifestado no último sábado favorável a uma mudança de data dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
 
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