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Jornal do Comércio

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tecnologia

24/10/2018 - 18h19min. Alterada em 25/10 às 08h43min

Realidade virtual aproxima consumidor de alimentos

Setor de frangos e suínos do Brasil resolveu usar VR e realidade aumentada

Setor de frangos e suínos do Brasil resolveu usar VR e realidade aumentada


PATRÍCIA COMUNELLO /ESPECIAL/JC
Patrícia Comunello
A realidade virtual (VR), que permite imergir em ambientes gerando experiência diferenciada das pessoas, virou aliada de segmentos da alimentos e chamou a atenção no Salão Internacional de Alimentação (Sial) 2018, considerada a feira mais inovadora do setor no circuito mundial. O setor de frangos e suínos do Brasil, líder global em exportação que é feita a mais de 150 países, resolveu usar a VR e a realidade aumentada (VA) para melhorar a percepção sobre temas como segurança e boas práticas a potenciais clientes. O foco ainda é de aproximar quem vai comprar o produto e depois terá de levar ao mercado consumidor.
No estande da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), montado em parceria com a ApexBrasil, um visitante do Oriente Médio, África, Ásia ou Europa pode conhecer uma granja no Rio Grande do Sul sem sair do Sial, que ocorre no parque de exposições Paris Nord Villepinte até hoje. Com um óculos de VR, o usuário mergulha na lida com as aves, verifica como é a rotina do agricultor ao alimentar os animais e conhece o ambiente e equipamentos que são exigidos pela legislação. A BPA também acoplou a tecnologia, desta vez de realidade aumentada, no livro Da nossa mesa para sua mesa, lançada no Sial e que permite assistir a depoimentos das pessoas, de trabalhadores em frigoríficos e até clientes.
Com a solução, além de movimentar o espaço dividido entre players do setor, que ficou sempre lotado, a ABPA mostrou afinidade com a organização do salão. O documento Decodificando o futuro da alimentação, o Sial, com apoio de estudos liderados por Céline Laisney, da Alimavenir, apontou o uso de tecnologias de inteligência artificial, robôs, blockchain e recursos de VR e VA como fundamentais para dar respostas sobre como suprir alimentar 9,8 bilhões de pessoas em 2050 no mundo.
O desafio, segundo Céline, é indicar os caminhos, verificar a reação das pessoas e as condições de implementação até 2030. “Um exemplo é o uso de Qcode ou do VR para que o consumidor veja como é a produção. Isso vai abrir a caixa de Pandora para termos uma visão mais transparente”, pontua a coordenadora do documento. Uma das razões para adotar estas ferramentas são escândalos sobre origem de produtos que têm sido registrados, incluindo países desenvolvidos como a França.
A experiência gerada pelo projeto da ABPA também segue a recomendação. O diretor executivo da associação, Ricardo Santin, acredita que a iniciativa ajuda a reforçar o conhecimento sobre os cuidados em todas as etapas da cadeia do setor. O Brasil teve, em 2017, a Operação Carne Fraca, que mostrou falhas no processo industrial nas maiores companhis de abates e processamento de aves e suínos, como BRF e JBS. “Já viramos esta página (carne fraca), mas a ação com a tecnologia mostra como o importador pode confiançar e como zela pelo bem-estar animal”, cira Santin. O diretor executivo avalia que o uso desses recursos vai ajudar a conquistar mais mercado.

 

Caixa preta mostra as soluções em VR

FuturoLab Sial
Para analista Laurent Lachaze, uso da tecnologia deve crescer cada vez mais
patrícia comunello/ESPECIAL/JC
A feira em Paris tem uma caixa preta, posicionada bem no acesso ao setor seis, que é o pavilhão da inovação. No espaço identificado como FuturoLab, estão startups de tecnologia e aplicações com realidade virtual (VR) e aumentada (VA) que permitem que o consumidor conheça mais o que está comprando, antes mesmo de fechar a operação.
Os monitores instalados e os óculos que podem ser usados pelo visitante permitme fazer um passeio por um súper ou mercearia, com a possibilidade de acessar mais dados de alimentos, como validade, valor nutritional, ingredientes e seus efeitos à saúde, além da origem, quando há o recurso da rastreabilidade.
Em uma das imersões, o cliente está sentado à mesa de um restaurante e já fez seu pedido. Enquanto aguarda ser servido, ele coloca o óculos e visualiza, no ambiente, imersivo o preparo do prato, quais são os componentes e a formulação, além de descobrir como o chefe obtém os produtos e prepara o prato na cozinha. Uma animação com o cozinheiro envolve o consumidor no ambiente que lembra um game.
Laurent Lachaze, analista da Easycom, aponta que o uso das duas tecnologias, que têm apoio em óculos e na leitura de códigos nos produtos, deve crescer cada vez mais. Na França, já há incentivo do governo para que se adote códigos e monitoramento. A realidade virtual facilita vendas, permite que as pessoas experimentem virtualmente as mercadorias antes mesmo de comprá-las e abri-las em casa.
“Podemos usar o smartphone para acessar estas informações no próprio ponto de venda, com isso se tem um motivo para que o cliente veia à loja física”, completa Lachaze. Outra tendência é o uso de VR para treinamento do pessoal que atua na cozinha e até para manutenção, o que serviria para aprendizado do morador na lida com seus utensílios domésticos.
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