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Sustentabilidade

- Publicada em 18h43min, 04/06/2020. Alterada em 18h43min, 04/06/2020.

Empresas não precisam ser grandes para ser sustentáveis

Pequenas empresas apostam na defesa do meio ambiente

Pequenas empresas apostam na defesa do meio ambiente


LUIZA PRADO/JC
Fernanda Wenzel, especial para o JC
Não é preciso ser uma multinacional nem operar na bolsa para ser sustentável. A prova disso é um simpático bistrô localizado no bairro Auxiliadora, em Porto Alegre. "Tem muita gente que entra, come um ragu de casca de banana e acha que está comendo um estrogonofe de carne. E, quando a gente conta, a pessoa não acredita", diverte-se Nathalia Leusin, que divide a sociedade da Casa Guandu com a chef de cozinha Martina Rios.
Não é preciso ser uma multinacional nem operar na bolsa para ser sustentável. A prova disso é um simpático bistrô localizado no bairro Auxiliadora, em Porto Alegre. "Tem muita gente que entra, come um ragu de casca de banana e acha que está comendo um estrogonofe de carne. E, quando a gente conta, a pessoa não acredita", diverte-se Nathalia Leusin, que divide a sociedade da Casa Guandu com a chef de cozinha Martina Rios.
O reaproveitamento de todas as partes dos alimentos - cascas, sementes, talos e folhas - é só uma das formas de garantir a sustentabilidade do negócio.
O cuidado começa na escolha dos insumos, que, além de orgânicos, precisam ser produzidos a, no máximo, 100 quilômetros de distância."Do que a gente compra, 99% vem de produtores locais, do menor produtor possível e do mais próximo possível", conta Nathalia. O que não pode ser aproveitado no prato vai para a compostagem (a casa tem um minhocário), e o lixo seco é enviado para uma empresa para reciclagem. No ano passado, apenas 5% dos resíduos produzidos pela Casa Guandu foram para o aterro sanitário.
Isso sem falar nos detalhes do dia a dia: coleta de água da chuva para reaproveitamento nos banheiros, uma boa iluminação natural que reduz o uso de energia, janelas abertas que dispensam o ar-condicionado e uso da água da cafeteira para adubar a horta de temperos.
Os clientes também são convidados a participar e podem deixar lixo eletrônico, esponjas de cozinha usadas e guarda-chuvas estragados no Cantinho Consciente - com garantia da destinação adequada.
"Muita gente vem procurando saber de onde vêm os insumos e quem coloca a mão na massa. Hoje, isso é um diferencial, mas, daqui a alguns anos, vai ser algo básico", acredita Nathalia. Durante a pandemia, a Casa Guandu está funcionando com "pegue e leve" e tele-entrega.

E não precisa ser chato

Insecta Shoes transforma tecidos de brechó em sapatos
Insecta Shoes transforma tecidos de brechó em sapatos
/INSECTA/DIVULGAÇÃO/JC
"Imagina nunca mais poder usar nossas roupas elegantes de inverno?", questiona a Insecta Shoes em seu relatório de sustentabilidade, ao alertar para o aquecimento global. A empresa, que surgiu em 2014 da ideia de transformar tecidos de roupas de brechó em sapatos veganos, também inova na forma de se comunicar com o público.
"A gente tenta fazer da forma mais didática e leve possível, para não se tornar um assunto chato e afastar as pessoas", explica Bárbara Mattivy, fundadora da marca. Apesar de descontraído, o relatório é preciso. Explica, por exemplo, que o solado dos sapatos é feito de borracha reciclada, que o contraforte vem do plástico reciclado e que a palmilha é feita de excedentes da produção. Mas também esclarece que busca soluções mais sustentáveis para cadarços e forros. Transparência, aliás, é um valor tão importante quanto a sustentabilidade. Tanto que a empresa informa como calcula o preço de cada um de seus produtos. Em 2016, a Insecta se tornou a primeira marca de calçados brasileira certificada pelo Sistema B, grupo de empresas que querem ser"a melhor PARA o mundo e não só DO mundo". A certificação passa por uma avaliação completa dos impactos da empresa.

Empresas gaúchas que fazem parte do Sistema B:

  • Box Print: Foi a primeira gráfica de embalagens do Brasil a conseguir os selos "Carbono Neutro" e do Forest Stewardship Council, pela correta utilização de materiais de origem florestal.
  • Eco Cambará Hotel: O hotel usa energia solar, composteira para lixo orgânico, reaproveitamento da água da chuva e compra alimentos produzidos no entorno, incluindo orgânicos.
  • Escola de educação infantil Despertar: Organiza cursos e palestras para a comunidade, promovendo uma nova cultura de infância. Possui uma política de melhores salários e de benefícios adicionais a seus colaboradores.
  • Eyxo: Empresa de comunicação que preza por um ambiente de trabalho leve e saudável. Promove os projetos Manda a Real, que oferece oficinas de roteiro e vídeo para alunos de escolas públicas, e o programa de estágio Eyxo Lab.
  • Cora: Empresa de consultoria de sustentabilidade e ética para negócios de moda, ajuda os clientes a escolherem matérias-primas sustentáveis e dar a destinação correta aos resíduos.
  • Insecta Shoes: Sapatos veganos feitos com a reutilização de roupas vintages, tecido ecológico feito com a reciclagem de garrafas PET e outros materiais reaproveitados. O material é comprado de cooperativas de reciclagem.
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