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Saúde

- Publicada em 14h14min, 03/03/2021.

Coronavírus no RS: do cenário promissor ao colapso em menos de um mês

Hospitais gaúchos chegaram a 2.883 pacientes com Covid-19 em leitos intensivos

Hospitais gaúchos chegaram a 2.883 pacientes com Covid-19 em leitos intensivos


SILVIO AVILA/HCPA/DIVULGAÇÃO/JC
Juliano Tatsch
O Rio Grande do Sul bateu às portas do colapso em seu sistema de saúde. Nesta quarta-feira (3), a ocupação de leitos em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) no Estado ultrapassou a marca de 100%, chegando a 100,7% pela manhã, com 2.883 pacientes para 2.864 leitos. Destes, 1.838 – 63,8% - estão hospitalizados em estado grave em razão do novo coronavírus. Outras 226 pessoas estão em leitos intensivos com suspeita de contaminação pelo Sars-COV-2.
O Rio Grande do Sul bateu às portas do colapso em seu sistema de saúde. Nesta quarta-feira (3), a ocupação de leitos em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) no Estado ultrapassou a marca de 100%, chegando a 100,7% pela manhã, com 2.883 pacientes para 2.864 leitos. Destes, 1.838 – 63,8% - estão hospitalizados em estado grave em razão do novo coronavírus. Outras 226 pessoas estão em leitos intensivos com suspeita de contaminação pelo Sars-COV-2.
Além disso, 3.750 gaúchos com diagnóstico confirmado de Covid-19 estão em leitos clínicos em tratamento para a doença. O cenário, por si só, já é desesperador, com hospitais tendo de alugar contêineres refrigerados para abrigar corpos de vítimas. No entanto, a velocidade com que se chegou a esse quadro é que acabou por pegar a rede de saúde, pública e privada, despreparada para absorver tamanha demanda de pacientes.
No dia 3 de fevereiro, o Rio Grande do Sul tinha 794 pessoas hospitalizadas em UTIs com o novo coronavírus. De lá para cá, ocorreu um aumento de 263% no total de pacientes hospitalizados em estado grave nos hospitais gaúchos. Em leitos clínicos, eram 919 pessoas com a doença. Hoje são 3,750.
O crescimento acentuado da curva de internações por causa da Covid-19 fez com que os hospitais do Estado não conseguissem dar conta de abrir vagas para receber a grande quantidade de novos pacientes. Somado a isso, a carência de profissionais intensivistas especializados em acompanhar pessoas em situação grave também impacta no sistema de saúde.
A equação já não fecha. Procurar culpados não vai resolver o problema, ainda que eles existam – sejam governos que não agiram corretamente, seja a população que desrespeitou as normas de segurança sanitária, seja o próprio vírus que mutou trazendo novos desafios aos profissionais da saúde.
No dia 3 de fevereiro, o Rio Grande do Sul tinha 703 leitos livres em Unidades de Tratamento Intensivo. Nesta quarta-feira, faltavam 19 leitos para receber pacientes com gravidade.
Somente nos últimos 10 dias, o total de pessoas internadas em UTI em razão da doença cresceu 68,9% - saltando de 1.088 no dia 21 de fevereiro para os 1.838 desta quarta-feira. São 750 novos pacientes graves em 10 dias, média de 75 hospitalizações novas por dia.
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Conforme a Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS), nesse ritmo de aumento de demanda, seria necessária a abertura de 60 novos leitos de UTI por dia no Rio Grande do Sul. “Isso jamais será possível”, disse a secretária Arita Bergmann.
Desde o início da pandemia, o total de leitos intensivos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado disparou, passando de 933 para 2.154, um aumento de 130,8% em cerca de um ano. São 1.221 novas vagas em menos de 365 dias e, ainda assim, insuficientes para dar conta da quantidade de pacientes batendo às portas dos hospitais diariamente.
A lotação não se dá somente nos leitos intensivos. A entrada de pacientes na rede hospitalar, na maioria dos casos, se dá através dos leitos de clínicos. Os casos em que as pessoas chegam diretamente nas UTIs não são raros, mas são menores do que o de pacientes que, já no hospital, pioram e necessitam de tratamento intensivo.
Nesta quarta-feira, em todo o Rio Grande do Sul, 3.750 gaúchos e gaúchas estão hospitalizados em leitos de enfermaria com a Covid-19. Há um mês, eram 919. Ou seja, em 30 dias, o número de pessoas internadas com quadro regular da doença saltou incríveis 308%. Somando-se casos confirmados e suspeitos, o número passou de 1.350 para 4.633 – crescimento de 243,1% no período.
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A pressão nas enfermarias antecipa a pressão nas UTIs. Assim, a possibilidade de que a ocupação nas unidades intensivas cresça nos próximos dias não só existe como é provável. De acordo com a SES-RS, 60% das pessoas que são internadas em UTIs no RS acabam morrendo. Seis em cada 10 entram no leito intensivo, mas não saem dele.
Com a chegada e disseminação das variantes do vírus, mais contagiosas, o desafio cresce. Já foram identificadas, pelo menos, 19 linhagens diferentes circulando em território gaúcho. Dessa forma, em um cenário em que a vacinação ainda está restrita a grupos específicos e inexiste medicação própria para o tratamento, as recomendações lá do início da pandemia seguem sendo as melhores formas de evitar o contágio, reduzir a lotação hospitalar e, consequentemente, salvar vidas: distanciamento social, higiene pessoal e o uso de máscaras.
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