Porto Alegre, terça-feira, 18 de fevereiro de 2020.

Jornal do Comércio

Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

CORRIGIR

Marketing

Notícia da edição impressa de 13/02/2020. Alterada em 13/02 às 10h42min

Grêmio escala 'time' fora de campo para puxar receitas

Lojas da Grêmiomania puxam vendas de materiais e turbinam fatia na receia total do clube

Lojas da Grêmiomania puxam vendas de materiais e turbinam fatia na receia total do clube


NÍCOLAS CHIDEM/JC
Patrícia Comunello
Ninguém duvida da força que um título da Libertadores tem para as finanças de um clube de futebol. O tricampeonato do Grêmio teve um efeito imediato: as vendas de materiais nas lojas próprias físicas e on-line em dezembro de 2017 significaram entre 20% e 25% do faturamento naquele ano no segmento. Mas não dá para viver só de título. Em 2019, o Grêmio ficou no jejum de taças nacionais e sul-americanas, mas a receita com materiais da marca não parou de crescer. 
Ninguém duvida da força que um título da Libertadores tem para as finanças de um clube de futebol. O tricampeonato do Grêmio teve um efeito imediato: as vendas de materiais nas lojas próprias físicas e on-line em dezembro de 2017 significaram entre 20% e 25% do faturamento naquele ano no segmento. Mas não dá para viver só de título. Em 2019, o Grêmio ficou no jejum de taças nacionais e sul-americanas, mas a receita com materiais da marca não parou de crescer. 
Por isso, o segmento ganha reforço este ano com uma espécie de time extracampo para alavancar receitas, ao lado de mais produtos e do fluxo dos sócios ativos. "O título dá visibilidade, mas isso mostra uma estabilidade muito clara. O Grêmio atinge maturidade e percepção da marca", observa o executivo de marketing tricolor, Beto Carvalho. 
Em 2020, com um orçamento 10% mais magro que em 2019 - R$ 341,9 milhões frente R$ 379,2 milhões -, o clube espera aumentar a renda com produtos em 15% a 20%. A receita no ano passado subiu quase 10%, fechando em R$ 22 milhões entre as duas lojas Grêmiomania e o e-commerce.   
Dois fatores alicerçam os números: maior maturidade da comercialização da filial aberta no Centro Histórico e a expansão do canal digital, responsável hoje por 20% do volume vendido, índice que Carvalho aposta que pode subir para até 30%. O potencial do varejo próprio pode ser medido também no peso das receitas. Até 2018, não passava de 2%. No ano passado, mesmo com os números ainda por serem fechados, o impacto seria de 5%, considerando a previsão orçamentária. O executivo de marketing mira os 7%. "As lojas têm potencial grande para crescer, que se conquista com o tempo", vislumbra. 
{'nm_midia_inter_thumb1':'https://www.jornaldocomercio.com/_midias/jpg/2020/02/11/206x137/1_nc110220_arena__27_-8977980.jpg', 'id_midia_tipo':'2', 'id_tetag_galer':'', 'id_midia':'5e43094c33eed', 'cd_midia':8977980, 'ds_midia_link': 'https://www.jornaldocomercio.com/_midias/jpg/2020/02/11/nc110220_arena__27_-8977980.jpg', 'ds_midia': 'Executivo de marketing do grêmio, Beto Carvalho, na Arena do Grêmio.', 'ds_midia_credi': 'NÍCOLAS CHIDEM/JC', 'ds_midia_titlo': 'Executivo de marketing do grêmio, Beto Carvalho, na Arena do Grêmio.', 'cd_tetag': '1', 'cd_midia_w': '800', 'cd_midia_h': '533', 'align': 'Left'}
Carvalho diz que o Tricolor 'atingiu maturidade e percepção da marca' que se reflete nas vendas de materiais. Foto: Nícolas Chidem /JC 
Parte do impulso do varejo vem da política para sócios, que obtêm descontos e também acumulam pontos, gerando mais abatimentos em compras. A loja Grêmiomania na Arena é encarada como um fenômeno, estando no roteiro do torcedor em dia de jogo, como um item da experiência com o evento.      
Para turbinar os geradores de caixa extracampo, a equipe de Carvalho faz suspense sobre novidades, mas parte da estratégia deve contar com reforço de ações em redes sociais e outros canais. Uma jogada considerada de êxito foi a associação da marca com um empreendimento imobiliário, que resultou no primeiro hotel ligado a um clube de futebol no Brasil.
O Grêmio firmou acordo com a incorporadora gaúcha Melnick Even em um condo-hotel, modelo de negócio baseado em venda de cotas para investidores. O Moinhos 1903, a ser erguido no bairro nobre de Porto Alegre e com o nome em referência ao ano de fundação do Tricolor, vai gerar receita na forma de royalties e promoções, pois quartos e ambientes terão a temática gremista.
A incorporadora informa que já vendeu 521 das 608 cotas. A expectativa é esgotar a oferta até fim de março, prazo considerado fora da curva neste tipo de comercialização. "É o dobro da velocidade de venda planejada", comemora o diretor comercial da Melnick Even, Michel Gasparin.
Outra fonte de receita é o portfólio de mais de 2 mil produtos licenciados, que engordam a conta de royalties. Em 2018, o clube liderou os ganhos neste tipo de operação entre agremiações do Brasil. Alguns artigos ganham mais espaço, mostrando a diversidade. No caso do Grêmio, crescem itens para animais de estimação.
O balcão de verbas oriundas do entorno do campo está incompleto em 2020. Duas posições de patrocínio na camiseta estão em aberto - da rede Laghetto e da Iplace, que não renovaram os passes. Beto Carvalho diz que as negociações estão quase fechadas e devem ser anunciadas neste mês. "A tendência é que sejam bons patrocinadores, podem ser de alcance nacional ou internacional, ops, mundial", revela Carvalho, evitando associação com o rival.
Outro potencial de divisas é a Arena, cuja gestão atual é da Arena Porto-Alegrense. O Grêmio deseja assumir o comando, antecipando em 13 anos a gestão própria. Tudo vai depender de um acordo com o Ministério Público e com a prefeitura para a realização das obras do entorno.
"A Arena é um fator muito relevante e um fato novo em 2020", admite o executivo. A receita atual, que fica com a gestora, é de R$ 50 milhões, mas a intenção é ampliar a relação com torcedores. O estádio pode ser a chave para beliscar a marca de 100 mil sócios, acalentada há tempos. Sem a Arena, a receita esperada com os cerca de 90 mil associados é de R$ 75 milhões para 2020, 2,4% acima do ano anterior.
Leia mais: