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Indústria

Notícia da edição impressa de 14/12/2018. Alterada em 14/12 às 11h05min

Montadoras de caminhões e ônibus preveem alta nas vendas

Entidades representativas acreditam em um crescimento de 15% a 20% nos negócios com carrocerias

Entidades representativas acreditam em um crescimento de 15% a 20% nos negócios com carrocerias


/CLAITON DORNELLES/JC
Roberto Hunoff
Em cinco dos últimos 10 anos, a indústria brasileira de carrocerias de ônibus atingiu volumes médios de produção de 33 mil unidades. O melhor desempenho foi em 2011, quando bateu recorde de 35.531 carrocerias. O último resultado dentro desta faixa ocorreu em 2013, com a produção de 32.693 unidades. Desde então, os volumes despencaram chegando, em 2016, a 14.111, decréscimo de 60% em relação ao melhor momento.
A reação foi mínima em 2017, algo próximo a 3,5%, somando 14.607 carrocerias, das quais 4.803 ganharam o mercado externo, o segundo melhor volume nestes 10 anos, atrás apenas de 2008, com 6.622 unidades. Em razão deste minguado acréscimo, as expectativas para 2018 eram também tímidas, em especial pela situação econômica do País. Sequer foram feitas projeções de volumes.
Mais ainda: ninguém, em sã consciência, se arriscaria a indicar aumento de 43%, já consolidado de janeiro a outubro sobre igual período do ano passado, com total de 16.920 carrocerias, acima das 14,6 mil do ano passado. "Jamais esperava por uma reação com esta intensidade. Superou toda e qualquer expectativa", reconhece José Antonio Fernandes Martins, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus) e do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre).
Para 2019, ele calcula alta de 15% a 20%, chegando perto de 25 mil unidades em 2019, reaproximando-se de 2014, quando o setor produziu 27.967 carrocerias. Martins estima que o mercado interno avance na faixa de 20%, para perto de 20 mil unidades, e as exportações entre 10% e 15%, ficando na casa de 5,7 mil embarques. Em torno de 45% dos ônibus produzidos no Brasil saem do Rio Grande do Sul por meio das fábricas da Marcopolo e Neobus, em Caxias do Sul, e Comil, em Erechim.
A retomada em 2018 teve várias origens, estendendo-se a todos os modelos de ônibus. São estas bases que deverão dar sustentação ao crescimento estimado para 2019. Uma delas é o programa federal Caminho da Escola, que licitou 6 mil ônibus em 2018 e só a metade foi entregue. O restante deve chegar às prefeituras até julho de 2019.
O programa Refrota, gerido pela Caixa e que tem R$ 3 bilhões para a compra de veículos urbanos, sofreu atraso neste ano em função da burocracia e reestruturação das vice-presidências da instituição. Ainda assim, segundo José Antonio Fernandes Martins, financiou a compra de 1 mil unidades. O valor disponível, no entanto, permite a compra de até 8 mil ônibus. "Estamos acionando Brasília para que comece a liberação com mais velocidade. Por ser um programa de governo acreditamos na sua continuidade", indica.
Com a drástica queda nas compras, a frota envelheceu, resultando em aumento nos custos com a manutenção, o que ameaça a operação. "As empresas estão se obrigando a renovar, porque o urbano é um veículo que desgasta mais rapidamente em função do uso contínuo e das condições da infraestrutura", acrescentou Martins.
No segmento de rodoviários, que duplicou as vendas em 2018, as operadoras das linhas interestaduais precisam adquirir em torno de 2 mil unidades anuais até 2021 para atender compromisso firmado com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), de redução da idade média da frota de 9,8 anos para cinco, quando da alteração do sistema de exploração das linhas, que passou de concessão para autorização. "Isto está ocorrendo", confirma Martins, lembrando que a frota rodoviária das operadoras vinculadas à Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) é de 13,8 mil veículos.
O segmento também é beneficiado pelo aumento do turismo interno, motivado pela alta do dólar, e pela atividade de fretamento. "O ônibus é instrumento importante no turismo para deslocamentos aos hotéis, aeroportos e pontos turísticos", assinalou. Já a melhoria no fretamento deve-se à geração de novos empregos na indústria, o que exige mais ônibus para transporte de trabalhadores.
Em relação às exportações, a expectativa de alta deve-se, basicamente, à variação cambial. Segundo José Antonio Fernandes Martins, o Brasil recuperou mercado nos últimos anos porque ficou com preço competitivo na comparação com os concorrentes. O dirigente alerta, no entanto, que o novo governo terá, necessariamente, de fazer as reformas da Previdência, Tributária, Política e Administrativa. "Sem reformas, o país não vai crescer", afirma. Na sequência, pensar na infraestrutura de todos os modais de transporte, na energia, comunicação, saúde, educação e segurança, além de fixar marcos regulatórios confiáveis.

Fabricantes de implementos rodoviários estão otimistas com o próximo ano

Ao contrário dos registros históricos, em 2018, reboques e semirreboques estão impulsionando o mercado de implementos rodoviários no Brasil, que totaliza, até novembro, incremento de 53%, com a venda de 82 mil unidades. O segmento de rebocados tem participação de 50%, com mais de 40 mil emplacamentos, bem acima da média histórica de 35%. A alta chega aos 80% sobre os 11 meses de 2017. O desempenho deve-se ao resultado positivo do agronegócio brasileiro, um dos principais compradores destes produtos. A expectativa para este ano é a venda de 85 mil unidades, dentre pesados e leves - estes acumulam alta de 32,5%, com 41,4 mil unidades.

Em 2019, na avaliação de Norberto Fabris, presidente da Associação dos Fabricantes de Veículos Rodoviários (Anfir), a situação deve retomar os índices históricos normais, com maior participação do segmento leve, formado por carrocerias sobre chassi. "Com a reação do mercado e da volta do emprego, ainda que não nos índices satisfatórios, a população tende a elevar o consumo, o que vai gerar demanda por veículos leves para entregas nos centros urbanos", projeta. Também acredita na retomada das vendas para a construção civil. "Para o próximo ano, o setor poderá atingir crescimento entre 10% e 15% acima do volume deste ano, seguindo o caminho da recuperação", estima Fabris.

Ele, alerta, no entanto, que o desempenho da indústria depende muito do ritmo da economia brasileira, que será influenciada pelas estratégias do novo governo. O dirigente ainda observa que a retração das vendas nos últimos quatro anos repercutiu nas condições da frota, que precisa ser renovada. "Estamos confiantes, mas com os pés no chão, sem espaço para aventuras", acrescenta.

Desta visão, segundo Fabris, decorre a posição do setor de evitar grandes investimentos, exceto os necessários para adequações ou modernização. Ele indica que o nível de ocupação da capacidade ainda é muito baixo, com espaço generoso para produzir mais com o que já existe. Também alerta para uma situação de difícil equação e ponto-chave para a sustentabilidade dos negócios. "Teve empresário vendendo seu produto, no primeiro semestre de 2018, a preços de 2013. Não repassou a inflação e ainda absorveu aumentos de fornecedores. É uma situação delicada e preocupante", reforçou.

Em relação ao mercado externo, Fabris destaca ações em conjunto com a Apex-Brasil. Em três de vigência do Programa de Internacionalização da Indústria de Implementos Rodoviários (MoveBrazil), as mais de 50 empresas participantes somam valores acima de US$ 40 milhões em negócios. "Já abastecemos parte expressiva da América Latina, principalmente América do Sul e América Central. Uma boa meta é conseguirmos exportar algo em torno de 20% do que se produz no país", projeta. Atualmente, este número gira em torno de 8%. Em 2018, até novembro, as vendas externas somam 3,2 mil unidades, expansão de 10,5%. As exportações são, basicamente, de veículos rebocados.

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