Porto Alegre, sexta-feira, 29 de março de 2019.

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Semana de Porto Alegre

Notícia da edição impressa de 26/03/2019. Alterada em 29/03 às 17h31min

Economia cresce nos extremos de Porto Alegre

Completando 247 anos nesta terça-feira, cidade vem ganhando potencial para negócios em diferentes regiões

Completando 247 anos nesta terça-feira, cidade vem ganhando potencial para negócios em diferentes regiões


/LUCIANO LANES/PMPA/JC
Thiago Copetti
Localizadas em regiões opostas de Porto Alegre, a Zona Sul e o chamado 4º Distrito, na Zona Norte, são apontados como dois polos econômicos da cidade que se diferenciaram em meio à crise dos últimos anos. Os dois locais tendem a se destacar também no futuro próximo pelo potencial para novos negócios. A cidade, que completa hoje seus 247 anos, com as contas no vermelho, agradece.
Moradores e empresários também contam os dias para ver a revitalização da área central. Hoje, o Centro tem como um primeiro sinal de renovação a nova orla do Guaíba, na região do Gasômetro, que atingirá seu ápice com a revitalização do Cais da Mauá. No local, as primeiras operações temporárias, de lazer e gastronomia, devem começar no segundo semestre. O projeto do novo Cais Mauá, que prevê restauro dos armazéns e construção de torres comerciais, tem previsão de conclusão em cinco anos.
O Jornal do Comércio mostra como cada uma dessas regiões se diferenciou nos últimos anos, mesmo com as dificuldades econômicas enfrentadas.

Expansão imobiliária no Sul

Bairro Hípica é uma das zonas que vêm apresentando alta na oferta de imóveis
Bairro Hípica é uma das zonas que vêm apresentando alta na oferta de imóveis
/CLAITON DORNELLES /JC

Na Zona Sul, um dos indicadores econômicos que mostram uma mudança significativa na região são os dados de oferta de imóveis para venda e locação. Entre 2014 e 2015, estão no Sul da Capital os quatro bairros que tiveram o maior crescimento na oferta de imóveis para vendas, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi/Agademi-RS): Restinga (684%), Hípica (355%), Belém Velho (321%) e Espírito Santo (284%). O crescimento, avalia Moacyr Schukster, segue uma tendência natural, já que ainda é a região da cidade com espaço para crescer.

"Praticamente não há outras regiões para onde a cidade pode se expandir, porque somos limitados no Leste pelo Guaíba e no Norte, por exemplo, já no limite de cidades vizinhas, como Canoas", explica Schukster.

O presidente do Secovi ressalta que o crescimento dos dois primeiros bairros da lista de expansão de ofertas de imóveis retratam a mesma realidade. Apesar de Hípica e Restinga preservarem, cada um, suas peculiaridades no perfil de imóveis, renda e perfil dos moradores, o aumento no número de condomínios e residências nos dois bairros, assim como na Zona Sul como um todo, traz consigo a expansão do comércio. De pequenos negócios a grandes redes.

"O comércio e o setor de serviços vão para onde a população está aumentado. No caminho da Zona Sul como um todo, se vê, cada mais, grandes supermercados, lojas abrindo e prestação de serviços aumentado, assim como no bairro Restinga também se desenvolve o comércio de menor porte", diz Schukster.

Quarto Distrito oferece incentivos para empreendedores

Vila Flores, complexo arquitetônico no bairro Floresta, tornou-se um polo cultural e de empreendedorismo
Vila Flores, complexo arquitetônico no bairro Floresta, tornou-se um polo cultural e de empreendedorismo
/MARCO QUINTANA/JC

Na Zona Norte da Capital, o 4º Distrito é um dos destaques em novos negócios na cidade. A região - que engloba os bairros Floresta, São Geraldo, Navegantes, Humaitá e Farrapos - é uma das prioridades do município, diz o secretário de Desenvolvimento Econômico de Porto Alegre, Eduardo Cidade.

Para estimular os empreendimentos e revitalizar a região, a prefeitura oferece incentivos fiscais, desde 2015, se forem empresas de base tecnológica, inovadoras e de economia criativa. Nesses casos, pode haver isenção do IPTU por um período de cinco anos, por exemplo, e do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) para aquisição da sede da empresa na região, explica o secretário municipal.

Um dos símbolos desse novo momento é o conjunto de prédios residenciais Vila Flores, onde uma série de moradias operárias em estado de abandono se transformou em hub cultural e econômico. O desenvolvimento de um polo de cervejarias artesanais na região é outro exemplo citado por Eduardo Cidade.

Novo Cais Mauá pode mudar futuro econômico do Centro

Prédios tradicionais estão sendo ocupados por novas redes de lojas
Prédios tradicionais estão sendo ocupados por novas redes de lojas
/MARCO QUINTANA/JC
Há quem diga - como o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Alcides Debus - que a região central de Porto Alegre melhorou um pouco em quesitos como limpeza e redução de ambulantes irregulares, e que já está voltando a atrair negócios. Outros - como o presidente da Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), Paulo Afonso Pereira - ainda reclamam da sujeira em muitos pontos e da presença excessiva de ambulantes.
Ambos concordam, porém, que a virada econômica nesta parte da Capital só virá, realmente, quando sair do papel o projeto do novo Cais Mauá. "Aí, sim, teremos uma nova realidade na região central, com estimulo ao comércio e, especialmente, ao turismo. Hoje, quem chega ao Estado desembarca e sobe direto para a Serra. Se ficar um dia na Capital, já estará girando a economia, a hotelaria e o comércio. E o novo cais pode ser esse estímulo", diz Pereira.
Apesar de também concordar que o novo cais será um divisor de águas na história da região central da cidade, Debus avalia que o Centro de Porto Alegre já mostra certa revitalização. Ele cita como exemplo a recente ocupação de prédios tradicionais por redes como Lebes, no antigo Edifício Guaspari, na avenida Borges de Medeiros, e pela paulista Lojas Torra, que ocupa o espaço do Hipo Fábricas, na esquina das ruas Voluntários da Pátria e Doutor Flores.
"É claro que ainda há muito o que fazer e melhorar, mas acho que há menos sujeira e vendedores irregulares trancando ruas, como ocorria antes. E essas e outras grandes redes investindo ali estimulam o fluxo de pessoas e valorizam o comércio", opina Debus.
 
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