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Notícia da edição impressa de 31/10/2018. Alterada em 30/10 às 23h00min

Insurtechs revolucionam o mercado securitário

Presença das empresas focadas em atendimento digital é importante para movimentar o setor

Presença das empresas focadas em atendimento digital é importante para movimentar o setor


/INSURTECHDELPHOS/DIVULGAÇÃO/JC
A presença cada vez mais marcante das insurtechs no mercado segurador brasileiro traz uma reflexão aos diretores de seguradoras e trabalhadores do setor em geral. O conceito de simplificação dos processos e agilidade na contratação, bem como a integração com outras tecnologias, remete a uma mudança quase estrutural na forma de aproximação com o cliente e de suporte a ele. Por esse motivo, a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico criou uma divisão exclusiva para tratar dessas startups que movimentam, em âmbito global, cerca de US$ 19 bilhões.
A coordenadora do Comitê de Insurtechs, Beatriz da Rocha Pinto, entende que o mercado securitário está ultrapassado e burocrático demais para os novos consumidores, sobretudo os mais jovens, acostumados a realizar operações de todos os tipos com alguns toques na tela do computador ou do smartphone. Por isso, a presença dessas empresas, focadas em atendimento digital, é importante para revolucionar o setor. "É um movimento irreversível (a presença das insurtechs) e bem-vindo. As empresas mais tradicionais estão se aproximando desse ecossistema para inovar seus modelos de negócio. É uma mudança crescente e necessária, e o nosso objetivo é contribuir para o desenvolvimento do mercado segurador", explica Beatriz. No Brasil, existem atualmente 79 empresas desse segmento, conforme levantamento da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. A maioria está concentrada em São Paulo, e apenas 5% no Rio Grande do Sul.
Algumas barreiras ainda precisam ser transpostas para as insurtechs prosperarem da maneira com a qual se vislumbra, na visão de Beatriz. A primeira é superar a desconfiança dos consumidores, ainda presos ao modelo tradicional de contratação, com a presença dos corretores de seguro. Para isso, algumas empresas utilizam modelos mistos de venda, com a negociação on-line aliada a um profissional. A outra é desenvolver a cultura do seguro na população. "Somente 30% da frota nacional é segurada. Quanto aos seguros de vida, apenas 10% da população os contratou. A questão cultural é antecessora dos desafios do e-commerce", analisa a coordenadora.
Beatriz da Rocha Pinto revela que o Comitê passou os últimos meses debruçado em descobrir um pouco mais a respeito das empresas inseridas no comércio de seguros pela internet. Além de conhecer sobre produtos e metodologias utilizadas, a coordenadora explica que buscou junto às startups demandas relacionadas à questões regulatórias e fomento das atividades. "Alinhavamos parcerias com alguns HUB's de inovação para testarem seus produtos nas insurtechs. É algo benéfico para ambos", avalia. Além disso, o cadastramento das empresas ajudará o Comitê a pleitear junto aos órgãos competentes demandas, cujo objetivo é dar solidez a esse segmento do mercado segurador. "Queremos ter um papel relevante nessa revolução", afirma.

O que são insurtechs

  • O termo "insurtech" é resultado da junção das palavras insurance (seguro) e technology (tecnologia).
  • INSURTECH = INSURANCE TECHNOLOGY
  • As insurtechs surgiram com o propósito de revolucionar o setor de seguros, por meio de tecnologias inovadoras que mudam a forma como os consumidores contratam planos de seguro (de vida, imóvel, viagem, automóvel etc).
  • Assim como as fintechs, as insurtechs são startups que pretendem inserir o poder das novas tecnologias em um mercado conservador, e fazê-lo se beneficiar muito delas. 
Fonte: Conexão Fintech

Empresa cria ferramentas para otimizar processos das seguradoras

Omar Ajame destaca inovação e eficiência das novas empresas
Omar Ajame destaca inovação e eficiência das novas empresas
/TEX/DIVULGAÇÃO/JC

Conhecida como uma das pioneiras entre as insurtechs no Brasil, a TEx Tecnologia chegou ao seu 10º ano no mercado segurador. Criadora de ferramentas para auxiliar as tradicionais empresas do ramo a se tornarem mais ágeis e eficientes, a empresa desenvolveu uma plataforma chamada Teleport, que já absorve cerca de 10% de todas as cotações para seguros automotivos feitos no País. Aliada às médias e grandes empresas do setor, a insurtech pretende entregar aos seus parceiros soluções de inteligência, a fim de se aproximarem com maior facilidade dos seus clientes.

O CEO da TEx, Omar Ajame, conta que a empresa nasceu dentro de uma corretora tradicional a partir da visão de inexistência de integração digital entre corretoras e seguradoras, tornando o processo de cotação de seguros demasiadamente longo e gerando um incômodo no consumidor final devido à burocracia. A partir disso, Ajame decidiu partir para a estruturação de uma empresa com o objetivo de dirimir tais burocracias e gerar maior agilidade. "Por meio das insurtechs e da validação do mercado, as empresas do setor passaram a operar de forma mais inovadora e eficiente, beneficiando também todos os seus parceiros de negócios. É um modelo 'ganha-ganha', no qual mais valor é criado para todos", explica.

Ainda que tenham aberto uma nova modalidade de contratação de seguros e relacionamento com o cliente, Omar observa que as insurtechs ainda são mais complementares ao trabalho das seguradoras tradicionais. "A grande maioria não concorre e nem tem o objetivo substituí-las. Pelo contrário, as insurtechs trabalham como parceiras dessas empresas", afirma. A presença de informações estranhas ao consumidor e a complexidade da operação que é contratar uma proteção individual ou coletiva ainda é um desafio a ser superado por todo o setor, na visão do CEO. "A busca por seguros online tem crescido bastante, mas a experiência do cliente ainda está longe do ideal e por isso acreditamos que existem muitas oportunidades neste mercado."

Acerca do trabalho do corretor de seguros e da perspectiva futura sobre o setor securitário, Omar entende que as ferramentas disponibilizadas aos profissionais da área contribuíram com uma expansão, tanto para as empresas quanto a eles próprios. "A venda online não elimina a importância do corretor", afirma o CEO. Nos próximos cinco anos, o líder da TEx vê um crescimento nessa modalidade de comercialização. O ponto mais importante, no entanto, para Ajame, é incentivar a cultura do seguro e da educação financeira.

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