Porto Alegre, terça-feira, 25 de maio de 2021.
Dia da Indústria e dia do Aniversário do Jornal do Comércio.
Porto Alegre,
terça-feira, 25 de maio de 2021.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

indústria automotiva

- Publicada em 19h00min, 24/05/2021. Atualizada em 14h46min, 25/05/2021.

Adoção de carro elétrico depende de política pública, adverte vice-presidente da GM

Marina Willisch fala dos desafios de retomar produção

Marina Willisch fala dos desafios de retomar produção


GENERAL MOTORS/DIVULGAÇÃO/JC
Patrícia Comunello
A pandemia tirou as montadoras brasileiras da estrada, literalmente, com paradas da produção que vão até julho, no caso da planta da General Motors em Gravataí, considerada a mais produtiva da marca no mundo. Mas a maior crise sanitária em 100 anos não mudou os planos ambiciosos da companhia de ter uma frota de automóveis 100% zero emissão de poluentes. O carro elétrico avança nos Estados Unidos e em regiões no mundo que têm incentivos dos governos para a migração. 
A pandemia tirou as montadoras brasileiras da estrada, literalmente, com paradas da produção que vão até julho, no caso da planta da General Motors em Gravataí, considerada a mais produtiva da marca no mundo. Mas a maior crise sanitária em 100 anos não mudou os planos ambiciosos da companhia de ter uma frota de automóveis 100% zero emissão de poluentes. O carro elétrico avança nos Estados Unidos e em regiões no mundo que têm incentivos dos governos para a migração. 
"No Brasil, não será diferente, um dos pontos chaves para a adoção em massa dos veículos elétricos são as políticas públicas", adverte a vice-presidente da montadora para a América do Sul, Marina Willisch, advogada, com trajetória na indústria automotiva e que é a primeira mulher a assumir o posto na região, que desempenha desde 2019. Marina diz que qualquer planta, como a de Gravataí, pode receber a nova geração, mas não confirma e nem estabelece prazo da introdução da plataforma elétrica.
Sobre a retomada da produção, a vice-presidente aposta na normalidade do fornecimento de peças no segundo semestre. Nesta entrevista, a executiva fala sobre política de inclusão na companhia, que tem uma novidade: "Processos de seleção para vagas na região precisam ter, no mínimo, 50% de mulheres candidatas".         
Jornal do Comércio - A fábrica em Gravataí volta a produzir em julho. Quais serão as condições de retomada?
Marina Willisch - A fábrica de Gravataí tem previsão de retomar a produção regular no segundo semestre. O desafio será atender a demanda dos clientes que há cinco anos colocam o Onix no topo do ranking dos carros mais vendidos no Brasil. Mas a fábrica é a mais produtiva do mundo, por isso, estamos confiantes que conseguiremos atender a todos que quiserem adquirir um novo Onix ou Onix Plus, ainda com a vantagem de comprar o modelo 2022 pelo preço de 2021.
JC - Em quanto tempo é possível retomar a capacidade ou nível de produção?
Marina - Estamos trabalhando com os nossos parceiros para mitigar o impacto na produção e repor o volume o mais rápido possível. Hoje, o modelo de manufatura é enxuto e não se faz grandes estoques de peças. É o que chamamos de modelo just in time. Porém, estamos acompanhando a situação dos fornecedores de perto e a nossa previsão é que o abastecimento de peças volte à normalidade no segundo semestre, quando voltaremos à operação regular. O problema de abastecimento que estamos enfrentando neste momento é pontual e temporário. Não há previsão de revisão do modelo de produção em virtude disso.
JC - Como deve fechar a produção do segundo trimestre? 
Marina - Em virtude da parada de produção mais prolongada durante o segundo trimestre, a previsão é de que as vendas sejam menores neste período comparado ao primeiro trimestre do ano. É importante ressaltar que as paradas de produção ocorridas devido ao agravamento da pandemia, bem como à falta de matéria-prima, têm reduzido o fluxo de peças e produtos acabados entre os países, mas esperamos que o ritmo normal seja retomado assim que as questões de abastecimento das fábricas sejam solucionadas.
JC - Os acordos de lay-off e outras medidas podem ser ampliados se as dificuldades continuarem?
Marina - A GM vem tomando uma série de medidas para, nesta ordem, proteger a saúde e segurança de seus empregados, fornecedores e parceiros; preservar empregos e garantir a sustentabilidade do negócio. Neste sentido, a empresa vem utilizando desde o ano passado mecanismos como redução de custos, banco de horas, férias coletivas, redução de jornada com redução salarial, lay-off e planos de demissão voluntária (PDV). Todas essas medidas são acordadas com os sindicatos locais e compartilhadas com os empregados.
JC - A montadora estuda diversificar os locais de fornecimento no mundo e quanto isso pode abrir oportunidade para fornecedores no Brasil?
Marina - O fornecimento de peças já é global e diversificado. A localização envolve estudo permanente, independentemente de condições adversas, como as que estamos vivendo agora. Sempre há espaço para melhorias. Nossa estratégia sempre contempla o que é mais vantajoso para o nosso cliente, considerando, nesta ordem, critérios de segurança, qualidade e custo.
JC - Como está a execução do atual plano de investimento no Brasil?
Marina - Os investimentos anunciados em 2019 sofreram um adiamento em virtude da pandemia, porém já foram retomados no início deste ano.
JC - Pode ter mais aportes na unidade gaúcha?
Marina - A fábrica de Gravataí recebeu recentemente um investimento de R$ 1,4 bilhão que trouxe novas tecnologias e ampliações para receber a nova geração do Onix, carro que foi lançado em 2019. O atual plano de investimentos de R$ 10 bilhões concentra-se nas fábricas do estado de São Paulo.
JC - Quando a GM vai produzir carro elétrico no Brasil e o que falta para isso?
Marina - A GM aspira ter um portfólio de veículos leves 100% zero emissão a partir de 2035 e tem ciência de que, para isso, é preciso o engajamento de diversos públicos nos mercados onde atua, o que inclui governos, sindicatos, fornecedores e consumidores. A meta é de neutralidade em emissões de carbono até 2040. Os governos que definem as legislações, os consumidores que demandam produtos mais sustentáveis e os sindicatos e fornecedores que precisam, junto com as montadoras, se reinventar, são exemplos dos papéis de cada público nesta jornada. O foco será oferecer veículos zero emissões em diversas faixas de preços e trabalhar com todas as partes interessadas para construir a infraestrutura de carregamento necessária e, assim, promover a conscientização do consumidor, mantendo empregos de alta qualidade, que serão todos necessários para atender a essas metas ambiciosas. Claramente, os mercados ao redor do mundo se moverão em velocidades diferentes com base em uma série de fatores. O que está em nossas mãos é o compromisso de entregar 30 modelos totalmente elétricos até 2025 globalmente. Apesar da pandemia, continuamos no caminho certo para cumprir esse compromisso. Para lidar com as emissões de nossas próprias operações, iremos fornecer 100% de energia renovável para abastecer nossas unidades globais até 2035.
JC - Para avançar na oferta de carro elétrico, o governo brasileiro terá de lançar política específica?
Marina - Se você observar os países que estão mais avançados na eletrificação da frota, perceberá um ponto em comum: as políticas públicas em prol da eletrificação. No Brasil, não será diferente, um dos pontos chaves para a adoção em massa dos veículos elétricos são as políticas públicas. 
JC - Para esta mudança, será preciso mais incentivos fiscais?
Marina - É importante salientar que, no Brasil, os automóveis são taxados em média em 57% em tributos diretos e indiretos. Dentro desta realidade, os incentivos fiscais são uma tentativa de ajuste da distorção tributária que temos hoje. Dito isso, é notório que os países que estão mais avançados na transição para a eletrificação da frota são aqueles cujos governos criam condições propícias e incentivam os consumidores a fazerem a transição para o carro elétrico. No Brasil, isso não será diferente.
JC - O que é preciso objetivamente para uma mudança?
Marina - São quatro grandes desafios para a massificação do carro elétrico: conscientização do consumidor, redução contínua do custo das baterias, políticas públicas e expansão da infraestrutura. Projeções de mercado apontam que o volume de carros elétricos irá mais do que dobrar de 2025 até 2030, atingindo em torno de 3 milhões de unidades. A GM acredita que esta aceleração se dará naturalmente com o aumento da oferta de EVs em segmentos mais populares, com a expansão dos pontos de recarga e com a contínua redução do custo de propriedade deste tipo de veículo. O principal apelo dos carros elétricos é o fato dele ser zero emissão de poluentes, além do melhor desempenho. Para reduzir o custo das baterias, a GM fez parceria com a LG para o desenvolvimento e a produção em massa de baterias que vão levar à redução dos custos a um patamar inferior a US$ 100/kWh. As células utilizarão um composto químico exclusivo com baixo conteúdo de cobalto. Tecnologias inovadoras e conceitos avançados de manufatura vão reduzir ainda mais os custos. A adoção em massa do carro elétrico traz avanços principalmente do ponto de vista ambiental, no entanto, para chegarmos lá, os governos precisam incentivar a tecnologia por meio de políticas públicas. Outro detalhe é que a maioria dos usuários abastece seus carros elétricos em estações de recarga instaladas em casa ou no local de trabalho, aproveitando o período em que o veículo passa estacionado. Como a média de deslocamento é de 40 quilômetros por dia, basta uma noite de recarga para manter a bateria sempre carregada. Mas os eletropostos públicos são fundamentais para deslocamentos longos e recargas ultrarrápidas.
JC - Gravataí pode receber plataforma de carro elétrico? É possível inserir no complexo atual?
Marina - É possível transformar qualquer fábrica de automóveis a combustão em fábrica de elétricos. 
JC - Quais são os desafios e as ações para inclusão, passando por educação e promoção de mudanças culturais, quando se fala da presença da mulher e de questões de raça e combate a preconceitos?
Marina - São muitos os desafios. Trabalhamos nesta questão há mais de 20 anos, quando iniciou o grupo de afinidade GM Women, por exemplo. De lá pra cá, diversos outros grupos de afinidade e programas voltados para a inclusão foram criados e implementados. Acreditamos que somente através do diálogo constante e contínuo e de ações efetivas poderemos avançar. A GM quer se tornar a empresa mais inclusiva do mundo e está implementando diversos planos de ação, todos vinculados a metas, globalmente. Recentemente, anunciamos uma nova diretriz para América do Sul. Os processos de seleção para vagas de mensalistas (empregados das fábricas) na região precisam ter, no mínimo, 50% de mulheres candidatas, por exemplo.
JC - Qual é a principal característica ou habilidade para manejar um ambiente como de montadora e ainda em meio a maior crise sanitária global?
Marina - É um conjunto de habilidades que são necessárias, mas eu destacaria a adaptabilidade, resiliência e criatividade. O nosso ambiente é complexo e está cada vez mais dinâmico. Isso exige muita inovação, persistência e visão sistêmica.
Comentários CORRIGIR TEXTO
Conteúdo Publicitário