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Tecnologia Jurídica

- Publicada em 21h15min, 30/08/2021. Atualizada em 21h18min, 30/08/2021.

Advocacia 4.0 resgata cliente para o centro do processo e cria novas oportunidades profissionais

Tecnologia fez surgir novos nichos de atuação na advocacia, com cientistas de dados jurídicos, advogado especialista em criptomoedas e regulação de novas tecnologia

Tecnologia fez surgir novos nichos de atuação na advocacia, com cientistas de dados jurídicos, advogado especialista em criptomoedas e regulação de novas tecnologia


FREEPIK/Reprodução/JC
O mundo vive numa exponencial evolução cultural e tecnológica, e teóricos apontam para uma quarta revolução industrial, trazendo consigo uma tendência a automatização, controle e tecnologia da informação. Diversos ramos profissionais estão passando por alterações na forma de atuação por causa disso. No Direito, não é diferente. Para se ter ideia dos avanços que já estão acontecendo na área, um levantamento da Associação Brasileira de Lawtechs & Legaltechs (AB2L) mostra que, entre 2017 e 2019, houve um crescimento de 300% no número de startups jurídicas no Brasil. Hoje, a associação conta com quase 300 startups entre Lawtechs e Legaltechs, focadas em soluções tecnológicas que facilitem e transformem a rotina jurídica. Elas podem atuar por meio de ferramentas digitais e softwares de gestão, que acabam auxiliando a advocacia no dia a dia. Para refletir a respeito dessas transformações que estão ocorrendo na área do Direito, o Jornal da Lei entrevistou o diretor executivo da AB2L, Daniel Marques.
O mundo vive numa exponencial evolução cultural e tecnológica, e teóricos apontam para uma quarta revolução industrial, trazendo consigo uma tendência a automatização, controle e tecnologia da informação. Diversos ramos profissionais estão passando por alterações na forma de atuação por causa disso. No Direito, não é diferente. Para se ter ideia dos avanços que já estão acontecendo na área, um levantamento da Associação Brasileira de Lawtechs & Legaltechs (AB2L) mostra que, entre 2017 e 2019, houve um crescimento de 300% no número de startups jurídicas no Brasil. Hoje, a associação conta com quase 300 startups entre Lawtechs e Legaltechs, focadas em soluções tecnológicas que facilitem e transformem a rotina jurídica. Elas podem atuar por meio de ferramentas digitais e softwares de gestão, que acabam auxiliando a advocacia no dia a dia. Para refletir a respeito dessas transformações que estão ocorrendo na área do Direito, o Jornal da Lei entrevistou o diretor executivo da AB2L, Daniel Marques.
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Diretor executivo da AB2L, Daniel Marques diz que antes da pandemia, se acreditava que as Lawtechs e as Legaltechs eram apenas uma moda. Foto: DIVULGAÇÃO/JC
Jornal da Lei - Um conceito que vem ganhando destaque é o da advocacia 4.0. O que se entende por isso?
Daniel Marques - Se debruçando sobre o que está acontecendo na sociedade como um todo, observamos um movimento muito forte para a quarta revolução industrial. A advocacia 4.0 tem um fundamento nessa nova realidade. São três grandes fatores que a distingue das outras advocacias, que é o uso de tecnologia, a colaboração e a exponencialidade. Tudo isso para resgatar o cliente (aquele que utiliza de serviços jurídicos) como centro de todo o processo. Ao utilizar tecnologias, ferramentas de gestão e ter essa nova cultura, esse novo entendimento da sociedade, focado na colaboração, na descentralização, na criação de times interdisciplinares, você tem um ganho exponencial de eficácia, prospecção e de melhora no atendimento ao cliente. Faz com que você se destaque no mercado.
JL - Como esse conceito tem se disseminado no Brasil? Há uma crescente de investimentos voltados a isso?
Marques - Observamos isso na própria AB2L, quando começamos com cerca de 20 empresas jurídicas e hoje somos quase 300. Há um crescimento. Se existe um lugar no mundo onde possa surgir um unicórnio jurídico, este lugar é o Brasil. Ele não perde em nada na criação de soluções e tecnologias se comparado com lawtechs e legaltechs de outros lugares do mundo. Somos a maior associação que existe. Ninguém utilizava o termo advocacia 4.0, fomos nós que começamos a implementá-lo. O que pode acontecer muitas vezes é se pensar que a advocacia 4.0 é como um modelo de celular, rotativo e que logo sai de moda. Na verdade é algo que veio para ficar, um novo modo de entregar as necessidades jurídicas do seu cliente utilizando cultura, inovação, gestão e tecnologia 4.0. Vemos uma crescente no País, mas ainda falta muito.
JL - Quais os atuais desafios para implementar essa transformação digital?
Marques - O primeiro é a mentalidade. A tecnologia e as ferramentas de gestão nós temos, agora falta a adoção e o entendimento de que a sociedade é outra e exige um novo perfil do profissional do direito. Esse novo perfil não significa abandonar o anterior, mas acrescentar novas habilidades, porque o estudo técnico do direito sempre vai ser necessário, o advogado sempre vai ser necessário, mas também é preciso que o advogado aprenda novas habilidades para se adaptar a essa nova realidade. Esse é o maior desafio. Apenas 22% dos advogados utilizam lawtechs ou legaltechs. Ainda existe um mercado muito grande e alguns vêm perdendo essa oportunidade.
JL - Quais os desafios que mostram ser necessária uma transformação digital na área?
Marques - Os próprios números do judiciário apontam isso. Temos no Brasil cerca de 77 milhões de processos judiciais, aproximadamente 2% do PIB gasto em litígio, temos cerca de 1,2 milhão de advogados e 1.600 universidades de Direito. O próprio poder judiciário é muito complexo e isso gera uma falta de eficácia que traz insatisfação à população. Temos uma resolução do CNJ que autorizou que todos os tribunais sejam 100% digitais. Hoje em dia o advogado pode trabalhar de qualquer lugar do Brasil e do mundo. Se o advogado não tem um sistema de gestão, um sistema de acompanhamento processual ou qualquer outro que lhe ajude no dia a dia, ele perde um tempo grande em certas tarefas. Cerca de 30% do tempo do advogado é gasto em tarefas totalmente passíveis de automação e que poderiam estar sendo utilizado em outras atividades, como preparar melhor suas teses para atender melhor seus clientes e também para estudar.
JL - O que muda no dia a dia do advogado?
Marques - Primeiro, ele ganha mais liberdade para atuar de qualquer lugar do Brasil. Em segundo lugar, ele consegue atender e entender melhor seus clientes. Em terceiro, ele se destaca e faz a diferença no mercado. E quanto mais você se destaca, mais clientes você tem.
JL - Ainda há muita dificuldade para a adoção de novas tecnologias no serviço público?
Marques - O CNJ tem trabalhado muito para poder melhorar nessa questão. Temos resoluções muito positivas. Você vê a criação dos tribunais 100% digitais, a motivação para utilizar meios alternativos de resolução de conflitos, a criação do PDPJ, e temos também o MNI. O grande desafio do judiciário agora é intercambialidade dos dados. A possibilidade de, através de sistemas diferentes, fazer a comunicação de dados para todos do mercado, sejam eles tribunais, Ministérios Públicos, escritórios, advogados, lawtechs e legaltechs.
JL - Acredita que a pandemia e os protocolos de distanciamento social podem ter acelerado o desenvolvimento dessa cultura digital no Direito?
Marques - Vimos um aumento na adoção de tecnologia. Sem ela o advogado praticamente nem consegue atuar. Antes da pandemia, se acreditava que as Lawtechs e as Legaltechs eram apenas uma moda. E durante a pandemia percebemos que se não fossem as tecnologias jurídicas, o sistema jurídico brasileiro teria parado. Mudou a percepção de que algo que era visto como moda e passageiro se mostrou ser essencial e sem a qual a advocacia não pode, hoje em dia, funcionar.
JL - Ainda há desconhecimento quanto às novas oportunidades que podem surgir com esse avanço digital?
Marques - Com as novas tecnologias estão surgindo novos nichos de atuação da advocacia. São milhares de empregos novos em que o advogado pode estar trabalhando. Cientistas de dados jurídicos, advogado especialista em criptomoedas e regulação de novas tecnologia são algumas das novas atuações. Todas as novas tecnologias estão surgindo e estão aparecendo novas oportunidades dentro da advocacia que não existiam antes. Estamos vivendo uma verdadeira época de ouro da advocacia tanto em relação a novas oportunidades, como todo o período de transformação paradigmática. Com essa transformação no direito já não existe aquele que é grande e pequeno ou tem mais experiência ou menos, agora existem aqueles que entendem o que está acontecendo e se adaptam a essa nova realidade. Se um pequeno escritório tiver uma cultura, uma gestão e uma tecnologia 4.0, conseguirá atender o que um escritório com 100 advogados não atende. Você ganha escala, diminui seu custo e consegue ter grandes clientes. É uma janela de oportunidades, seja por novos nichos de atuação, ou porque independentemente do seu tamanho, você poderá ganhar destaque no mercado numa velocidade nunca antes vista na história da advocacia.
JL - Como o meio acadêmico pode contribuir para isso?
Marques - Quando novas tecnologias surgem, algumas universidades começam a oferecer cursos de Direito Digital. Só que estamos vivendo numa sociedade toda "hackeada". Antes, a digitalização era uma matéria entre tantas outras nesse grande armário que é o direito. Só que atualmente as novas tecnologias permeiam toda a sociedade e o Direito Digital não é mais uma gaveta, ele também faz parte dessa estrutura do direito. Precisamos, em primeiro lugar, trazer essa visão das novas tecnologias em todas as matérias que já existem do direito. Por exemplo, se eu dou uma aula sobre propriedade intelectual, é impossível não falar sobre a propriedade intelectual daquilo que é produzido sobre a inteligência artificial. Se eu estou falando de responsabilidade civil, eu tenho que sair dos exemplos comuns e falar sobre a responsabilidade civil no caso de acidente com um carro autônomo. Para que novas habilidades do advogado surjam, significa, num primeiro lugar, resetar as próprias disciplinas que já existem no direito, fazendo a releitura das novas tecnologias e das novas relações sociais. Se o direito não faz isso, ele fica à parte da sociedade.
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