Porto Alegre, sexta-feira, 26 de novembro de 2021.
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reportagem cultural

- Publicada em 25/11/2021 às 20h01min.

Zoravia Bettiol relembra trajetória múltipla de 65 anos de carreira nas artes visuais

Às vésperas do 86º aniversário, artista destaca ainda o engajamento social na cultura

Às vésperas do 86º aniversário, artista destaca ainda o engajamento social na cultura


/MARCO QUINTANA/JC
Lívia Guilhermano, especial para o JC*
Sentada em uma cadeira no seu ateliê, junto à casa onde mora, na Zona Sul de Porto Alegre, ela passava o pincel com tinta laranja na tela, onde, ao fim, estaria o retrato da cantora argentina Mercedes Sosa. Fazia alguns meses que a pandemia de Covid-19 abalava o mundo, mas ela fazia o que sabia fazer de melhor: se manter em movimento. A série Ícones (2020), que retratou personagens ligadas às artes e às ciências, além de figuras míticas como Iemanjá e ficcionais como Alice, de Lewis Carroll, foi apenas uma das tantas realizações de Zoravia Bettiol durante o período de isolamento social. Com 85 anos de vida e 65 de carreira nas artes plásticas, ela conta que participou de mais de 20 projetos em um ano de pandemia.
Sentada em uma cadeira no seu ateliê, junto à casa onde mora, na Zona Sul de Porto Alegre, ela passava o pincel com tinta laranja na tela, onde, ao fim, estaria o retrato da cantora argentina Mercedes Sosa. Fazia alguns meses que a pandemia de Covid-19 abalava o mundo, mas ela fazia o que sabia fazer de melhor: se manter em movimento. A série Ícones (2020), que retratou personagens ligadas às artes e às ciências, além de figuras míticas como Iemanjá e ficcionais como Alice, de Lewis Carroll, foi apenas uma das tantas realizações de Zoravia Bettiol durante o período de isolamento social. Com 85 anos de vida e 65 de carreira nas artes plásticas, ela conta que participou de mais de 20 projetos em um ano de pandemia.
A vitalidade de Zoravia Bettiol, de fato, impressiona. Eleonora, sua filha com o escultor e gravador gaúcho Vasco Prado, conta que nunca viu a mãe passar muito tempo sem um novo projeto: "Tem sempre um futuro ali na frente". Essa característica de olhar sempre adiante ajuda a explicar a trajetória tão diversa que a artista construiu. Zoravia Bettiol é reconhecida dentro e fora do Brasil por sua produção em gravuras e arte têxtil, mas foi muito além disso. Sua obra inclui desenhos, pinturas, objetos, performance, instalação, mural, ilustração, indumentária, joias e chapéus para teatro ou Carnaval.
"Ela é uma artista múltipla", resume Paula Ramos, historiadora, crítica de arte e professora do Instituto de Artes da Ufrgs. Para Paula, muitos artistas da mesma geração, seguindo uma tradição modernista, desenvolveram uma obra em uma única linguagem ou no máximo em duas ou três. "A Zoravia, não. Ela sempre fez o que estava instigada a fazer no momento. Isso pode ser, para algumas pessoas, difícil de compreender: 'Por que ela não fez só gravura? Por que não fez só tapeçaria?'. Ela sempre teve a ousadia de fazer o que ela tava a fim de fazer. Eu acho isso absolutamente admirável", diz.
A ousadia e a inquietude tão próprias da personalidade de Zoravia também são combustíveis para o engajamento em questões sociais. Quem a conhece sabe que não há como separar a artista plástica da ativista. Até hoje, participa de movimentos e lidera ações de preservação do patrimônio histórico e cultural da cidade e, em especial, de defesa do meio ambiente. Um dos tantos projetos em andamento é a exposição Amazônia: universo de contrastes, que ela está organizando no âmbito do Instituto Zoravia Bettiol, juntamente com a Associação de Artistas Plásticos Francisco Lisboa (Chico Lisboa). A ideia é lançar a exposição em março ou abril de 2022, "porque uma das coisas mais sérias do planeta é a destruição ecológica e uma contribuição negativa imensa é essa devastação da Amazônia, que agora está numa situação dramática", conclui a artista.
Esse engajamento vai além da expressão artística. Zoravia vai às ruas para se manifestar e bate na porta de autoridades quando acha que está na hora de cobrar. A consciência crítica, no entanto, não interfere na forma otimista como enxerga o mundo.
A artista busca em todo o lugar a beleza e a esperança. As cores intensas, a inventividade, o lirismo e o universo da fantasia são elementos presentes das mais diversas maneiras em suas obras. Estão, por exemplo, na descontração presente nas xilogravuras da série Circo (1967) ou na delicadeza dos traços nas ilustrações de Divina Rima seu mais recente trabalho, realizado para o livro de Gilberto Schwartsmann em homenagem à Divina Comédia, de Dante Alighieri.
Sua trajetória singular é tema do documentário Grandes Mestres: Zoravia (2018), de Henrique de Freitas Lima, recém-chegado à plataforma de streaming dedicada a produções nacionais BoxBrazil Play. O filme, que faz uma retrospectiva de sua vida, esteve em cartaz nas salas de Porto Alegre por 10 semanas, em 2019. Agora, pode ser assistido através de assinatura.
O Jornal do Comércio também traz, na sequência, a história dessa mulher, que tem construído um importante legado nas artes visuais do Rio Grande do Sul e do Brasil e que mostra, a todo o momento, que há muito o que esperar do futuro.

Liberdade para criar

Xilogravura da série O circo (1967), cenário que fascinava a artista desde a infância
Xilogravura da série O circo (1967), cenário que fascinava a artista desde a infância
/PAUTA ASSESSORIA/DIVULGAÇÃO/JC
A brincadeira de circo era uma sugestão da pequena Zoravia. Ela reunia os amiguinhos dos arredores da rua onde morava, em Erechim, quando tinha 8 anos, para assistir ao "maior espetáculo da Terra". Para permitir que entrassem, encarregava-se de cobrar o ingresso. "Desde criança, ela foi uma artista. Tinha a percepção de que é trabalho e, portanto, tem que ser remunerado. Também tinha a consciência de que é preciso se virar", reflete Paula Ramos, que foi curadora, ao lado de Paulo Gomes, da exposição Zoravia Bettiol: o lírico e o onírico, realizada em 2016 no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) em comemoração aos 80 anos da artista.
De fato, Zoravia Bettiol demonstrou afinidade com as artes desde muito cedo. No documentário de Henrique de Freitas Lima, Grandes Mestres: Zoravia (2018), ela conta que um dia, aos 5 anos, ficou fechada por horas no banheiro. Quando a família a encontrou, os azulejos estavam pintados por todos os lados. Zoravia diz que teve uma infância e uma adolescência de muito carinho e liberdade, em um ambiente onde sua opinião era valorizada.
Nascida em Porto Alegre em 17 de dezembro de 1935, a artista cresceu ao lado dos pais, Emma e Sigefrido Bettiol, dos irmãos, Dilmer e Arrenius, e de uma tia, chamada Rina. Moraram na Capital, em Bento Gonçalves, Erechim e São Paulo. Era uma família de hábitos culturais, que apreciava música, dança, leitura, teatro, etc. "A minha mãe contava histórias verídicas com entusiasmo, muito colorido. A minha tia, Rina, tinha uma coleção com os mais belos contos de fadas franceses, iugoslavos, chineses Nós já éramos adolescentes e deitávamos na cama para ouvir a minha tia ler as histórias", lembra.
O pai teve papel fundamental na formação humanista de Zoravia, o que a levou, mais tarde, a se envolver com as causas sociais e ambientais. Sigefrido era advogado e professor de latim, português, geografia e história. Zoravia conta que sua forma progressista de ensinar estimulou, por exemplo, Augusto Carneiro, que foi um dos fundadores da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan).
Em casa, Zoravia tinha o hábito de pintar, desenhar e costurar. Ingressou no Instituto de Belas Artes (atual Instituto de Artes da Ufrgs) em 1952. Formou-se em 1955 e decidiu abrir um ateliê. Chegou a pensar em dar aulas de inglês para pagar o aluguel de um espaço, mas sempre contou com a ajuda da família, que comprava seus quadros para dar de presente a outras pessoas. A pedido do pai, chegou a ingressar no curso de Arquitetura, mas desistiu. Apesar de a sua ênfase acadêmica ter sido em pintura, apaixonou-se pela gravura, após ser aceita como aluna no ateliê do escultor e gravador Vasco Prado.

Descoberta da gravura e a vida com Vasco Prado

O artista Vasco Prado, o filho Eduardo, Zoravia, a filha Eleonora e Fernando
O artista Vasco Prado, o filho Eduardo, Zoravia, a filha Eleonora e Fernando
ACERVO PESSOAL ZORAVIA BETTIOL/DIVULGAÇÃO/JC
Quando começaram as aulas de desenho e gravura, Vasco Prado já era um artista reconhecido. Zoravia recorda que ele era uma pessoa que estimulava outros artistas e que colaborou para que ela encontrasse sua própria linguagem.
Paula Ramos comenta que no final dos anos 1950, Zoravia fez ilustrações em xilogravura para A Salamanca do Jarau, uma das mais importantes lendas do repertório sul-rio-grandense, compilada por Simões Lopes Neto. "Ali, identifica-se um eco das gravuras do Vasco, sobretudo do trabalho que produziu no Clube da Gravura. Mas não se pode dizer que Zoravia é influenciada pela obra dele, rapidamente conquistou a identidade dela", observa. A partir de A Salamanca do Jarau (1959), Zoravia passou a trabalhar com séries, uma de suas marcas. Entre as que se destacaram estão Primavera (1964) e Namorados (1965).
Os artistas foram casados por 26 anos. Tiveram três filhos: Fernando, Eleonora e Eduardo. A primeira casa que construíram foi no bairro Três Figueiras, na Capital, onde tinham um ateliê. "Cresci brincando com argila ao lado do meu pai, enquanto produzia a obra dele; desenhando do lado da mãe, tirando xilogravura", lembra Eleonora Prado, que é atriz, diretora e escritora.
Naquela época, a casa também era lugar de convivência com os amigos dos pais, pessoas do meio cultural, artistas, escritores e poetas. "Quando Jorge Amado e Zélia Gattai vieram para o Sul, ficaram hospedados na sala de casa. Mario Quintana, Erico Verissimo, Xico Stockinger também vinham", recorda.
Mais tarde, construíram uma casa maior, em um terreno de quase 1 hectare, na Pedra Redonda, Zona Sul de Porto Alegre espaço que hoje abriga o Colégio João Paulo I. "Aquela casa era um terror", brinca Zoravia em referência ao tamanho e à manutenção que exigia. Além de ser a moradia da família, também funcionavam ali os ateliês e galerias. Aos fins de semana, as portas eram abertas para receber famílias que iam passear e adquirir obras. "Era um ponto turístico, afetivo e também um ponto cultural", conta a artista.
O diretor Henrique de Freitas Lima conta que uma das descobertas do documentário Grandes Mestres: Zoravia (2018) foi o papel de Zoravia na vida profissional do casal: "Ela não só é uma artista com uma obra importantíssima, mas era também o cérebro por trás de tudo aquilo". Cabia a Zoravia colocar preço nas obras, vender, controlar a receita e planejar a logística. Apesar de não gostar da parte administrativa, entendia que precisava ser feito: "Não sou boa para administrar, mas como ele era pior do que eu, parecia que era boa".
Eleonora recorda as aventuras que vivia ao acompanhá-la: "Ia levar os moldes no marceneiro e levar a obra dela ou do meu pai na Varig para ir ao exterior ou outro estado. Eu e os meus amigos adorávamos sair com a minha mãe, porque íamos fazer alguma coisa diferente". Segundo Paula Ramos, Zoravia foi fundamental para a carreira de Vasco, pois ela possibilitava que a obra dele tivesse uma circulação que talvez não teria sozinho, considerando sua personalidade mais introvertida.
Ainda assim, a artista observa que ele recebia maior atenção: "Todos achavam ele maravilhoso, mas isso nunca me perturbou. Sempre pensei que eu tinha uma luz própria. Mas é um pouco de machismo também, não é? Existia muito e infelizmente ainda existe um pouco". E conclui: "Dizem assim: atrás de um grande homem, há uma grande mulher. Eu digo: atrás de uma grande mulher, há a sombra dela. Ela não precisa de ninguém" (risos).
De acordo com Eleonora, tinham uma relação de apoio mútuo e de trocas profissionais, cada um mantendo sua linguagem. "É claro que também discutiam. Ela é de sagitário e ele era ariano, pavio curto. Tudo era muito intenso, muito italiano", diz.
 

Arte têxtil e outros caminhos

Série Cadeiras, para que te quero? (2004) traz rei e rainha de Copas
Série Cadeiras, para que te quero? (2004) traz rei e rainha de Copas
ANA PAULA APRATO/ARQUIVO/JC
Sem abandonar as gravuras, Zoravia Bettiol tornou-se uma das pioneiras em tapeçaria no Brasil. Em 1968, ela decidiu estudar a técnica na Polônia, no ateliê da artista Maria Laskiewicz, levando o marido e os dois filhos que tinham na época, Fernando e Eleonora. Depois desse período de sete meses, Zoravia e Vasco foram para a Espanha e Alemanha à convite desses dois países e, posteriormente, para Portugal.
Na arte têxtil, desenvolveu séries como Metamorphoses (1977) e Transfigurações da Pedra I, II, III e IV (anos 1980). Trabalhou com diferentes materiais e foi do bidimensional ao tridimensional. Levou cores a essas obras, o que pode ser considerada uma de suas características. Foi presidente e vice-presidente do Centro Brasileiro de Tapeçaria Contemporânea e também teve grande participação no Centro Gaúcho da Tapeçaria Contemporânea, instituições que ela lamenta não existirem mais: "É uma pena que em muitos países que eu conheço as associações duram muitíssimo e aqui no Brasil duram muito pouco. Na Argentina, o Centro de Tapeçaria continua até hoje com muita atividade".
Separada de Vasco Prado, em 1985, a artista foi para São Paulo, onde morou por sete anos. Produziu peças como joias e adereços, utilizando fibras naturais e sintéticas, metais e pedras brasileiras. É o caso dos ornatos têxteis Oxumaré (1992) e da série Teiniaguá (1991). Também produziu headdresses (chapéus) e vestimentas. Foi em São Francisco (nos Estados Unidos), onde viveu por oito anos, que produziu os headdresses, vestimentas e adereços da série Persona-Personagem (1994-1998), além da série de serigrafias Exuberância Primaveril I e II (1999).
Outros objetos também fazem parte do seu acervo. Um exemplo é a série Cadeiras, para que te quero? (2004), na qual a artista construiu cadeiras com detalhes e formas que fazem referência a figuras conhecidas ou imaginárias, como Carmem Miranda ou o rei e a rainha de Copas.
A narratividade é uma das marcas do trabalho da artista visual, que constantemente destaca elementos da poesia e dos sonhos. Essas duas facetas o lírico e o onírico foram escolhidas por Paula Ramos e Paulo Gomes para nomear a exposição no Margs em comemoração aos seus 80 anos. "O lirismo é aquela verve poética, de esperança, de crença. A Zoravia tem isso. Além de artista, ela tem uma atuação social e ecológica. Já o onírico é a capacidade de sonhar, de se permitir e de brincar. Eu acho isso fascinante na Zoravia. Ela gosta de brincar e ela vê essa estética no cotidiano", reflete a curadora.
 

Do ateliê para as ruas

Uma das lutas que marcou a vida da artista foi a que impediu a derrubada da Usina do Gasômetro
Uma das lutas que marcou a vida da artista foi a que impediu a derrubada da Usina do Gasômetro
/ANDRESSA PUFAL/JC
O ativismo de Zoravia Bettiol está presente em suas obras, seja através da denúncia como na instalação Me Dejas Loco America, com a obra Amazônia: pujança e cobiça (1997), em que chama a atenção para a destruição da Amazônia ou em forma de exaltação quando reverencia a natureza, por exemplo, nas séries Transfigurações da Pedra I, II e III. Nos anos 1980 e 1990, aderiu à performance, criando a personagem Filomena, a partir da qual fez críticas políticas, ecológicas e sociais com humor e ironia.
No entanto, Zoravia entende que não basta se expressar através da arte. Ainda hoje, ela pode ser encontrada nas ruas em manifestações, assim como mantém um papel de liderança em movimentos e projetos em prol do patrimônio histórico, cultural e ecológico. "Eu me envolvo por uma obrigação prazerosa. Mesmo se eu tivesse outra profissão, por uma questão de cidadania, eu teria essa obrigação", diz.
Uma das lutas que marcou a vida da artista foi a que impediu a derrubada da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, a partir da criação do Movimento Gaúcho em Defesa da Cultura, nos anos 1980. O grupo organizou manifestos e buscou apoio da população e dos veículos de comunicação contra a proposta que estava protocolada na Câmara de Vereadores. A Usina estava em ruínas na época, mas foi recuperada e se transformou em um espaço cultural. Hoje, porém, encontra-se fechada, aguardando nova reforma.
Outra iniciativa liderada por Zoravia foi o lançamento do Museu das Águas de Porto Alegre, em 2012. Apesar de ainda não ter saído papel, diversas entidades colaboraram para construir um projeto com o escopo do que seria o prédio: um espaço de informação sobre a água, unindo história, educação e arte. Até hoje, a prefeitura municipal de Porto Alegre não indicou uma área na Orla do Guaíba na qual o museu pudesse ser construído.

Um futuro ali na frente

Arquitetos aguardam Iphan sobre projeto para sede do Instituto na Andradas
Arquitetos aguardam Iphan sobre projeto para sede do Instituto com nome da artista na Andradas
LUIZA PRADO/JC
Zoravia Bettiol agora trabalha para garantir a abertura da sede do seu instituto. Criada pelos arquitetos Adroaldo Xavier, Ester Meyer, Iran Rosa e Lídia Fabrício, a associação sem fins lucrativos visa à preservação e divulgação do acervo da artista. Em 2018, a prefeitura de Porto Alegre entregou ao instituto a chave da Casa dos Leões, uma construção centenária que precisa de restauro, localizada na Andradas, no Centro da Capital.
Neste momento, os arquitetos aguardam uma posição do Iphan sobre o anteprojeto criado para a sede. "O Iphan tem que dizer se precisamos mudar alguma coisa para o projeto definitivo, adequando às necessidades para as artes visuais", explica Zoravia, que brinca com a perspectiva de conclusão da obra: "No meu caso, como eu tenho 20 anos, tenho a vida pela frente e muito dinheiro também tudo ironia, né?" (risos).
Mesmo sem previsão para conclusão da sede, o Instituto segue em atividade. Um dos projetos para o futuro é promover uma série de exibições cinematográficas com filmes sobre mulheres artistas do Rio Grande do Sul. Zoravia também planeja fazer a classificação do seu acervo, com a contratação de profissionais especializados, através de um edital de cultura. Uma parte das suas obras deve ficar com seus filhos e a outra vai para o museu do Instituto.
Além disso, a artista retomou as mostras na galeria junto à casa onde mora (Rua Paradiso Biacchi, 109 - Ipanema), após um período sem atividades presenciais devido à pandemia. Até 16 de dezembro, estão expostas no local as ilustrações de Divina Rima e a série Criaturas voadoras (2016). De fato, Zoravia faz jus às palavras da filha Eleonora: para ela, "há sempre um futuro ali na frente".
E, na próxima terça-feira, às 19h, ela inaugura a exposição Múltipla obra de Zoravia Bettiol no recém-inaugurado Cine Grand Café (Lima e Silva, 776). No pequeno recorte da sua vasta obra, estarão 20 trabalhos em pintura acrílica da série Musas, em serigrafia da série Exuberância Primaveril I, as gravuras digitais das séries Brasil 2016 e Sentar, Sentir, Ser e as xilogravuras de diferentes séries como Primavera, Namorados, Gênesis e Romeu e Julieta. A visitação gratuita vai até 9 de janeiro de 2022, diariamente, das 14h às 21h.

* Lívia Guilhermano é jornalista, com graduação e mestrado em Comunicação pela Ufrgs. Atua como repórter da TVE-RS.
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