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finanças

- Publicada em 03h00min, 09/11/2020. Atualizada em 10h09min, 09/11/2020.

Educação financeira tende a crescer entre os brasileiros

Leandro Benincá diz que pandemia trouxe um choque de realidade

Leandro Benincá diz que pandemia trouxe um choque de realidade


/Messem Investimentos/Divulgação/JC
Roberta Mello
A preocupação com a saúde física e mental vem crescendo e tem reflexo direto no aumento da expectativa de vida no País. Pensar no bem estar e manter hábitos saudáveis é fundamental, mas é preciso também se preparar para alguns aspectos práticos desse período, como a sustentabilidade financeira durante a aposentadoria.
A preocupação com a saúde física e mental vem crescendo e tem reflexo direto no aumento da expectativa de vida no País. Pensar no bem estar e manter hábitos saudáveis é fundamental, mas é preciso também se preparar para alguns aspectos práticos desse período, como a sustentabilidade financeira durante a aposentadoria.
Dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram uma nova realidade no perfil da população brasileira: de um lado, a expectativa de vida dos brasileiros vem crescendo a cada censo realizado. Isto significa que as pessoas vão viver mais, estendendo o período de recebimento dos benefícios concedidos pelo regime aberto. De outro lado, o número de nascimentos diminuiu drasticamente nos últimos anos.
Esses dados confirmam que, em poucos anos, o Brasil terá um contingente maior de idosos recebendo benefício e menor de jovens entrando no mercado de trabalho, cujas contribuições para Previdência Social, feitas sob o regime de repartição, é que suportam o pagamento dos benefícios dos aposentados e pensionistas. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), nesta nova realidade, dois pontos ficam evidentes: primeiro, a tendência cada vez mais realista de redução do valor do benefício pago pelo INSS e, segundo, que as pessoas terão que retardar a sua entrada no processo de aposentadoria, ficando mais tempo no mercado de trabalho.
É neste contexto que a previdência complementar vem ganhando força. O sistema acumula recursos para garantir uma renda adicional no futuro e começa a entrar no radar de um número enorme de pessoas que começam a tomar as rédeas das suas finanças pessoais.
Mas o produto ainda tem muito espaço para crescer no Brasil. Um número pequeno de pessoas realizam esse investimento. Os dados mais recentes apontam que apenas cerca de 42 milhões de brasileiros tinham aplicações em 2019 e os índices apresentam elevação tímida de um ano para o outro. A 3ª edição da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, divulgada em 2020, aponta que menos da metade dos brasileiros (44%) tinha algum saldo aplicado em produtos de investimento em 2019.
Quando o foco se volta aos produtos financeiros mais usados pelos investidores, a previdência privada está bem longe de ser a preferida. Apenas 5% dos brasileiros tinham um plano de previdência privada em 2019, enquanto 84,2% contavam com poupança e 6% aplicavam em fundos de investimento.
"O brasileiro ainda guarda pouco, mas isso está começando a mudar", garante o educador financeiro da Messem Investimentos Leandro Benincá. O interesse em investir aumentou desde 2019, o que fica evidenciado pela alta no número de CPFs na B3 e pelo crescimento das corretoras e empresas de investimento.
A pandemia do novo coronavírus provavelmente também está contribuindo com isso. "Ela nos forçou a ter a visão de que não estamos seguros nunca e que as coisas podem mudar rapidamente. Esse choque de realidade trazido pela pandemia mostrou que você precisa estar preparado para ficar sem emprego ou com seu negócio fechado ao longo de meses. Muita gente tem nos procurado a fim de formar uma reserva de emergência e fazer investimentos de médio e longo prazo também", comenta Benincá.
A educadora financeira Ana Pregardier acredita que uma mudança de paradigma está em curso. "Estamos nos tornando mais adeptos de um estilo de vida consciente e sustentável. Isso se manifesta em todos os aspectos, desde as nossas escolhas na hora de comprar até a relação que temos com o dinheiro", salienta.
Se, entre os anos 2000 e 2010, as palavras de ordem se tornaram comprar e acumular, a tendência é que, daqui para a frente, poupar e investir ganhem espaço. "A expansão do crédito e o gasto desenfreado acarretaram em sérios problemas financeiros para as famílias. Agora, as pessoas estão aprendendo a usar melhor essa ferramenta que é o dinheiro", acredita Ana.

O que levar em conta na hora de escolher o plano de previdência ideal

Custos Verifique se há cobrança de taxa de carregamento (sobre o depósito realizado), de administração, de entrada e de saída (para saque antecipado). Quanto mais taxas, menos vantajoso tende a ser o plano;

Fundo de Previdência Saiba quais as características do fundo de previdência, como a composição da carteira do fundo em que seu dinheiro está investido, quem é o gestor e qual a rentabilidade aproximada;

Prazos Preste atenção se o plano possui prazo de carência para resgate total, para resgate parcial e para portabilidade de acordo com a sua necessidade de movimentação ou resgate do dinheiro;

Imposto de Renda A escolha por uma plano PGBL ou VGBL vai definir a incidência de Imposto de Renda no momento do recebimento e também se poderá ser feita dedução na hora de preencher a declaração anual;

Aporte inicial e mensal Os planos têm valores mínimos de investimento inicial e de contribuição mensal. Estes valores variam conforme a instituição e é importante buscar um modelo que não comprometa sua renda mensal nem se torne difícil de arcar com o passar do tempo.

Se possível, procure ajuda de um especialista e/ou converse com pessoas de confiança da sua família ou amigos. Duas cabeças sempre pensam melhor que uma!

Raio X da previdência privada

Vantagens
Gestão Profissional: todos os planos regulamentados pela Susep são administrados por instituições financeiras que designam um profissional para fazer a gestão do investimento.
Diversidade de Opções: a diversidade de planos oferece ao investidor opções adequadas a diferentes perfis.
Portabilidade: oferece ao investidor a possibilidade de corrigir uma compra equivocada, mudando de plano, caso entenda que outro produto é mais adequado para o seu caso.
Planejamento sucessório: é o único investimento que não entra em inventário em caso de falecimento, o que permite ser utilizado como instrumento para transmissão de patrimônio.
Desvantagens
Taxas: o valor das taxas pode impactar seus rendimentos, por isso é importante entender todos os custos que você terá com este investimento.
Penalidades: o saque antecipado dos planos de previdência privados costuma sofrer penalidades com altas taxas. Por isso, é importante conhecer bem os prazos.
IR sobre o principal: no PGBL, embora você receba o benefício de dedução de até 12% do Imposto de Renda, a incidência desse imposto, no momento do saque, se dará sobre o valor total acumulado e não apenas sobre os rendimentos.
 

Planejar aposentadoria traz vantagens financeiras

Quando é feito um planejamento da previdência privada de acordo com todas as necessidades do indivíduo, uma série de vantagens se sobressaem. Ao contrário do que ocorria há alguns anos, quando os fundos de previdência tinham muita restrição para operar, hoje eles têm mais liberdade e podem trazer uma rentabilidade maior.

A previdência privada nunca tem a cobrança do chamado "come-cotas", uma antecipação no recolhimento do Imposto de Renda cobrada em fundos de investimento de diversos tipos, como multimercados e renda fixa.

O estrategista da Terra Investimentos, Marco Harbich, indica que seja feita uma avaliação criteriosa também de qual o tipo de plano ideal para o seu perfil. A escolha por um PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) ou VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) vai definir a incidência de Imposto de Renda (IR) no momento do recebimento e também se poderá ser feita dedução na hora de preencher a declaração anual.

Basicamente, o PGBL é indicado para quem faz a declaração completa do IR, pois pode gerar dedução de até 12% do IR devido, e na hora de receber o valor será pago imposto sobre todo o valor resgatado. Já o VGBL é indicado para quem é isento de IR ou faz declaração simplificada, pois não permite dedução, e no momento de recebimento pagará IR apenas sobre os rendimentos.

Além disso, tanto no PGBL quanto no VGBL o investidor opta por uma tabela de tributação. Ela pode ser regressiva definitiva, em que o valor da alíquota varia de 35% a 10% de acordo o prazo da aplicação (ideal para objetivos de longo prazo), ou progressiva em que a alíquota aumenta de acordo com o valor a ser resgatado (ideal para objetivo de curto prazo).

Outro benefício que a previdência tem é que ela pode ajudar na hora de realizar a sucessão patrimonial. Caso o valor da previdência não tenha sido transformado em renda, ele passa para os beneficiários ou herdeiros sem a necessidade de inventário. "O processo é facilitado. Basta chegar com atestado de óbito na seguradora ou no banco e realizar o 'saque'", diz Harbich.

Conhecer investimentos é o melhor caminho

Se alguém tem medo de ter que abrir mão de realizar seus sonhos ou de viver pequenas alegrias para investir em previdência privada, a educadora financeira Ana Pregardier garante que o caminho não é esse. Com organização, dá para fazer tudo. Para Ana, se educar financeiramente é adotar um novo estilo de vida. E não é possível manter os novos hábitos por muito tempo se o único objetivo for guardar tudo para o futuro. "O hábito de usar seu dinheiro de forma consciente vai possibilitar que você consiga investir seus recursos de forma leve e tranquila", ela garante.

Os especialistas são unânimes ao afirmar que é preciso encontrar um equilíbrio entre os gastos do agora, o que será guardado para constituir uma reserva de emergência e os investimentos de médio e de longo prazo. Por ser um investimento que rende mais quanto maior é o tempo em que fica investido, o ideal é que a previdência privada não seja resgatada em um momento de aperto nas contas familiares ou para fazer uma viagem, por exemplo. A saída é ter uma carteira diversificada.

Mas quem acha que com o salário atual não vai dar para fazer tudo isso, não deve desistir. A educadora financeira indica que é possível começar elegendo prioridades. Para algumas pessoas, o primeiro passo pode ser sair do vermelho. Depois é o momento de começar a poupar, sempre tendo em vista algum objetivo. "Se você sente que não consegue fazer isso sozinho, não se sinta frustrado. Todos nós, às vezes, precisamos da ajuda de um especialista, sejam eles médicos, mecânicos, psicólogos. Logo, busque ajuda", recomenda ela.

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