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estiagem

Notícia da edição impressa de 03/03/2020. Alterada em 03/03 às 03h00min

Falta de apoio da União frustra produtores na Expodireto

Feira começou ontem e segue até sexta-feira no Norte gaúcho

Feira começou ontem e segue até sexta-feira no Norte gaúcho


ALEXANDRO AULER/JC
Thiago Copetti, de Não-Me-Toque
A abertura da 21ª Expodireto Cotrijal, nesta segunda-feira (2), em Não-Me-Toque, foi marcada por um pedido e uma ausência. O pedido: redução de juros dos financiamentos para a chamada agricultura empresarial. A ausência: nenhuma medida de apoio efetiva aos produtores afetados pela estiagem no Rio Grande do Sul foi anunciada por parte do governo federal.
A abertura da 21ª Expodireto Cotrijal, nesta segunda-feira (2), em Não-Me-Toque, foi marcada por um pedido e uma ausência. O pedido: redução de juros dos financiamentos para a chamada agricultura empresarial. A ausência: nenhuma medida de apoio efetiva aos produtores afetados pela estiagem no Rio Grande do Sul foi anunciada por parte do governo federal.
Após agradecer à ministra da Agricultura Tereza Cristina pelo trabalho feito na pasta e por "equacionar muitos pontos importantes da cadeia produtiva", o presidente da Cotrijal, Nei César Manica, reforçou a necessidade de redução dos juros para atividade rural. Até mesmo para o bom desempenho da economia como um todo, disse Manica, é preciso equacionar a queda dos juros da taxa Selic aos oferecidos no Plano Safra para médios e grandes produtores.
"Já tivemos a Selic e a inflação em torno de 14% e os juros (do plano Safra) entre 7% e 8%. O ministro Paulo Guedes tem feito um bom trabalho de economia liberal, baseado na economia americana, mas ele esqueceu que os juros norte-americanos são muito inferiores. Precisamos de juros menores para oxigenar o agronegócio", pediu Manica.
A falta do anúncio do governo federal para prorrogação do pagamento das primeiras parcelas dos financiamentos tomados por produtores afetados pela estiagem decepcionou boa parte dos presentes na cerimônia. Apesar de já ter sido solicitado desde fevereiro, o apoio da União a quem perdeu toda ou parte das lavouras de milho, especialmente, segue sem uma resposta positiva.
Como as primeiras parcelas de financiamentos tomados no ano passado começam a vencer neste semestre, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural deve intensificar as ações do governo gaúcho neste sentido. "Uma das medidas que pode acelerar o processo é a decretação de emergência, não mais por estiagem, mas devido ao avanço das perdas no campo, o que caracterizaria o cenário de seca", explica o secretário da Agricultura, Covatti Filho.
"Seguimos cobrando do governo federal, e, em breve, terei nova conversa pessoalmente com a ministra, para que revejam essa posição de prorrogação dos pagamentos. É importantíssimo esse apoio no adiamento das parcelas para custeio e investimentos feitos pelo produtor", alerta Covatti Filho.
A demora do governo federal em confirmar a prorrogação dos pagamentos que começam a bater na porta dos produtores gaúchos também foi lamentada pelo governador Eduardo Leite. O governo se disse preocupado com o tema, que pode ter as proporções ampliadas no Rio Grande do Sul, já que a previsão é de sequência na falta de chuva nos próximos dias - o que pode afetar com mais intensidade, agora, a soja. "Aguardamos uma resposta. Sabemos que o tema é complexo, mas está merecendo melhor atenção da ministra junto ao ministério da economia também", criticou Leite.
Questionada sobre uma posição de apoio para minimizar os prejuízos com a estiagem no Estado, Tereza Cristina, afirmou apenas que o tema segue em análise no ministério, em conjunto com a pasta da Economia. Referente à queda nos juros, Tereza Cristina também resumiu que o assunto depende de decisões da Fazenda e de melhoria na economia nacional.
"Os juros já caíram. Estavam em 14% no ano anterior, mas, sim, podem cair mais no próximo Plano Safra. Sobre a renegociação de pagamentos dos produtores, são conversas que ainda estão em curso", resumiu Tereza Cristina.

RS deve comprar 70% mais milho de fora

Tradicional evento da Expodireto, o Fórum Nacional do Milho ganhou ainda mais relevância ao chamar a atenção para a importância da cultura, uma das mais prejudicadas pela estiagem de 2020. Organizado pelo ex-ministro da Agricultura Odacir Klein, o fórum deste ano reuniu, no parque da Cotrijal, diversos especialistas.

Apesar de ser um importante grão para dar equilíbrio ao solo, na rotação de cultura com a soja e alimentar a pecuária de corte, leite, aves e suínos, o Rio Grande do Sul luta contra o déficit de produção. E a compra do insumo fora do Estado, que normalmente já alcançava 1,5 milhão de toneladas, pode ser ampliada para 2,5 milhões em 2020 devido à quebra da safra gaúcha. Alta de quase 70% na aquisição externa, com ainda mais prejuízos ao caixa gaúcho.

"Ao importarmos todo esse volume, já deixamos de gerar aqui no Estado R$ 300 milhões em impostos. Perda que agora será ainda maior", destacou Ivan Bonetti, diretor de política agrícola e desenvolvimento rural da secretaria da Agricultura.

O objetivo do governo do Estado, que apresentou o Programa Pró-Milho RS, é estimular a concessão de crédito ao produtor que investir na cultura, assim como facilitar processos e recursos para irrigação. Hoje, são apenas entre 130 mil e 140 mil hectares irrigados na cultura do milho no Rio Grande do Sul, o que representa entre 12% e 13% da área total semeada com o grão. A meta do Pro Milho é ampliar para 210 mil, alcançando 30% do total, o que dará ajudará a reduzir perdas a atual, diz Paulo Lipp, coordenador das câmaras setoriais da Secretaria da Agricultura. "O milho é tradicionalmente mais sensível à falta d'água. Mais irrigação aumentaria a segurança do produtor para plantar", ressaltou Lipp.

Cinco dicas para curtir a Expodireto

Público começou a lotar o evento no primeiro dia de abertura
Público começou a lotar o evento no primeiro dia de abertura
/ALEXANDRO AULER/JC

Se souberem organizar bem o tempo em que está no parque Cotrijal, em Não-Me-Toque, onde ocorre a Expodireto, os agricultores vão tirar melhor proveito da visita. Planejando antecipadamente a visita, ressalta o superintendente de Produção Agropecuária da Cotrijal, Gelson Melo de Lima, o produtor certamente vai lucrar com isso sem necessariamente ter que investir. Abaixo, veja cinco dicas de Lima para planejar melhor a ida ao parque.

1 A feira tem muitos atrativos, o que vai muito além de compra e vendas de produtos e serviços. A Expodireto também é um espaço de conhecimento. São debates, palestras, workshops e fóruns diversos dos quais o produtor deve participar depois de selecionar aqueles do seu interesse.

2 Precisa melhorar os equipamentos? Foco nesse segmento. Para manejo do solo, busque na programação os eventos, fornecedores e pesquisa expostas lá sobre o tema. Seu problema é gestão? Com certeza o agricultor encontrará lá especialistas e palestras sobre o tema, como no Senar e na Emater.

3 Depois de cumprir essa agenda voltada para as suas necessidades, tire um tempo para realmente passear por outros setores, ver novidades e curiosidades e se divertir.

4 Para se organizar de uma forma mais produtiva olhe atentamente a programação, veja as atividades que lhe interessam, os expositores que realmente precisa visitar. E lembre que o parque é ernome, então pegue o mapa e monte seu roteiro.

5 Para quem precisa fazer cotações de preços e até mesmo negociar linhas de crédito, a feira é uma excelente oportunidade para barganhar e economizar tempo. Com todos os concorrentes reunidos, fica mais fácil otimizar o tempo de pesquisa e de negociar melhores preços ou taxas, por exemplo, no sistema bancário.

Prêmio Semente de Ouro destaca trabalho de Ernani Polo

Ernani Polo, ao centro, com o deputado Everaldo Quadros de Moura (esq.) e o presidente da Cotrijal, Nei Manica.
Ernani Polo, ao centro, com o deputado Everaldo Quadros de Moura (esq.) e o presidente da Cotrijal, Nei Manica.
ALEXANDRO AULER/JC

Entregue ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo (PP), no primeiro dia da Expodireto, o prêmio Semente de Ouro também foi uma forma de homenagear a força do campo no Legislativo gaúcho. Polo tem forte atuação no mundo rural - é natural de Ijuí, de família de agricultores - e reconhecidamente atuante em temas do agronegócio, também foi secretário da Agricultura no governo de José Ivo Sartori.

"Tenho minha história muito ligado à Expodireto, feira da qual participei todas as edições. E tenho no presidente da Cotrijal, Nei César Manica, uma inspiração diária para meu trabalho", agradeceu Polo, emocionado com a homenagem e com a presença dos pais na plateia.