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reportagem cultural

- Publicada em 05 de Novembro de 2020 às 21:59

Gelson Oliveira grava inéditas e abre horizontes a músicos da nova geração

Músico prepara lançamento de trabalho inédito voltado às raízes negras

Músico prepara lançamento de trabalho inédito voltado às raízes negras


JOYCE ROCHA/JC
Gelson Oliveira começou a gravar novas músicas antes da pandemia e agora tem dado continuidade à produção em ritmo mais espaçado. O cantor e compositor ainda não definiu qual será a estratégia de lançamento, nem se irá fabricar disco físico, mas promete que em breve estará levando ao público o seu trabalho em que as raízes negras estarão mais evidentes.
Gelson Oliveira começou a gravar novas músicas antes da pandemia e agora tem dado continuidade à produção em ritmo mais espaçado. O cantor e compositor ainda não definiu qual será a estratégia de lançamento, nem se irá fabricar disco físico, mas promete que em breve estará levando ao público o seu trabalho em que as raízes negras estarão mais evidentes.
Todo seu material inédito seria suficiente para gravar pelo menos três álbuns. Entre canções e temas instrumentais, o artista tem estabelecido novas parcerias, a exemplo de A nossa voz, com o poeta Luiz de Miranda, gravada com exclusividade para o Jornal do Comércio.
As gravações vêm ocorrendo aos poucos, entre Porto Alegre, Serra, Florianópolis e Uruguai. Já participaram da produção músicos como Alegre Corrêa e Guinha Ramires.
Até chegar aqui, Gelson atravessou diversas mudanças contextuais e midiáticas e se consolidou no rol de cantautores gaúchos com carreiras longevas. Seu primeiro álbum, Terra (1983), lançado de forma independente, ao lado do baterista Luiz Ewerling, é hoje um artigo cult de colecionadores de vinil. Pode-se encontrá-lo à venda em sebos na internet por R$ 1.500,00. Nele, abusa do suingue, flertando com o funk e o jazz. Já o premiado segundo álbum, Imagem das pedras (1992), com participação de Gilberto Gil, hoje pode ser relido à luz do afrofuturismo.
Ele nasceu em Porto Alegre em 1955. É casado há 40 anos com Jade Bagatini, para quem compôs a música Jade nova. Integra há mais de 20 anos o coletivo Juntos, ao lado de outros bambas da MPB gaúcha (Antonio Villeroy, Bebeto Alves e Nelson Coelho de Castro). Recentemente passou a integrar o grupo Lareirau, de de Alex Alano, Giovanni Berti e Marisa Rotenberg - que toca versões abrasileiradas dos Beatles.
Seu perfil levou-o a ser reconhecido, além do talento, por sua generosidade e determinação. Os amigos destacam sua empatia no palco e nas relações interpessoais. Seja em Gramado ou Rio de Janeiro, cidades em que viveu, Sanary ou Viena, onde fez diversos shows, Florianópolis ou Praia do Forte, lugares que frequenta. Para Villeroy, "seu modo de ser conquista as pessoas de imediato". Bebeto ressalta que Gelson "tem um respeito quase solene dos músicos". E Nelson escreve que o amigo é "ímpar no par de pessoa e cantor, nos deixa no miolo da paz".
Sua vida coleciona feitos notáveis, como a conquista de distinções nacionais, o Prêmio Fiat (1990) e o Prêmio Sharp (1993). Também guarda curiosidades, como o fato de ter sido artesão em Gramado, onde confeccionou o troféu Kikito do festival de cinema.
Além disso, quem não lembra da canção de abertura do programa infantil Pandorga da TVE? - mais uma de suas criações. Também na televisão, em momento marcante de sua trajetória, interpretou uma composição de Geraldo Flach e Jerônimo Jardim, chamada Pátria amada, no Festival dos Festivais da Globo, em 1985. Durante a transmissão em rede nacional, o jornalista Nelson Motta comentou que o jovem Gelson Oliveira era "um dos melhores cantores do pedaço".
Dono de voz potente e canções que marcaram época, Gelson é um elo entre gerações de músicos populares negros no Rio Grande do Sul, como Giba Giba e Luis Vagner. Sua produção ininterrupta em quatro décadas já foi coroada na terra natal com seis prêmios Açorianos. Entre lançamentos independentes e financiamentos públicos, sua discografia contém oito álbuns solo, além de dois outros com o Juntos. Como diretor artístico, atuou em trabalhos como Mameluca (2007), de Paulo Lata Velha, Ziringuindim (2009), de Zilah Machado, e Brasil Quilombo (2019), de Glau Barros.
De acordo com o músico, pesquisador e doutor em Literatura Richard Serraria, a riqueza cancional de Gelson Oliveira atesta a força da presença negra na construção cultural do Estado. "A maleabilidade do canto é uma expressão africana, a canção fonética, pegar um badauê melódico, um elemento mesmo sem sentido semântico", avalia. Tal característica, para a cancionística brasileira, de acordo com Serraria, difere da louvatória da canção europeia, herança dos trovadores da Península Ibérica. "Não é obrigatório o tambor pra trazer africanidade, pode trazer na invenção de palavras", explica. E conclui: "Gelson tem um badauê fonético".

"Sempre me vi como um negro em movimento"

Cantor e compositor ao centro da imagem, registro do I Expotur, em 1977, na TV Difusora

Cantor e compositor ao centro da imagem, registro do I Expotur, em 1977, na TV Difusora


ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
A voz e a sensibilidade de Gelson Oliveira são reconhecidas na música popular gaúcha entre os pontos altos das produções que iniciaram no século XX e seguem relevantes. Sua discografia em breve estará completa nas plataformas de streaming, informa o compositor. No entanto, não é um entusiasta das novas mídias. "As coisas têm mudado tanto. O álbum físico tá bailando. É gravar pra colocar na internet. Não sei se é porque tô ficando velho, mas acho frustrante", avalia.
Contudo, sua obra tem sido revalorizada neste novo contexto tecnológico. No final de 2018, foi editado na Alemanha um disco chamado Too Slow To Disco Brasil, compilado por Ed Motta, com fonogramas dos anos 1970 e 1980 que se destacam pela incursão qualificada nos gêneros soul e funk. Entre eles está Acordes & Sementes, do primeiro LP de Gelson Oliveira, ao lado de nomes como Filó Machado e Sandra de Sá. A coletânea possui versão em vinil e digital. Recentemente, um selo português também fez contato com o gaúcho manifestando interesse em relançar Terra em longplay. Por isso, Gelson fica em dúvida sobre o melhor formato para lançar seu novo trabalho em 2021. Mas já sabe como irá resolver: "Estou cercado de gente jovem, quando o disco estiver pronto, vou me aconselhar com eles".
Um dos jovens que cercam o ídolo é o cantor Juliano Barreto, que integrou a banda Black Rio e participou do programa The Voice. Os dois moraram juntos uma temporada no Rio de Janeiro. "Foi minha faculdade de vida e de música", diz. Revelando admiração, Juliano ressalta que sua música é sofisticada e simples ao mesmo tempo: "Quando canta, Gelson escuta as vozes de todos os instrumentos dessa orquestra de dentro da cabeça dele". E procura fazer um exercício de empatia, de se colocar na pele do amigo: "Uma pessoa negra retinta, deficiente físico desde o nascimento, filho de uma mãe que era doméstica". Assim, Juliano Barreto conclui que Gelson é um grande vitorioso: porque ele consegue vencer todos os limites que são impostos a uma pessoa que tem esse desenho de vida e consegue se tornar patrimônio cultural do Rio Grande do Sul".
Richard Serraria atesta que a maturidade do cancionista, ao lado de outros nomes como Lupicínio Rodrigues, faz pensar em negro no Estado, rompendo com o racismo estrutural. Em seu ponto de vista, rompe também com o escamoteamento da presença negra na cultura gaúcha, no "folclore oficial".
Já o apresentador da TVE Domício Grillo percebe que Gelson conquistou um lugar de reconhecimento e uma audiência atenta. Em relação ao racismo, observa que, por conta de pessoas que se posicionaram nas últimas décadas, vive-se um momento melhor. "Tá na poesia e na musicalidade dele, este corpo negro presente, o pé do Gelson cravado ali, dizendo que o Rio Grande do Sul também é essa multiplicidade cultural", reitera.
Da mesma forma, a cantora Glau Barros reconhece Gelson Oliveira como referência. "Porque a gente sabe que a gente da raça, pra ter um certo destaque, tem que ter um trabalho muito maior", comenta. Os dois atuaram juntos na produção do primeiro disco de Glau, quando ela gravou Escolha.
O repertório do compositor sempre foi apreciado por intérpretes femininas. Gloria Oliveira, por exemplo, gravou Mirar felino em 1986, e Marisa Rotenberg registrou Teu silêncio não é mudo em 2002. Já entre as novas gerações, Gelson tem sido redescoberto. A sambista Pâmela Amaro conheceu-o no sarau Sopapo Poético: "Abriu um horizonte da música no Estado pra mim, porque ele é a tropicália do Sul".

Novas gerações querem saber mais sobre Gelson Oliveira

Com a cantora Glau Barros, em apresentação de Carnaval

Com a cantora Glau Barros, em apresentação de Carnaval


/LUIS FERREIRA/DIVULGAÇÃO/JC
Para esta reportagem, consultamos músicos que se inspiram na trajetória de Gelson Oliveira. Convidamos cada um a fazer uma pergunta em vídeo e depois mostramos ao compositor para que respondesse.
Pâmela Amaro - O que te inspira a compor? Poderia contar alguma situação que inspirou uma canção?
Gelson Oliveira - Meu processo de compor é muito livre. As coisas vão saindo, nunca penso em um tema para compor. A não ser em trabalhos de encomenda, de dança, cinema. A canção A escolha, por exemplo, foi num encontro com a Elisa Lucinda no Rio de Janeiro. Ela falou que eu deveria fazer alguma coisa com o que ela escreve. Então fiz uma pesquisa da obra dela e me atraí por um poema longo, mas que acabei musicando inteiro. A Glau Barros ouviu e gostou imediatamente.
Richard Serraria - Muitas formas de construir canções: às vezes a melodia primeiro, às vezes a poesia, às vezes as coisas vêm juntas. Como é o teu modo?
Gelson Oliveira - Quando letra e música são minhas, sai tudo junto, inclusive a harmonia. De uns tempos pra cá, eu venho compondo com parceiros e aí tenho feito letra em cima de melodias. Tem sido interessante sair um pouco da zona de conforto. Imaginar situações, colocar a imaginação a funcionar, tem sido prazeroso.
Glau Barros - Tu tens vontade de fazer um trabalho cantando um repertório que não é de composições tuas?
Gelson Oliveira - Realmente está dentro dos planos. Até brinco que por ter me tornado compositor às vezes me sinto refém do Gelson. Porque a gente acaba por força das circunstâncias defendendo o próprio trabalho. Mas por ter passado por experiência de baile e de bar, tenho gratidão eterna por este legado que grandes compositores nos deixaram. Pensei em um show em que pudesse cantar obras que guardo no coração. E o Gilberto Gil é um compositor pelo qual a gente nutre uma admiração profunda.
Juliano Barreto - Mesmo com todos os percalços da vida, tu consegues ter noção da grandeza da tua obra e do que ela causa nas pessoas?
Gelson Oliveira - A dimensão da produção da gente é muito difícil de se ter. O que eu sinto é que o feedback sempre foi muito bom. E isso sempre me animou a seguir em frente. Eu tenho uma noção de que já criei muita coisa. Sinto que em alguns momentos minhas obras tocaram os colegas e o público. E vejo tantos que fazem melhor que eu, o que é sempre um motivo de me dedicar mais.
Domício Grillo - Como dialogar com novos públicos que estão começando a conhecer a música negra do Rio Grande do Sul?
Gelson Oliveira - Eu nunca fui muito participante de nenhum movimento negro, embora tenha flertado com muitas iniciativas neste sentido. Mas sempre me vi como um negro em movimento, absorvendo tudo que eu tenho à disposição para colocar minhas antenas e captar o que acho legal no momento.

Memórias de cabelos enrolados

Com Gilberto Gil, nas gravações de Imagem das pedras

Com Gilberto Gil, nas gravações de Imagem das pedras


ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Gelson Oliveira conta a história de quando conheceu Gilberto Gil em 1977, no show Refavela. Primeiro foi até o hotel em Porto Alegre falar com o tropicalista, depois seguiu a turnê em Caxias do Sul.
Lá, conversou bastante com Gil e os músicos da banda, que perguntaram como arrumava seu cabelo enrolado. "Acharam interessante o meu penteado (era uma onda afro sem ser da moda), nunca tinham visto nada assim", recorda.
Gelson então ensina sobre a moda afro: "Os homens africanos normalmente não fazem nada no cabelo, têm cabelo curto. As mulheres é que fazem tranças e tal. Em outros lugares do mundo é que começaram, a exemplo dos dreads na Jamaica". Com esse papo sobre estilo, revela sua admiração por Gilberto Gil, que naquele show fazia laços de fita no cabelo e usava um filá (gorro típico das religiões afro-brasileiras). "O Refavela era muito envolvente, eu nunca tinha ouvido uma coisa assim tão afro de um cantor de MPB", conta.
Na década seguinte, dividiria com Gil o camarim no ginásio Gigantinho, pois fora convidado para abrir o show Raça humana. Na ocasião, Gelson ficou apreensivo, pois de última hora avisaram que não tocaria mais com banda. Teria que enfrentar de voz e violão a plateia que tinha ido ver o tropicalista. Foi quando Gil ajudou a acalmá-lo. "No final, a noite foi maravilhosa, colocou aquele axé no meu violão", lembra. O auge dessa parceria se daria em 1992, quando cantaram em duo a canção Pimenta, no LP Imagem das pedras. Já em 2009, Gilberto Gil escreveu o release do CD Tridimensional e destacou "seu gosto apurado pela melodia fluente, pela harmonia exigente, pelo ritmo exuberante em perfeita consonância com sua origem africana".
Outro grande parceiro de Gelson Oliveira, para além do Mampituba, foi o instrumentista Paulo Moura. Por mais que o gaúcho declare que nunca pensou em se estabelecer em outro lugar que não fosse Porto Alegre, após conhecer o carioca foi morar no Rio de Janeiro. Paulo Moura ouviu Gelson cantar e ofereceu uma bolsa na Escola Villa-Lobos.
Hoje confessa que gostaria de ir mais ao Rio, onde trabalhou no estúdio de Julio Hungria, junto a nomes como a cantora Lucinha Lins e o baixista Arthur Maia. Mas Gelson considera que a indústria fonográfica separa o País em nichos: "Não conhecemos o Brasil, nem o Rio Grande do Sul. Pouca coisa consegue alguma visibilidade".
Considerando a recepção sempre calorosa no Nordeste, seu amigo, o músico gaúcho Ricardo Camargo, que vive há 23 anos na Bahia, sempre reitera o convite para ir morar lá. "Sinto-me feliz por ter levado Gelson a outros lugares, como a Praia do Forte", relata.

Outros bailes e outras amizades

Nelson Coelho de Castro, Gelson, Villeroy e Bebeto no Teatro São Pedro para show Juntos 20 anos

Nelson Coelho de Castro, Gelson, Villeroy e Bebeto no Teatro São Pedro para show Juntos 20 anos


CLAITON DORNELLES /JC
Quando jovem em Gramado, trabalhava durante a semana como artesão e no fim de semana era crooner em banda de baile. O contato com a Capital se dava na escuta da rádio Continental e quando descia a Serra de carona para shows no Araújo Vianna. Aquela cena dos anos 1970 empolgou Gelson, que entregou uma fita demo ao radialista Julio Fürst. "Ele gostou e disse que eu tinha que vir pra Porto Alegre", recorda.
Seu retorno à terra natal foi marcado por noites no bar Big Som e pelo aprendizado no grupo Sol e Chuva. O primeiro cantautor com quem teve contato foi Nelson Coelho de Castro, na TV Difusora, que teria dito ao novato: "Ainda vamos fazer muita coisa junto, bicho". Em seguida, foi guitarrista da banda de Nelson, e hoje colecionam incontáveis parcerias.
Aos poucos, Gelson Oliveira começou a ter destaque. Em 1979, apresentou-se com Nei Lisboa no show Lado a lado. Já em 1983, ganhou o festival da Pucrs. Nessa época, Antonio Villeroy viu Gelson pela primeira vez: "Fiquei impressionado com sua voz, seu preciso senso rítmico e as ricas melodias". Em seguida, tornaram-se parceiros de estrada e circularam pela Europa: "O Gelson é um dos artistas mais completos que conheço, e sua musicalidade segue me surpreendendo".
Outro colega e amigo, Bebeto Alves, declara-se "fã do Gelson". Ambos integraram a Coompor (Cooperativa dos Músicos de Porto Alegre) nos anos 1980. Bebeto fez uma canção, O espelho, em que o homenageia e o adjetiva como "monolito". O adjetivo na letra, de acordo com o autor, teve inspiração na característica indecifrável, misteriosa e inacreditável que via em Gelson: "De onde vinha aquela voz?".
Nelson também homenageou o amigo e sua mãe com Dona Sebastiana (2001): "A água mandando beber na bica pura de um povo/ A música boa para verter no coração de todos/ Olho de cristal, para o caminho/ Toda a elegância pra dançar/ Como é bonito, Sebastiana, ver o teu menino cantar".
 

Discografia possui pérola do afrofuturismo

Heloisa Peres, diretora do espetáculo Arte negra do Sul, com os 
artistas participantes Giba Giba, Zilah Machado e Gelson Oliveira

Heloisa Peres, diretora do espetáculo Arte negra do Sul, com os artistas participantes Giba Giba, Zilah Machado e Gelson Oliveira


/MARCELO MARTINS/DIVULGAÇÃO/JC
Gigantes de metal, reis e luzes contrastam com pedras brutas, flores, animais e elementos ancestrais. Quando lançado o álbum Imagem das pedras (1992), não se aventava como hoje a noção estética de afrofuturismo. No entanto, quando se coloca o imaginário desse disco ao lado de produções contemporâneas como os grafites de Jean-Michel Basquiat, ou os quadrinhos do Pantera Negra, fica evidente o compartilhamento de visões utópicas que constroem mundos tecnológicos iluminados pela descendência africana.
Luz é a palavra mais recorrente neste álbum. Para reforçar a associação ao afrofuturismo, Juliano Barreto relata quando viu Gelson Oliveira cantar na Bahia, onde ninguém o conhecia, e foi ovacionado. "Em qualquer lugar que o Gelson pega o violão, a festa se energiza; isso também é afrofuturismo!", define.
Bebeto Alves acredita que Gelson é pouco compreendido aqui e que Imagem das pedras não foi valorizado quando lançado. Sobre ser afrofuturista, comenta que na época não se falava nem que era afro. "Gelson nunca militou, nunca levantou o punho cerrado, mas sempre teve uma presença estética da ancestralidade e orgulho de sua cultura", lembra.
Imagem das pedras é o disco favorito do produtor Márcio Gobatto, responsável pelo seu relançamento em CD. "Traz letras e melodias incríveis", considera. Compondo sua equipe, participou do álbum Tempo ao tempo (1997), primeiro aprovado no Fumproarte. A seguir, o álbum instrumental com Julio Rizzo, prensado na Europa em 1999, e o primeiro distribuído nacionalmente, Tridimensional (2009). O mais recente também tem produção de Gobatto, o infantil O ônibus do sobe e desce (2015).
 

Álbuns lançados

O ônibus do sobe e desce é o disco solo mais recente do artista

O ônibus do sobe e desce é o disco solo mais recente do artista


DIVULGA/JC
1983 Terra: Gelson Oliveira & Luiz Ewerling (LP, Independente)
1992 Imagem das pedras (LP, ISAEC)
1995 Coletânea (CD, Independente)
1997 Tempo ao tempo (CD, Independente)
1998 Juntos ao vivo (LP, RBS Discos, RGE)
1999 Gelson Oliveira & Júlio Rizzo (CD, Independente)
2001 Juntos 2 (CD, Atração)
2003 O Anjo Negro (CD, Independente)
2009 Tridimensional (CD, Pic Music)
2015 O ônibus do sobe e desce (CD, Independente)

* João Vicente Ribas é jornalista, apresentador do programa Canciones para despertar en Latinoamérica, na Rádio UPF, e também professor da Universidade de Passo Fundo.