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Jornal do Comércio

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sial 2018

Notícia da edição impressa de 24/10/2018. Alterada em 24/10 às 14h03min

Empresas gaúchas captam exemplos da alimentação na França

Comitiva do Brasil visitou lojas-modelo na gastronomia parisiense, como a de Emmanuelle Touboul (centro)

Comitiva do Brasil visitou lojas-modelo na gastronomia parisiense, como a de Emmanuelle Touboul (centro)


/PRINTEMPS/DIVULGAÇÃO/JC
Patrícia Comunello, de Paris
As empresas gaúchas que integram a comitiva brasileira na feira Sial 2018, em Paris e uma das maiores e mais inovadoras mostra na área de alimentação, já começam a confrontar experiências que estão tendo contato na viagem projetando mudanças e novidades nos negócios na volta para casa. Ontem, terceiro dia de atividades, o grupo deu um tempo na feira para fazer visitas técnicas em duas operações bem diferenciadas - uma das indústrias de biscoitos mais tradicionais da França e um coneito de varejo que une gastronomia e valorização da produção nacional de alimentos e bebidas.
As imersões ocorreram em Reims, cidade que fica pouco mais de cem quilômetros de Paris em direção à Alemanha e que foi devastada na Segunda Guerra Mundial, onde fica a fábrica da Fossier, que tem como marca um biscoito rosa que lembrou para muitos a bolacha champanhe, usada em pavês na culinária. A outra parada, de volta à capital francesa, foi no Printemps di Goût, uma grande mercearia de alto padrão, com 95% de itens de produção francesa, de hortigranjeiros a especiarias, bebidas, pães, em um cardápio com 2,5 mil itens diferentes.
O roteiro é preparado para que os integrantes, ligados à indústria de alimentos e a serviços, possam conhecer modelos de negócios e buscar referências, inovações e até confrontar mercados, explica Roger Klafke, coordenador da área de alimentos e bebidas do Sebrae-RS. No Fossier, a equipe pôde visitar, mesmo que em área separada por vidraças, a linha de produção da biscoitaria aberta em 1756, portanto há mais de 250 anos e que começa agora a ter a maior produção devido às festas de fim de ano, que consomem 20% a 30% da produção de 30 milhões de unidades por ano.
Os sócios da Biscoitos Zezé, os primos Fábio Langlois Ruivo e André Ruivo Júnior, acompanharam com atenção a estrutura que compõe a unidade, onde atuam funcionários, e ainda mais sobre a qualidade dos produtos usados. Alguns detalhes sobre proteção que são exigidos no Brasil não são tão rígidos nas regras francesas, mas os anfitriões deixaram claro o rigor com higiene e segurança alimentar, com adoção de certificações internacionais.
PATRÍCIA COMUNELLO /ESPECIAL/JC

Fábio Langlois Ruivo e André Ruivo Júnior, diretores da Biscoitos Zezé. Foto: Patrícia Comunello

"A qualidade dos produtos foi muito ressaltada, sem se limitar a questões de uso de açúcar e manteiga, por exemplo, que passaram a ser condenados em muitos locais como ingredientes que fazem mal à saúde ", comentou Fábio. A prioridade é dada ao sabor e à tradição, que os dois primos comparam com muitas receitas que vêm da culinária portuguesa e que são tradicionais no sul do Rio Grande do Sul.
O presidente da Fossier, Charles Antoine de Fougeroux, falou com a comitiva e criticou o que chamou de extremos, como fixação nos orgânicos. Na indústria francesa, não se adota este modelo, mas a ideia é levar a produtos, em alguma novas linhas, o valor da sustentabilidade.
A família Ruivo se prepara para operar uma nova linha de produção, que agregará 20% a mais de capacidade, hoje de 500 toneladas de bolachas e biscoitos ao mês. O investimento foi de R$ 5 milhões na planta em Pelotas. "Vamos elevar a qualidade do que fazemos e a produtividade", reforçam os sócios.

Empreendedoras de geleias e doces buscam referências

Claudia Dreher, dona da Sabores da Querência, de Cambará do Sul, e que está na comitiva brasileira na Sial, em Paris
Claudia Dreher, dona da Sabores da Querência, de Cambará do Sul
PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC/
A dona da Sabores da Querência, da cidade gaúcha de Cambará do Sul e que tem como itens principais geleias de frutas vermelhas, Claudia Dreher, resume a experiência da feira e as visitas com a famosa frase do escritor norte-americana Ernest Hemingway. "Paris é uma festa, é um berço de sabores, de aromas e é um centro de oportunidades para vivenciar isso tudo e levar ao dia a dia", resume a inspirada Claudia.
A empreendedora de geleias considera que o modelo de valorização da produção local ou nacional, que é o princípio da Printemps, pode servir de referência. "Tudo tem muito cuidado, não só aqui (referindo-se à loja visitada), mas vimos também na feira, na exposição de produtos.
Tudo para ter o melhor", exemplifica Claudia, que está levando na mala de volta várias unidades de geleias para comparar e "sair da zona de conforto", se for o caso.
PATRÍCIA COMUNELLO /ESPECIAL/JC

Maria Helena Lubkejeske, dona da Imperatriz Doces Finos. Foto: Patrícia Comunello

Já Maria Helena Lubkejeske, que é dona da Imperatriz Doces Finos, com sede em Pelotas, ao Sul do Rio Grande do Sul, saiu empolgada da visita à Fossier. A pegada da valorização da história e como passar isso às pessoas e, mesmo abrir espaço para atrair turistas, faz parte do plano de Maria Helena, que mudará a produção para uma área maior e mais nova, onde planeja um espaço de museu, para visitantes conhecerem a elaboração dos doces de Pelotas.
"Vamos unir doces com turismo em uma área com 2 mil metros quadrados, onde poderei aumentar em quatro vezes a produção."

Printemps du Goût quer ser único

Quem criou o modelo não esconde. O Printemps du Goût, aberto há um ano a área mais badalada de Paris, onde estão a Galeria Lafayette e o Opera, surgiu há um ano e busca ser um varejo completamente diferenciado, onde 95% dos itens têm origem francesa, seja na elaboração ou no produto completo. São 15 mil metros quadrados em oito andares, sendo que os dois últimos dedicados ao passeio gastronômico. O local oferta 2,5 mil produtos com o conceito "made in France", explica Stella Laroche, diretora do complexo onde fica a área de comida e bebidas. Há espaços para compras e também para refeições.

No começo, buscava atender os franceses que trabalham e frequentam a região, mas acabou atraindo turistas.

Emmanuelle Touboul, que dirige a operação e os restaurantes, diz que os produtos que compõem o mix foram testados, após pré-seleção com 25 mil itens inscritos que chegaram a 17 mil amostras. Destas, 1,5 mil foram escolhidas para compor a loja. "Buscamos cooperativas de produtores, que podem se reunir para ofertar o produto. Queríamos a elaboração artesanal", descreve Emmanuelle, que explica que muitos itens podem não estar disponíveis todo o ano devido a sazonalidades.

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