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reportagem cultural

- Publicada em 06/01/2022 às 17h11min.

Paulo Gasparotto, uma vida entre amigos, festas e objetos de arte

Nome que virou sinônimo de colunismo social no Rio Grande do Sul conta histórias de sua vida e carreira

Nome que virou sinônimo de colunismo social no Rio Grande do Sul conta histórias de sua vida e carreira


/LUIZA PRADO/JC
Márcio Pinheiro, especial para o JC
O personagem, conhecido e requisitado para participar de tantas festas, hoje vive quase recluso, saindo apenas para compromissos pontuais, na maior parte das vezes ligados à vida cultural de Porto Alegre. A figura pública, que sempre viveu cercada por pessoas, hoje prefere ficar na companhia dos animais e das plantas. O observador atento, que tantas histórias viveu e presenciou, hoje não pensa em colocar tudo o que sabe em livro. Aliás, até pensa, mas não sabe bem o que privilegiar: se as questões profissionais de mais de 50 anos de coluna social ou se os aspectos pessoais dos mais de 80 anos de vida e das milhares de pessoas que conheceu neste período. Estes são alguns dos paradoxos de Paulo Raymundo Gasparotto, 84 anos, o mais longevo e provavelmente o mais importante colunista social do Rio Grande do Sul, um destacado herdeiro dos ensinamentos de Gilda Marinho e um exemplo para dezenas de seguidores/imitadores.
O personagem, conhecido e requisitado para participar de tantas festas, hoje vive quase recluso, saindo apenas para compromissos pontuais, na maior parte das vezes ligados à vida cultural de Porto Alegre. A figura pública, que sempre viveu cercada por pessoas, hoje prefere ficar na companhia dos animais e das plantas. O observador atento, que tantas histórias viveu e presenciou, hoje não pensa em colocar tudo o que sabe em livro. Aliás, até pensa, mas não sabe bem o que privilegiar: se as questões profissionais de mais de 50 anos de coluna social ou se os aspectos pessoais dos mais de 80 anos de vida e das milhares de pessoas que conheceu neste período. Estes são alguns dos paradoxos de Paulo Raymundo Gasparotto, 84 anos, o mais longevo e provavelmente o mais importante colunista social do Rio Grande do Sul, um destacado herdeiro dos ensinamentos de Gilda Marinho e um exemplo para dezenas de seguidores/imitadores.
Pela sua coluna passaram todos que foram notícia no último meio século: governantes e poderosos, a burguesia rural e o empresariado urbano, locomotivas e deslumbradas, playboys e debutantes, vetustas senhoras e jovens beldades. Enfim, todas as figuras que compõem a fauna daquilo que se convencionou chamar de café-society, de vips, de colunáveis. São aqueles que se destacam (ou se destacaram) - pelas mais diversas razões - nas páginas (e nas fotos) das colunas sociais.
Para essa entrevista, Gasparotto me recebeu em seu amplo apartamento no Centro de Porto Alegre, incrustrado no coração do poder que ele tão bem conhece - Palácio Piratini, Assembleia Legislativa, Praça da Matriz, Tribunal de Justiça e Catedral Metropolitana. É ali que ele vive há quase três anos ao lado apenas de Hannya, uma galgo italiana com nome de princesa jordaniana, e de milhares de peças artísticas, livros, obras de arte, antiguidades e uma infinidade de memórias que ele já pensa em que destino dar nos próximos anos. Muitas coisas estão espalhadas pelo apartamento, resultado ainda da mudança que fez com que saísse da não menos ampla casa em que vivia numa das bordas do Parque da Redenção. "Preciso começar a pensar em simplificar minha vida, em praticar o desapego", reconhece ele, já imaginando que destino dará ao seu patrimônio.
A perda mais impactante e recente foi a de Celita Cardoso (foto abaixo), que morreu no dia 15 de agosto. "Companheira de quase cinco décadas, ela esteve sempre dedicada a tornar o meu cotidiano mais feliz e agradável. Suas observações e comentários inteligentes, sempre bem-humorados, tornaram nossa convivência prazerosa ao longo dos anos", disse Gasparotto. "Quando se vive várias vezes 20 anos, a soma de perdas é grande. Celita foi uma irmã, guardiã, confidente e cuja partida me entristeceu muito". Assim, lembrando da pessoa de quem mais esteve próximo nos últimos anos, Gasparotto admite pensar na morte, mas sem aflições ou temores. Ele diz sempre ter em mente o que diz ter lido em Voltaire: "Procura viver a vida, que é muito pouco, sem temer a morte, que não é nada".
Em tempos voláteis como os atuais, o colunismo também mudou. "Hoje a coluna social se democratizou - para o bem e para o mal. Todo mundo é colunista de si próprio, publicando fotos e textos de viagens, comidas, passeios, namoros...". Porém, ele alerta: "Até nesses momentos é preciso ter atenção e bom gosto. Se não o que sobra é apenas a espetacularização da banalidade".
Dos tempos glamurosos, Gasparotto conserva o smoking - apenas para ocasiões muito especiais. Hoje ele opta pela praticidade. Prefere as roupas confortáveis. "Sou um senhor jovial, não mais um jovem", diz. E garante privilegiar atualmente "outros valores", mais simples, mas não por isso menos requintados: os perfumes, as roupas de cama e os sapatos cômodos.

O estilo Gasparotto

Ao lado de Celita Cardoso, parceira durante mais de cinco décadas
Ao lado de Cecília Cardoso, parceira durante mais de cinco décadas
LUIZA PRADO/JC
"Eu não sou colecionador, sou juntador", diz Gasparotto, cercado das mais variadas peças que se possa imaginar - quadros, esculturas, cristaleiras, fotos, livros e papéis. Na poltrona em que ele me acomodou depois dos tradicionais cumprimentos e da lembrança dos meus pais - de quem foi próximo por mais de 50 anos - o objeto que mais se destaca é uma bisbilhoteira. Trata-se de uma imensa peça pendurada no teto, espelhada, e que dá uma visão quase completa do ambiente. "Veio da Joalheria Esmeralda", me conta ele. "A bisbilhoteira servia para dar segurança aos donos. Do balcão onde eles ficavam era possível ter uma visão completa da loja. Era a avó das atuais câmeras", explica, lembrando que a arrematou num leilão em que não houve nenhum interessado.
A paixão por recolher objetos - dos mais simples aos mais sofisticados - vem desde os seis anos, quando ganhou de uma prima uma peça a qual havia elogiado. Essa foi a primeira de muitas. Não parou mais.
Paulo Raymundo Gasparotto - o Raymundo é em homenagem a São Raymundo, o protetor das parturientes - nasceu em Porto Alegre, numa casa na avenida Getúlio Vargas. O pai era Eugênio Conte Renier Gasparotto, de origem ítalo-francesa, nascido em Guaporé e que se estabeleceu na Capital como comerciante. A mãe, Esther Lemos Pinto Gasparotto, cursou o Instituto de Artes, mas nunca teve profissão. Dela, o filho único herdou, em especial, o gosto pela leitura. "Leio tudo. Todos os jornais que me caem na mão, notícias na internet e livros, muitos livros". Na infância, um de seus primeiros amigos foi o empresário Fernando Ernesto Corrêa, 85 anos. "Conheço o Gasparotto há mais de 80 anos. Nascemos em casas contíguas e sempre estivemos próximos", lembra, destacando no amigo "a cultura acima da curva, a competência, a integridade e a respeitabilidade".
O marchand Renato Rosa, até hoje um de seus mais próximos amigos, lembra como surgiu a amizade entre os dois: "Conheci-o, de raspão, em duas ocasiões. A primeira porque ele frequentava o ateliê da modista Rafaela Roitman e eu morava no mesmo prédio. Isso foi lá por 1963. Logo depois, voltei a encontrá-lo num bar que havia na Venâncio Aires. Em ambos os casos ele estava acompanhado do estilista Cattani". Renato continua: "Porém, o conhecimento formal só foi ocorrer mais adiante, num churrasco em Gravataí, no sítio do casal Maria Corrêa e Pepe Mora, em que os homenageados eram Maria Della Costa e Paulo Autran, que atuavam em Depois da Queda, sucesso de Arthur Miller encenado no Teatro Leopoldina". E finaliza: "Voltamos de carona no fusca do Manoel Pedro Reis. E aí começou nossa futura, engraçada e tumultuada amizade, mas de grande e profunda intimidade, além de admiração mútua. Paulo foi um dos vitais apoiadores do meu trabalho ao longo dessas décadas. Conheço múltiplas facetas desse ser exigente e aplicado. Homem de muita lisura e generosidade. Embora aparente um difícil acesso, isso é pura encenação pois ali - afirmo sem medo - vive um ser de altas qualidades."
Outra grande amizade, esta buscada por Gasparotto, foi Gilda Marinho, a quem admirava desde a infância. "Num arroubo de ousadia, aos 13 anos, me apresentei a ela dizendo que queria ser seu amigo. Ela respondeu que já éramos amigos, pois seu irmão, o senador Gilberto Marinho, era amigo de meu pai", conta.
Foi com Gilda que Gasparotto fez sua primeira viagem ao exterior, para Montevidéu. "Ficamos muito próximos até sua partida, com algumas discussões e afastamentos de permeio. Foi uma querida amiga com quem aprendi muito, principalmente olhar a vida com alegria, humor e boa vontade", revela Gasparotto sobre a maior das suas inspirações.

Uma escola do colunismo social

Fidelidade dos leitores acompanha Gasparotto das redações para a internet
Fidelidade dos leitores acompanha Gasparotto das redações para a internet
/PEDRO ANTÔNIO HEINRICH/DIVULGAÇÃO/JC
Gasparotto ensina. Uma coluna de notas deve obedecer obrigatoriamente a quatro regras: 1. O material publicado deve ser inédito. 2. É preciso valorizar o talento de quem é o objeto da notícia. 3. O texto deve destacar algo diferente e 4. A informação deve ter um caráter civilizatório. Foram estes ensinamentos que pautaram e pautam suas colunas, desde que começou a publicá-las na então novíssima Zero Hora, em meados dos anos 1960, a convite do jornalista Tarso de Castro, que editava o caderno de variedades e com quem tinha laços de parentesco. "Acredito que cada um tem o direito de pensar como quer e expressar seus pensamentos, desde que respeite os demais", observa. E completa: "O colunismo da atualidade é mais amplo e aborda personagens dos mais variados meios". Mas valores perenes não podem ser abandonados, correto? "Certo. Talento, inteligência e bom gosto devem prevalecer nas colunas".
Gasparotto foi precedido por dois nomes, ambos cariocas, que revolucionaram o formato do colunismo de notas no Brasil: Ibrahim Sued e Jacinto de Thormes. Sinônimo de coluna social, Ibrahim Sued teve uma trajetória fulgurante para o menino pobre, nascido numa família de imigrantes árabes em Botafogo e que começou como repórter-fotográfico em 1946. Nessa época, recordaria, ele, Ibrahim, tinha apenas um terno, que deixava todo dia debaixo do colchão para que não perdesse o vinco. Simpático e audacioso - com capacidade de circular em qualquer turma -, ele conseguiria seu primeiro furo durante a cobertura da visita do general Dwight D. Eisenhower ao Brasil, quando fez a foto em que Otávio Mangabeira parece beijar a mão do militar. Como fotógrafo, o Turco frequentava festas e a piscina do Copacabana Palace e o material que recolhia nesses encontros era tão grande e de tão boa qualidade que Ibrahim criou uma coluna para desovar todas as informações. Além disso, marcou época como criador de bordões, abrindo suas matérias com "Panteras e panterinhas, bonecas e deslumbradas" e encerrando com "Ademã que eu vou em frente". Também se destacou por outras pérolas do pensamento como "De leve", "Sorry periferia", "Bola Branca", "Bola Preta", "Os cães ladram e a caravana passa" e "Olho vivo, que cavalo não desce escada". O sucesso foi tão grande que até mesmo seus erros de português viraram marcas registradas.
Já Maneco Muller criou um jornal dentro de um jornal. Se o Turco era um intuitivo, com um faro impressionante para o que poderia chamar a atenção dos leitores e com um arsenal de neologismos, Maneco - que adotou o pseudônimo Jacinto de Thormes - reinou entre os anos 40 e 50. Filho de um diplomata, Maneco trazia do berço a sofisticação. Por isso, não era nem um novo-rico, muito menos um deslumbrado. Assim, teve todas as credenciais para levar essa sabedoria para as páginas. Em 1945, no Diário Carioca, com o atrevimento de um garoto de 22 anos, Maneco passava a dar menor dimensão aos acontecimentos mundanos (casamentos, jantares, chás-dançantes) e privilegiava o cotidiano. Em sua coluna conviviam harmoniosamente políticos e jogadores de futebol, empresários e damas da noite, bêbados e pessoas da classe artística. Pelos quase 20 anos que se dedicou ao gênero, primeiro no Diário Carioca, depois na Última Hora, Maneco transformou-se no mais prestigiado colunista do País, inventando personagens e ditando modas: criou a famosa lista dos 10 mais elegantes, o Casal 20 (Tereza e Didu de Souza Campos), lançou no Rio os bailes de debutantes que faziam sucesso na Europa e cunhou um bordão que o eximia de relatar os detalhes mais fúteis dos eventos que o dever profissional o obrigava a frequentar: "Depois eu conto". Nunca contava.
LUIZA PRADO/JC

Gasparotto: "Talento, inteligência e bom gosto devem prevalecer nas colunas" (Luiza Prado/JC)

O terceiro nome desta escola foi contemporâneo de Gasparotto. Zózimo Barroso do Amaral popularizou o estilo ainda mais. Descobriu que algumas das melhores fontes, os garçons, gostam de ser bem tratados e de receber boas gorjetas. Sacou que esconder a identidade das pessoas que lhe faziam confidências e guardar sigilo dos segredos que descobria por conta própria são códigos de conduta inegociáveis. "Admirei muito Maneco Müller, conheci Ibrahim Sued, com quem convivi, e fui amigo de Zózimo, cujo senso de humor era contagiante. Lia a coluna de todos eles diariamente, mas sempre procurei expressar o meu olhar, à minha maneira", reconhece Gasparotto.
Todos têm em comum uma cavalheiresca discrição que garante a fidelidade dos seus leitores. Gasparotto, que já passou por todas as redações de Porto Alegre e há cinco anos comanda um blog que leva seu nome, destaca que ainda recebe o carinho de pelo menos três gerações de leitores, muitos que começaram o acompanhando nas páginas de papel e tantos outros que ainda o prestigiam. "Tenho a satisfação de receber manifestações de apoio nos mais diversos ambientes e das pessoas mais imprevisíveis, mesmo tendo passado para a internet". "Cresci indo em todas as festas da cidade, porque lia o Gasparotto", lembra a empresária Claudia Ioschpe, uma das sucessoras do colunista nas páginas de ZH. "Então, nas festas em que não ia, somente ao lê-lo tinha a sensação de ter estado lá, conversado com as pessoas, sentido o aroma das flores da decoração". Outra sucessora, a jornalista Mariana Bertolucci, completa: "Hoje, no blog, ele faz com o mesmo apreço e talento o relato do que vê, tal qual como no tempo em que assinava as páginas mais lidas dos maiores jornais da capital". E ressalta: "Ele é incansável e admirável. É meu exemplo como profissional que ama as palavras e as histórias".

Hora de contar tudo em livro

Projeto para livro de memórias segue em aberto
Projeto para livro de memórias segue em aberto
ROBERTO GRILLO/DIVULGAÇÃO/JC
Hoje Gasparotto gosta muito de caminhar e de fazer exercícios. "Na pandemia conquistei uma nova amiga, Mercedes Bode, minha instrutora de yoga. Estou pensando em me casar com ela para intensificar a yoga e chegar às práticas tântricas, isto é: um conjunto de métodos que usam a respiração, os movimentos do corpo, os sons e os símbolos que visam acalmar a mente e ativar a energia sexual", revela. Além do corpo, ele cuida da mente. "Leio muito, o tempo inteiro. "Gosto de Tchekov, que leio sempre, li recentemente sobre Lygia Clark e me diverti com a biografia de Catarina, a Grande, uma louca desvairada". Outra das leituras de Gasparotto é Trotski. Os escritos do revolucionário russo chegaram a ele através do ex-deputado e ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont. "Não me arrependo de ter sido petista, mas deixei o partido de lado. Colaborei de diversas formas, inclusive realizando leilões", fala o ex-simpatizante, que continua admirando o já citado Raul Pont e Olívio Dutra.
Há cinco anos, Gasparotto foi lembrado para concorrer à Câmara dos Vereadores. O convite partiu do então candidato a prefeito Nelson Marchezan Júnior, do PSDB. "Fiquei envaidecido, cheguei a me entusiasmar", lembra. Chegou a fazer uma pesquisa nas redes sociais para saber se deveria ou não aceitar concorrer. Acabou desistindo. Nas últimas eleições, votou em Bolsonaro e também se arrepende. "Eu imaginei que seria ruim, mas não tão ruim assim."
Esta e tantas outras histórias - aqui contadas ou não - poderiam estar no livro de memórias. É um projeto que Gasparotto vem adiando, embora não desestimule a parceira Paula Ramos, professora da Ufrgs com quem pensa em retomar a ideia. "Tenho sido muito solicitado e uma amiga querida, que já me proporcionou bons momentos, Paula Ramos, me ameaça seguidamente. Mas ainda não há nada de concreto", explica.
"Gasparotto tem tudo a ver com Porto Alegre, pelo seu amor ao patrimônio histórico, aos personagens da cidade", avalia Paula. "Quando a exposição (sobre Gasparotto, realizada em 2017 no Shopping Iguatemi) era preparada, eu e o historiador Pedro Meirelles fizemos várias entrevistas, mas o projeto não evoluiu. Espero voltar a conversar com ele."
 

Três pequenas histórias

Gasparotto no traço de Michel Drouillon
Gasparotto no traço de Michel Drouillon
/MICHEL DROUILLON/REPRODUÇÃO/JC
1) Gasparotto já pensou em ser padre. Acabou abandonando a ideia, mas nunca perdeu a fé. Até hoje é um católico que reza todas as noites e que é devoto de três santos:
Santo Tomé: o santo da dúvida. É preciso ver para crer.
São Francisco: pela dedicação ao próximo, pela humildade e pelo amor aos animais.
Santo Antônio: sempre atento a todas as preces. "É o santo que mais invoco."
2) Gasparotto nunca dirigiu. Aprendeu mas não gostava. Então manteve o carro e contratou motoristas. Com o tempo, desistiu. "Motorista fica em volta de ti o tempo todo. Sabe mais da tua vida do que todos. Comecei a achar aquilo tudo complicado". Hoje Gasparotto só anda de táxi e Uber. E caminha muito.
3) Gasparotto pensou em mudar de Porto Alegre. "A convite de um mestre querido, o professor Hélio Prates da Silveira, de quem fui aluno no Júlio de Castilhos, fui para Brasília para ser seu secretário particular", lembra. Hélio, tenente-coronel, havia sido indicado para ser governador de Brasília em 1969. Gasparotto não aguentou viver aquele período na jovem capital federal e pediu para voltar.
 

* Márcio Pinheiro é porto-alegrense e jornalista. Trabalhou em diversos veículos da Capital, de São Paulo e do Rio de Janeiro.
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