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Tecnologia

Notícia da edição impressa de 14/12/2018. Alterada em 13/12 às 23h00min

Estado prepara ambiente para formação de startups de alto impacto

Iniciativa reúne Pucrs, Ufrgs, Unisinos, governos municipal, estadual e empreendedores

Iniciativa reúne Pucrs, Ufrgs, Unisinos, governos municipal, estadual e empreendedores


JOEL VARGAS/PMPA/JC
Patricia Knebel
Algo de novo está acontecendo no ambiente de inovação gaúcho. Depois de passar da posição de destaque nacional em tecnologia para amargar a perda de espaço nos últimos anos, o Rio Grande do Sul parece ter acordado para a necessidade de se inserir de cabeça na sociedade no século 21, em que o conhecimento é a mola propulsora do desenvolvimento.
O ano de 2018, especialmente o segundo semestre, foi fértil de iniciativas nesse sentido, e já estima um 2019 diferente. Sem dúvida, o projeto que ilustra muito bem essa tentativa é a Aliança pela Inovação - formada por Ufrgs, Pucrs e Unisinos, em conjunto com a Prefeitura Municipal e entidades representativas de Porto Alegre.
O resultado disso só será conhecido daqui cinco, 10, 15 anos. Mas, pela primeira vez em décadas, a sensação é de que agora vai. "Esse é um trabalho em construção, mas que deve fazer com que criemos um caldeirão em prol da inovação tome forma. Vamos misturar pessoas, culturas institucionais diferentes e disponibilizar infraestrutura de cada parque tecnológico para irmos atrás desta tão esperada formação em escala de startups. A meta é ter 1 mil dentro deste ambiente em alguns anos", estima o diretor do Zenit - Parque Científico e Tecnológico da Ufrgs, Marcelo Lubaszewski.
Não são poucas as iniciativas isoladas de sucesso do Estado com o objetivo de estimular temas como inovação e empreendedorismo de alto impacto. Estão aí os parques tecnológicos, incubadoras, aceleradoras e startups gaúchas para confirmar isso. O que precisava era algo que criasse liga e sensibilizasse os órgãos públicos - e está aí o grande diferencial deste movimento: ele está sendo liderado pelas universidades e, partir deste start, passou a ser gestado e depois será executado por dezenas, centenas, milhares de mentes.
"O nosso ecossistema está mais amadurecido e as pessoas se deram conta que precisam trabalhar em prol da cidade para que tudo aconteça. O caminho é não pensar em protagonistas e, sim, se aliar às comunidades de inovação que existem na cidade para trabalharmos juntos", destaca a pela coordenadora de economia digital do Sebrae-RS, Débora Chagas.
Dentro deste cenário, o idealizador do POA Inquieta, Cesar Paz, observa que, em 2018, houve um resgate da sensação de que, se todos atuarem de forma articulada, é possível trabalhar em favor da transformação. "O ano de 2019 será o momento de organizarmos todas as representações da sociedade por meio do Pacto Alegre, que é o grande movimento articulador da sociedade em favor da transformação. O foco não é a inovação apenas com viés da tecnologia, mas em favor das pessoas", analisa.
O expertise acumulado pelas universidades e parques tecnológicos em mais de 20 anos de pesquisa, formação de pessoas e criação de startups será decisiva para essa nova etapa que está sendo construída no Rio Grande do Sul, acredita o CEO do Tecnosinos, Luís Felipe Maldaner. "A Aliança pela Inovação vai ajudar a trazer o espírito empreendedor inovador para a capital e região. Vamos ter um esforço conjunto para estimular empreendedores que tenham novas ideias e ajudar a levar isso para o mundo dos negócios. Vamos gerar um círculo virtuoso de geração de novas startups", acredita.
A diretora de Inovação da Universidade Feevale, Daiana de Leonço Monzon, reforça a ideia de que o trabalho colaborativo é capaz de aumentar as chances de sucesso. "Juntos somos uma força muito maior do que se fizéssemos atividades isoladas. Esses movimentos fortalecem muito a ideia de que não podemos concorrer com outras iniciativas e, sim, dividir informações e construir projetos conjuntos", ressalta.

Colaboração é palavra de ordem entre atores do ecossistema

Além do movimento da Aliança pela Inovação/Pacto Alegre, existem iniciativas específicas de instituições e empresas acontecendo paralelamente. Recentemente, a Pucrs anunciou a meta arrojada de reunir mil startups no seu ambiente nos próximos 10 anos. "É um simbolismo que mostra que a nossa ideia é ter quantidade de jovens empresas para, a partir disso, conseguir ter cada vez mais soluções que possam chegar forte ao mercado e ajudar a transformar a sociedade", destaca o líder do Tecnopuc Startups, Leandro Pompermaier.

A quantidade, neste caso, é importante, porque o índice de mortalidade das empresas é grande, especialmente as operações mais inovadoras, já que nem sempre o mercado está preparado ou quer receber determinados produtos pensados pelos jovens. "Pela primeira vez na nossa história, todos os players estão se unindo para pensar no empreendedorismo inovador. O poder público está se envolvendo mais, as grandes empresas estão se aproximando das startups e vamos começar, com isso, a criar uma cadeia mais preparada para o futuro", acrescenta, citando também o Pacto Alegre.

Outro exemplo que corrobora com todo esse movimento em ebulição no Estado para preparar melhor as startups gaúchas para serem grandes e globais é o Programa Global Tech, que vai unir Sebrae-RS, Tecnopuc, Tecnosinos, Zenit e Feevale Techpark para selecionar e preparar startups para a internacionalização.

"Temos que capacitar fortemente o nosso empreendedor para nascer, ser forte, ganhar escala e ter uma visão global. Isso vai fortalecer todo nosso ambiente", relata Lubaszewski. É um desafio e tanto, já que, como ele mesmo comenta, hoje, os ambientes de inovação gaúchos e brasileiros, de uma forma geral, "suam sangue para trabalhar com 50 a 100 startups".

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