Porto Alegre, terça-feira, 04 de maio de 2021.
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EDUCAÇÃO

- Publicada em 18h28min, 04/05/2021. Atualizada em 19h43min, 04/05/2021.

Volta às aulas exige reformulação de protocolos e medidas para mitigar transmissão da Covid-19

Medidas de enfrentamento à pandemia nas escolas devem ser readequadas ao atual cenário

Medidas de enfrentamento à pandemia nas escolas devem ser readequadas ao atual cenário


MARIANA ALVES/JC
Fernanda Crancio
O cenário da pandemia mudou desde a breve reabertura das escolas no ano passado e, diante de novas variantes do coronavírus- mais potentes em transmissão e letalidade - e alteração no perfil de internações e casos de Covid-19 no Estado, os protocolos de biossegurança precisam ser reavaliados e renovados. Nesse sentido, a retomada do ensino presencial no RS nesta semana, sem que haja a vacinação de profissionais da educação, alerta para a necessidade de adoção de novas medidas sanitárias e de proteção voltadas a mitigar a transmissão da doença entre crianças e adultos.
O cenário da pandemia mudou desde a breve reabertura das escolas no ano passado e, diante de novas variantes do coronavírus- mais potentes em transmissão e letalidade - e alteração no perfil de internações e casos de Covid-19 no Estado, os protocolos de biossegurança precisam ser reavaliados e renovados. Nesse sentido, a retomada do ensino presencial no RS nesta semana, sem que haja a vacinação de profissionais da educação, alerta para a necessidade de adoção de novas medidas sanitárias e de proteção voltadas a mitigar a transmissão da doença entre crianças e adultos.
Embora já haja comprovação científica de que as crianças são menos suscetíveis a sintomas graves da Covid-19, e que a grande maioria contaminada não apresenta sequer sintomas, também é sabido que são vetores de transmissão para adultos. "Os mais recentes estudos mostram que as crianças se infectam tanto quanto os adultos, mas por terem um sistema imunológico mais robusto respondem melhor à infecção viral. Ainda assim, carregam e transmitem o vírus", lembra a professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Melissa Markoski.
Nesse sentido, ela defende a necessidade de uma reformulação dos protocolos de enfrentamento à pandemia, principalmente os voltados à educação. Segundo a especialista, a reabertura das escolas determina uma ampliação da mobilidade das pessoas, principalmente no transporte coletivo, e o fato de os alunos ficarem entre quatro e seis horas seguidas em sala de aula, nem sempre com ventilação e distanciamento adequados, agrava ainda mais a situação. "Liberar as aulas de uma hora para a outra, como ocorreu no RS, é pedir pra ter problema. Afinal, onde há aumento de circulação, há possibilidade de novas ondas de contaminação e aumento de casos", avalia.
Somente as escolas públicas do Estado têm cerca de 790 mil alunos, mas o número de estudantes sobe para quase 2 milhões, se consideradas as privadas.
Artigos científicos e pesquisas recentes comprovam que as duas principais causas do aumento da transmissão do coronavírus em outros países e no Brasil foram as aglomerações e a abertura das escolas, o que no Rio Grande do Sul ainda poderá sofrer impacto direto no inverno, com as consequentes limitações de circulação de ar nas escolas.
"O inverno tende a ser problemático, pois é impensável uma escola com janelas abertas às 7h. Ou seja, os protocolos estão desatualizados e questões como essa não foram pensadas, e deveriam ser avaliadas neste momento em que se repensa o sistema de bandeiras no Estado", aponta a professora, referindo-se ao anúncio do Executivo gaúcho sobre o fim do modelo do distanciamento controlado e apresentação de um novo sistema de enfretamento à pandemia, que será divulgado na semana que vem.
Melissa avalia que o sistema de bandeiras gaúcho teve seu papel e contou com adesão e comprometimento da população no início da pandemia, há mais de um ano. No entanto, não tem obtido a resposta necessária nos últimos meses. "Hoje as pessoas não dão mais a devida atenção à doença, ainda mais com o início da vacinação, e isso compromete os cuidados", afirma.
Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou as informações sobre as formas de disseminação do novo coronavírus, reconhecendo a transmissão pelo ar também por longas distâncias em ambientes fechados ou mal ventilados, em função dos "aerossóis que permanecem suspensos no ar ou viajam a mais de um metro”. Ou seja, mais do que a transmissão por superfície contaminada, como se acreditava antes, hoje já e sabe que a transmissão aérea é responsável pela maior parte das contaminações, o que reforça a necessidade de distanciamento e ventilação de ambientes.
"O distanciamento por si só não resolve, mas sim o controle da emissão aerossóis. Ou seja, não adianta utilizarmos as mesmas ferramentas do início da pandemia, higienizar sapatos, medir temperatura de crianças, se não se investirmos em uma boas máscaras para alunos e profissionais da educação e ventilação correta dos ambientes", reforça Melissa.
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Para garantir as mínimas condições de reabertura das escolas neste momento- o que não deveria ser incentivado sem a vacinação nem escalonamento de níveis, segundo ela-, a professora defende manter a boa higienização das mãos, reforço no distanciamento e na ventilação dos ambientes e, sobretudo, adoção de EPIs adequados, como máscaras de uso profissional, e bem ajustadas ao rosto. "Precisamos investir no único objeto de defesa que temos, que é a máscara. E, nesse momento, ela precisa ser profissional e bem ajustada ao rosto", enfatiza a cientista.
No Estado, os protocolos sanitários a serem seguidos na rede de ensino constam em portaria conjunta das Secretarias de Educação e da Saúde, editada em junho de 2020, quando a realidade da pandemia era outra. "Para se ter uma ideia, temos mais casos de internações em UTI hoje, do que tínhamos em fevereiro, quando de instaurou a bandeira preta, precisamos de novas medidas de proteção", comenta Melissa.

Veja as orientações do governo do RS reforçadas esta semana às escolas:

• Máscaras, álcool em gel, termômetros e EPIs em geral deverão estar disponíveis a todos os profissionais da educação e estudantes;
• As salas de aula deverão permitir a circulação de ar;
• Higienizar rotineiramente todos os espaços da escola com circulação de pessoas, com atenção especial para as superfícies que são tocadas frequentemente (grades, mesas de refeitórios, carteiras, puxadores de porta e corrimões), antes do início das aulas em cada turno e sempre que necessário;
• Os estudantes não deverão compartilhar objetos de qualquer natureza, como materiais escolares ou alimentos, durante a realização de suas atividades presenciais;
• O percentual de ocupação de cada escola será diretamente relacionado à área útil do ambiente escolar, respeitando o distanciamento interpessoal mínimo de 1,5 metro (o que condiz com teto de ocupação de 1 pessoa a cada 2,25 metros quadrados de área útil);
• As instituições de ensino que não estiverem adaptadas às orientações sanitárias por parte do governo deverão manter as aulas no modelo remoto até que sejam concluídos os ajustes necessários;
Fonte: Portaria Conjunta 01/2020 SES/SEDUC
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