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Consumo

Notícia da edição impressa de 20/08/2019. Alterada em 19/08 às 14h49min

Supermercados adaptam-se às novidades no ramo de cafés

Gourmetização confirma gaúcho como maior consumidor per capita de café solúvel do Brasil

Gourmetização confirma gaúcho como maior consumidor per capita de café solúvel do Brasil


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Eduarda Endler
A crise econômica no Brasil não impediu que a venda de café continuasse crescendo, através de inovações e diferenciações do mercado. Atualmente, a bebida está passando por um processo de gourmetização parecido com o que ocorreu com os vinhos e as cervejas. Segundo Antônio Cesa Longo, presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), os supermercados já comercializam cafés premium, mas sem perder o foco nos líderes de vendas com menor preço. Longo afirma que o gaúcho é o maior consumidor per capita de café solúvel do Brasil, por questões culturais e até mesmo climáticas.
Segundo o Euromonitor Internacional, o Brasil é o maior consumidor de café do mundo, deixando para trás os Estados Unidos e a Alemanha. O brasileiro toma, em média, 839 xícaras da bebida por ano, o que representa mais de duas por dia. Em pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o consumo de cafés em pó atingiu 81% e o de cafés expressos e em cápsulas, 19% do total da demanda nacional.
A produção mundial de café para a safra 2018/2019 está estimada em 174 milhões de sacas, o que representa um crescimento de 34% em relação às 130 milhões de sacas produzidas há uma década, na safra 2009/2010. O Brasil, maior produtor de café a nível mundial, colheu 61,66 milhões de sacas em 2018, em torno de 35% da produção mundial. Em segundo lugar está o Vietnã (30,4 milhões de sacas e 17,5% da produção mundial), e, em terceiro, a Colômbia (14,3 milhões de sacas, equivalente a 8,2% da produção do planeta).
A ligação do brasileiro com a bebida tem muitos significados. De acordo com Tiago Mello, gerente de qualidade do Café do Mercado, as pessoas têm uma relação de proximidade com o produto. "O café remete a momentos importantes da vida do brasileiro. Além disso, o produto de alta qualidade está associado à gastronomia, ou seja, momentos de união, confraternização e prazer", afirma Mello.
Em razão da alta procura registrada, o Café do Mercado criou a Cafeoteca, uma loja virtual de seus produtos. Um dos serviços oferecidos é a assinatura da bebida. Segundo Mello, a entrega em casa possibilita que a pessoa diversifique o leque de cafés a serem consumidos. Ele conta que a assinatura cresce, no mínimo, 10% ao mês, e o perfil do cliente é eclético, formado por homens e mulheres entre 18 e 70 anos.
No Brasil, a safra 2018 de café é de 61,7 milhões de sacas, um crescimento de 37% em relação a 2017. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o ano passado registrou a maior colheita da história. A Associação da Indústria Brasileira de Café (Abic) divulgou que o Brasil é responsável por um terço da produção mundial de café, o que confirma o País como o maior produtor, posto que detém há mais de 150 anos. Entre os principais estados que plantam a bebida estão Minas Gerais (responsável por 50% da produção nacional), Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Paraná e Rondônia. 

O vai e vem dos carrinhos de supermercado

Em constante mudança, o consumo de produtos mostra um vai e vem em vendas. Antônio Cesa Longo é presidente da Agas desde 2003 e viu, ao longo deste período, diversos produtos roubarem a cena no setor.
"O varejo é apaixonante justamente pela velocidade da mudança. Nestes anos todos, vimos muitas tendências e hábitos de consumo que se evidenciaram e depois saíram de moda. Anualmente, a indústria lança 12 mil itens nas lojas do setor, mas somente 10% sobrevivem ao crivo do cliente no primeiro ano", conta Longo.
Atualmente, se vive um momento diferente quanto às tendências de consumo. Para o presidente da Agas, há uma brincadeira de que "tendência é não ter tendência". "Há consumidores de todos os tipos, bolsos e gostos, e, por isso, varejos de diferentes formatos e operações também estão competindo em igualdade", afirma o dirigente.
Ele relata que há, também, uma preocupação cada vez mais evidente do consumidor com sua saúde e seu bem-estar. Segundo ele, o gaúcho quer adquirir produtos melhores e mais saudáveis, mas muitas vezes falta renda para isso. Entre os itens em alta nos carrinhos estão os cafés em cápsula, as bebidas energéticas e os fiambres.
 

Meios eletrônicos de pagamento estão presentes em 100% dos estabelecimentos

De acordo com o Ranking Agas, as compras pagas em dinheiro tiveram uma queda no último ano, representando um terço do pagamento nos caixas do supermercado. Em 2018, os pagamentos em espécie foram 33,5% nas lojas, enquanto, em 2017, eram 34% e, em 2016, 27,4%. O uso de cartão de crédito também está em queda desde 2016, indo de 32,8% para 29,6% e 27,7% nos três últimos anos, respectivamente.
Para Antônio Cesa Longo, presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), embora a compra no crédito tenha apresentado uma pequena queda, o cartão de débito e os meios eletrônicos em geral estão em crescimento contínuo. "Além da preocupação crescente em fugir do endividamento, há uma nítida preocupação do consumidor com sua segurança", afirma o dirigente.
Longo explica que os cartões próprios também são uma estratégia em crescimento, porque possibilitam ao varejista identificar e conhecer o hábito de compra do seu cliente: "O consumidor quer ser tratado com individualidade, e há cada vez mais soluções tecnológicas que vão permitindo, pouco a pouco, que o supermercado conheça e personalize o atendimento ao consumidor."
O presidente salienta que possuir um banco de dados dos clientes é um diferencial valioso. Segundo ele, muitos supermercados estão criando este sistema, mas vão conseguir usá-lo somente daqui alguns anos. "Os cartões próprios são uma ferramenta importante para este conhecimento do consumidor", relata.
Pela primeira vez na história do Ranking Agas, 100% dos supermercados informaram operar com meios eletrônicos de pagamento. 

Sobe e desce dos produtos

Em alta
  • Cafés em cápsula
  • Energético, cooler e ice
  • Espumantes
  • Fiambreria (autosserviço)
Em baixa
  • Cafés em pó
  • Linha festa de carnes (açougue, como aves natalinas, chesters, perus)
  • Compotas
  • Descartáveis
  • Iogurtes
  • Açúcar
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