Porto Alegre, terça-feira, 06 de novembro de 2018.

Jornal do Comércio

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Sial 2018

31/10/2018 - 18h23min. Alterada em 06/11 às 16h29min

Por que as certificações de segurança dos alimentos ganham cada vez mais espaço

Sial destacou importância de boas práticas e processos para brigar pelo mercado externo

Sial destacou importância de boas práticas e processos para brigar pelo mercado externo


PATRÍCIA COMUNELLO /ESPECIAL/JC
Patrícia Comunello, de Paris
No último Salão Internacional da Alimentação (Sial), em Paris, uma coisa ficou clara: ter certificações sobre segurança dos alimentos, boas práticas e processos é essencial para brigar pelo mercado externo.
Mesmo quem pensa em conquistar clientes no mercado interno também terá de incluir cada vez mais os selos atestando o cumprimento de normas nos produtos, pois grandes varejistas, principalmente as de capital internacional, já exigem os certificados dos seus fornecedores, avisa a analista do Instituto Senai de Tecnologia (Senai-RS) Lisiane Rodrigues.
Lisiane esteve no Sial e comprovou a grande adesão aos procedimentos, dos mais variados alcances, desde os que validam alimentos orgânicos ou biodinâmicos, aos que seguem rituais ligados às religiões islâmica (halal) e judaica (kosher).
Os certificados mais abrangentes e decisivos para se inserir no mercado internacional são de segurança dos alimentos, como o International Featured Standard (IFS), com variantes como o BRC (de um organismo britânico) e a ISO 22000 (FSSC), que segue o IFS. Também ganha mais espaço o Global GAP, um protocolo de intenções sobre boas práticas na produção e processamento dos alimentos destinados a consumidores finais, desde o cultivo à indústria, explica a analista.
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Landa destacou que não adianta ter produto bom se não tem as certificações para vender
No Sial, foi possível constatar que expositores como a OIA, da Argentina, seguem os principais certificados. Pedro Landa, representante da empresa, que também atua no Brasil, diz que, mesmo não sendo obrigatórios, os selos acabam se tornando necessários para conseguir vender. “Pode ter um superprodução, mas não vai vender se não tiver as certificações”, atesta Landa.
A equipe da Goola Açaí, que foi pela primeira vez ao Sial, sentiu na pele o que é a exigência sobre as normas. Mesmo já tendo certificações de orgânicos, halal e kosher, a Goola foi questionada sobre a existência do IFS e outros selos em segurança alimentar e boas práticas. O diretor de operações da empresa brasileira, Rafael Siqueira, diz que a marca está buscando a ISO 22000 para atender ao mercado. “Muitos visitantes nos questionaram sobre selos da produção. Isso virou requisito para fazer negócio”, reforça Siqueira.

Como se preparar para buscar certificações?


Sial Paris 2018: Lisiane Machado Rodrigues, analista técnica do Instituto Senai de Tecnologia do RS
Lisiane ressalta que rastreabilidade dos produtos é importante para segurança do consumidor
PATRICIA COMUNELLO/DIVULGAÇÃO/JC
A analista Lisiane Rodrigues, do Instituto Senai-RS de Tecnologia, explica que o primeiro passo de uma empresa para obter uma certificação é se preparar internamente. O pontapé inicial é dado com a adoção de boas práticas de fabricação, que envolvem ferramentas de qualidade e requisitos mínimos sobre como manipular os alimentos de maneira segura. Estas ações abrangem desde a forma de produção, a relação com fornecedores à validação de controles de qualidade.
Em todas as frentes, é muito importante ter dados bem organizados sobre tudo, além dos procedimentos de qualidade, ressalta Lisiane. Um item que ganha relevância é a rastreabilidade, que envolve desde a origem da matéria-prima até a embalagem usada nos produtos.
“Tudo tem de ser completamente rastreado para que o consumidor tenha a segurança de que, caso ocorra algum evento como uma contaminação durante a fabricação, possa haver o recolhimento do produto e identificado o problema de forma segura”, justifica a analista.
A rastreabilidade pode ser feita por meio de sistemas digitais, como o QCode, ou até com uma organização bem feita de informações. O mais importante é ter um protocolo com a documentação dentro da empresa para identificar como foi feito cada lote de produto.
“Uma indústria de biscoito, por exemplo: precisa lançar neste controle cada lote de farinha de trigo usado, a equipe que fez a produção do pacote etc, tudo tem de estar interligado. Isso é ter um procedimento completamente rastreado”, ilustra Lisiane.
O importante é coletar e registrar as informações dentro de um padrão de qualidade, que não depende de nenhuma tecnologia avançada de rastreabilidade, que costuma estar mais acessível, devido a custos, de grandes fabricantes. “E uma questão sanitária, de responsabilidade com a saúde pública e com o consumidor, e todos deveriam ter hoje", ressalta ela.
O passo seguinte é a empresa implementar um plano de APPCC (análise de perigos e pontos críticos de controle da produção) do alimento. Segundo a analista, o APPCC é uma ferramenta mais refinada, que detalha as ações corretivas e as tolerâncias de cada situação, além de um plano de contingência caso ocorra algum desvio na produção.
Se a empresa já tem boas práticas e APPCC, está em condições de buscar uma certificação em nível mais avançado. “A temática da segurança alimentar já estará no dia a dia da operação e já existe uma cultura sobre estes processos que devem interligar todas as áreas, desde a produção, manutenção, os recursos humanos e área de vendas. O que torna a certificação possível”, enumera a analista do Senai-RS.

Instituto Senai faz diagnóstico e assessora empresas para buscar certificação

O preparo para buscar as certificações começa identificando quais regras são atendidas e os selos que a empresas pretende buscar, o que dependerá dos mercados em que atua e quais almeja entrar.
Existem diversos regulamentos internacionais que habilitam as operações, como o IFS, o BRC (normas definidas por organismo britânico para segurança alimentar), a ISO 22000 (FSSC), adotada no Brasil para segurança dos alimentos.
O Instituto Senai de Tecnologia auxiliar as empresas de diferentes tamanhos a se habilitar aos procedimentos, ou seja, a adotar as condições exigidas pelas normas certificadoras. O Senai não é um certificador.
A analista Lisiane Rodrigues esclarece que o instituto tem consultores especializados nos procedimentos. Uma empresa interessada pode entrar em contato com o instituto em Porto Alegre e agendar uma visita sem custo. No encontro, o consultor fará um diagnóstico verificando o status da política de qualidade e se a empresa adota processos, desde um plano de APPCC até práticas que seguem requisitos para as certificações.
Depois disso, é feita uma proposta para o gerente de qualidade ou gestor da produção da empresa com uma avaliação do que já tem e o que deverá ser providenciado. A partir daí, também é possível fazer um orçamento para implementar os controles e os demais procedimentos a serem depois verificados pelos certificadores.
"Os custos vão depender do nível de documentação da empresa. O Senai-RS prepara a empresa. Quando estiver tudo pronto, busca-se o organismo certificador”, completa a analista. Os certificados precisam ser renovados, com periodicidade anual ou não, dependendo do funcionamento de cada um.
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