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Perspectivas 2019

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opinião

Notícia da edição impressa de 14/12/2018. Alterada em 13/12 às 22h11min

A volta da confiança pode ser o diferencial de 2019

Guilherme Kolling
A instabilidade política dos últimos anos e o fraco desempenho da economia tiveram um efeito que foi, pouco a pouco, tomando conta do Brasil: a falta de confiança. Não se trata apenas de realismo com os altos índices de desemprego, a queda na produção industrial e a baixa nas vendas do comércio que se verificaram nos anos anteriores. Vai além disso.
O efeito do mal desempenho da economia, que chegou ao ponto de aliar alta da inflação com recessão, nos piores momentos, afetou um ativo decisivo para que o País saísse da crise, a confiança. Com a falta dela, quem estava empregado agia como se estivesse desempregado, isto é, evitava gastos, fazendo uma poupança mais por precaução, pisava no freio temendo a perda do emprego.
O empresário, por sua vez, mesmo que estivesse com caixa positivo e dentro do planejamento, represava investimentos que estavam programados, por não ter certeza de que o aporte realizado teria o retorno esperado. E, assim, nessa espiral de desconfiança, o País teve duas quedas no PIB em 2015 e 2016: de -3,5% e -3,3%, respectivamente.
A expectativa positiva de algum crescimento maior em 2017 e 2018 não se materializou, com pequenas altas no PIB. Os juros caíram, a inflação se estabilizou dentro da meta, mas a esperada retomada da atividade econômica não ocorreu. É verdade que fatores extraordinários trouxeram instabilidade.
Em 2017, o caso JBS - a gravação de conversa do empresário Joesley Batista com o presidente Michel Temer (MDB) - desestabilizou o governo. O ano fechou com alta de 1% no PIB.
Neste ano, teve a greve dos caminhoneiros, que paralisou o País, mas o fator eleições foi decisivo para que muitas decisões fossem adiadas, aguardando o resultado do pleito. Agora, todas as estimativas otimistas de crescimento feitas no final do ano passado foram revistas, e, neste momento, se projeta que o exercício vai fechar com uma alta no PIB pouco superior a 1%.
Nos dois casos, a falta de confiança permaneceu na vida dos consumidores e empresários. E talvez esse possa ser o diferencial de 2019: a volta da confiança. Com ela, investimentos que estão represados saem do papel, dinheiro que está guardado volta a circular na economia e até quem não tem recursos momentaneamente se anima a buscar crédito para poder comprar.
Evidentemente, isso não basta para que o Brasil dê um salto, volte a gerar milhões de empregos e retome ou até supere o patamar de atividade econômica registrado antes da crise. Mas o fato é que empresários, o mercado e a população, de uma maneira geral, demonstram otimismo com a futura administração de Jair Bolsonaro (PSL) no País e de Eduardo Leite (PSDB) no governo do Rio Grande do Sul.
O primeiro semestre será decisivo, e, se as novas gestões não tiverem maiores sobressaltos, a estabilidade for minimamente preservada e a atual confiança for mantida, é bem provável que saiamos de um índice de crescimento pífio e retomemos um patamar próximo de uma alta de 3% no PIB.
Neste caderno Perspectivas 2019, empresários, dirigentes de entidades de classe e representantes do poder público analisam o atual cenário e manifestam suas expectativas para o próximo ano. No Rio Grande do Sul, para além da discussão sobre a crise nas finanças públicas, há possibilidade de que investimentos bilionários sejam destravados.
Por tudo isso, espera-se que o novo ano seja melhor do que este que está terminando. Feliz 2019!
Editor-chefe
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