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Memória

- Publicada em 18h42min, 04/06/2020. Alterada em 15h21min, 05/06/2020.

José Lutzenberger segue influenciando movimento ecológico, 18 anos após sua morte

Lutzenberger defendia ações práticas e atuou com governos e empresas

Lutzenberger defendia ações práticas e atuou com governos e empresas


/ARQUIVO AGÊNCIA BRASIL/JC
Guilherme Kolling
Pioneiro do movimento ambientalista no Brasil, José Lutzenberger teve trajetória de destaque mundial ao longo dos mais de 30 anos em que se dedicou à causa ecológica. Sua atuação ocorreu fundamentalmente a partir de Porto Alegre, cidade para onde voltou no início dos anos 1970, depois de ter trabalhado como executivo da multinacional Basf no exterior.
Pioneiro do movimento ambientalista no Brasil, José Lutzenberger teve trajetória de destaque mundial ao longo dos mais de 30 anos em que se dedicou à causa ecológica. Sua atuação ocorreu fundamentalmente a partir de Porto Alegre, cidade para onde voltou no início dos anos 1970, depois de ter trabalhado como executivo da multinacional Basf no exterior.
Um dos marcos iniciais dessa trajetória é a fundação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), em abril de 1971, ao lado de nomes como Augusto Carneiro e Hilda Zimmermann. A partir dali, realizou uma série de lutas que marcaram a história do Estado e do Brasil, a maioria delas com resultados concretos.
Teve a campanha contra a poda indiscriminada das árvores da capital gaúcha, cuja cena ícone foi a do estudante que subiu na árvore (Carlos Dayrell, em 1975), que resultou em uma mudança na prática pela prefeitura, além da criação de uma Secretaria do Meio Ambiente.

José Lutzenberger e a criação do Parque da Guarita

Outra frente foi a crítica aos agrotóxicos, que ajudou a formular uma legislação pioneira para regular o uso desses produtos nas lavouras, inspirando o consumo de orgânicos e a formação de produção e de feiras ecológicas, que, hoje, se multiplicam pelo Brasil.
A denúncia de ataques a ecossistemas valiosos levou à criação de diversas unidades de conservação, entre elas, o Parque de Itapuã, em Viamão, e o da Guarita, em Torres, onde Lutz - como era conhecido entre os ecologistas - fez o trabalho de paisagismo.
Era famoso por conferências e palestras, que atraíam desde estudantes até a família real britânica. E conciliava características como uma sólida formação, um ativismo destemido e um pragmatismo que o levou a atuar com governos e empresas a quem criticava. O caso emblemático foi o da fábrica de celulose da Borregaard, em Guaíba, que emanava um mau cheiro que chegava a Porto Alegre e mobilizou a sociedade. Ao longo dos anos 1970 e 1980, foi duramente questionada e pressionada a melhorar suas práticas ambientais.
Nos anos 1990, Lutz aceitou um convite para trabalhar em um projeto com a empresa, que já se chamava Riocell, motivo pelo qual foi muito criticado no meio ecológico. Também aceitou integrar o governo Fernando Collor - de novo, foi atacado - atuando como secretário nacional de Meio Ambiente.
De volta à planície, seguiu trabalhando em sua empresa que tratava resíduos industriais, comandando a ação educativa na Fundação Gaia, além de manter o ativismo. Morreu em maio de 2002 na Santa Casa, em Porto Alegre. 
Tido como louco por alguns, pelas circunstâncias do início de sua trajetória no ambientalismo, teve sua morte registrada pelo The New York Times. E, 18 anos depois, segue como referência para a pauta ambiental no Brasil e no mundo.
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