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SAÚDE

- Publicada em 19h12min, 09/08/2021. Atualizada em 17h42min, 10/08/2021.

Comitê Científico aponta desafio de conter a Delta e diz que não é momento de 'baixar a guarda'

Avanço da nova cepa no RS implica na redefinição de estratégias e reforço do uso de máscaras

Avanço da nova cepa no RS implica na redefinição de estratégias e reforço do uso de máscaras


TIMOTHY A. CLARY/AFP/JC
Fernanda Crancio
Em nota técnica divulgada nesta segunda-feira (9), o Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento da Pandemia no Rio Grande do Sul emitiu alerta aos gaúchos da importância de renovar esforços para o enfrentamento da Covid-19 no Estado. Segundo o grupo, o momento é de redefinir estratégias e adotar protocolos que respondam ao novo "desafio epidemiológico-sanitário" que a propagação da variante Delta representa.
Em nota técnica divulgada nesta segunda-feira (9), o Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento da Pandemia no Rio Grande do Sul emitiu alerta aos gaúchos da importância de renovar esforços para o enfrentamento da Covid-19 no Estado. Segundo o grupo, o momento é de redefinir estratégias e adotar protocolos que respondam ao novo "desafio epidemiológico-sanitário" que a propagação da variante Delta representa.
No Estado, até o presente momento, já há 64 casos da nova cepa identificados, com pelo menos 11 confirmados por sequenciamento genético completo, além de 53 prováveis casos apontados por sequenciamento parcial. Além disso, surtos da variante foram registrados nos hospitais Vila Nova e Conceição, onde duas mortes de pacientes foram confirmadas nesta segunda.
O comitê reforça ainda a necessidade de compromisso e responsabilidade conjunta entre governantes e cidadãos, e aponta que, apesar de o RS ter mais de 50% da população vacinada com pelo menos uma dose contra a Covid, "não podemos baixar a guarda". "Será preciso que se redefinam as estratégias locais e que se adotem os protocolos que respondam, a esse novo desafio epidemiológico-sanitário vis-à-vis à preservação da atividade econômica e o desenvolvimento de nossos munícipios e regiões", destaca.
O coletivo pontua na nota técnica um série de considerações acerca do atual cenário da pandemia no Estado, com a transmissão comunitária da Delta já confirmada, e lembra que a variante tem alto poder de contágio e transmissão, podendo infectar mesmo as pessoas que estão com o esquema vacinal completo, imunizados com primeira e segunda doses. "Há dados que revelam que 75% dos infectados com a Delta estavam totalmente vacinados", destaca.
O risco de saturação dos sistemas de saúde, em decorrência do aumento de casos da variante mundo afora e do rápido avanço da cepa em vários países, também é enfatizado na nota.
Os especialistas esclarecem ainda que os sintomas iniciais da Delta são semelhantes aos de um resfriado comum, podendo ser amplamente confundidos, o que colabora ainda mais para aumento da transmissão.
Por essa série de apontamentos, o comitê científico elenca ao término do documento nove recomendações para a proteção contra a disseminação da nova cepa, entre elas o reforço ao uso correto de máscaras e fiscalização dos ambientes públicos, além da prática dos demais protocolos sanitários, estímulo à vacinação, controle de medidas sanitárias nas fronteiras e reforço nos cuidados em sala de aula e da comunicação sobre os riscos que a variante representa. 
O Comite Cientifico foi instituído em março de 2020, com a finalidade de prestar apoio às atividades do Gabinete de Crise e do Conselho de Crise para o enfrentamento da pandemia no RS. Formado por mais de 50 pesquisadores de universidades gaúchas e autoridades cientificas de diversas áreas do conhecimento, o grupo é coordenado pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Estado.

Recomendações do Comitê Científico em relação à variante Delta:

  • Reforçar as medidas preventivas tais como o uso de máscara (em locais fechados e sem ventilação);
  • Advertir para a vacinação contra a Covid-19 como medida mandatória para todos os profissionais e funcionários dos serviços de saúde;
  • Aumentar a comunicação social sobre a importância da vacinação e dos cuidados quanto ao protocolo sanitário, principalmente sobre os benefícios das medidas não farmacológicas na proteção contra a exposição ao novo coronavírus (ex: uso de máscaras), a proteção da vacinação a partir da primeira dose, porém a necessidade da completude do regime para uma proteção completa em relação a variantes de preocupação, como a Delta;
  • Que empregadores estimulem a vacinação de seus funcionários e a observância do protocolo sanitário;
  • Reforçar as medidas sanitárias nas fronteiras, bem como a vacinação nesses locais, em virtude do crescimento de novos casos da variante Lambda, inicialmente descrita no Peru, e que vem ganhando espaço nos países vizinhos da América Latina;
  • Reforçar a fiscalização de ambientes públicos (com especial atenção a todos os ambientes fechados) e de aglomeração, praças e parques das cidades, bem como atentar para o uso de máscara nesses locais;
  • Reforçar os cuidados em ambientes de sala de aula, em virtude do retorno presencial das escolas e instituições, em um cenário de cobertura vacinal baixa e incompleta;
  • Reforçar que crianças são suscetíveis ao vírus e, com a presença de uma variante mais transmissível e que pode levar a um aumento substancial na carga viral como a Delta, devemos alertar aos educadores para o reforço dos cuidados quanto ao uso de máscaras, bem como o cumprimento do distanciamento entre as classes, além de manter os ambientes bem ventilados e arejados nos locais de sala de aula;
  • Realizar uma comunicação clara com a população sobre os riscos dessa nova etapa de enfrentamento da pandemia, e que precisamos que todos façam sua parte e se protejam para protegermos toda a sociedade nessa reta final rumo à cobertura vacinal.
Fonte: Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento da Pandemia no Rio Grande do Sul
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