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Saúde

- Publicada em 14h31min, 02/03/2021. Atualizada em 19h29min, 02/03/2021.

RS atinge 100% de lotação em leitos de UTI na pandemia

Com lotação de UTIs, emergências como a do HCPA registram fila cada vez maior de doentes

Com lotação de UTIs, emergências como a do HCPA registram fila cada vez maior de doentes


CLÓVIS PRATES/HCPA/DIVULGAÇÃO/JC
Patrícia Comunello
Atualizada às 19h20min
Atualizada às 19h20min
Pela primeira vez na pandemia o Rio Grande do Sul atinge a marca de 100% de ocupação de leitos de UTI. São 2.827 vagas no sistema. O esgotamento da capacidade, apontado no começo da tarde desta terça-feira (2) pela Secretaria Estadual da Saúde (SES), não significa que não haja vagas em algumas unidades. Como muitas localidades já mantêm doentes acima da capacidade instalada acabam puxando ainda mais a taxa de utilização. 
No fim da manhã, havia ainda 46 leitos livres, segundo o painel de dados. No começo da noite, o número caiu para 10. O nível de ocupação varia a cada hora. No começo da tarde, também subiu o número de regiões Covid, que são um total de 21, com a estrutura comprometida. De sete áreas, agora são dez com UTIs lotadas com o acréscimo de Porto Alegre (101%), Palmeira das Missões (106%) e Cachoeira do Sul (105%).      
No Brasil, a situação também evolui para maior nível de uso da capacidade.
A região Covid de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos e que compõe a Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), apresenta a situação mais caótica. No mapa, as três bolinhas estão em azul, que indica nível acima de 100% de uso da capacidade, a condição mais grave da estrutura, que aponta colapso. São 10 hospitais na região. 
Diante deste quadro, a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, e o presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Maicon Lemos, pediram que os municípios deixem toda a rede básica disponível a casos menos complexos de Covid-19 e ainda mantenham os postos abertos até mais tarde e em fins de semana. A intenção é evitar que mais demanda chegue a prontos atendimentos e hospitais. 
A prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt, diz que até agora foi possível assegurar que todos os pacientes em UTis que necessitem tenham respiradores. "A situação é muito difícil", resume a prefeita, sobre o nível de demanda na UT Covid do hospital municipal. Ela explica que, até agora, foi possível dar conta da demanda usando respiradores e leitos de retaguarda.
"Nenhum hamburguense deixou de ser atendido", garante a prefeita, comentando que o centro Covid da instituição foi ampliado e que a ampliação de leitos de UTI, que é possível, vai depender da oferta de profissionais. "O problema maior é a escassez de equipes médicas e técnicas."   
A região tem os três indicadores monitorados com a cor azul: UTIs, leitos clínicos Covid fora de UTI e respiradores em UTIs. Novo Hamburgo, que é o maior centro, tem as UTis com mais de 100% de lotação.  
Outras duas regiões mostram dois indicadores em azul: Lajeado (117% de uso de UTIs e 109% de leitos clínicos) e Capão da Canoa (103% de uso de UTIs e 131% de leitos clínicos). Outras quatro regiões Covid com superlotação em leitos intensivos são: Santa Cruz do Sul (11%), Taquara (102%), Caxias do Sul (105%) e Guaíba (109%). 
A pandemia tem registrado marcas recordes desde a semana passada, quando a pressão por internações em diversos níveis disparou. Com isso, o Estado passou a ter todas as regiões com bandeira preta, que fecha setores econômicos e restringe permanência em parques, praças e praias.
Nos leitos clínicos, o crescimento de casos é outro flanco de preocupação. Eram quase 3,5 mil de Covid e 828 suspeitos. A oferta total é de 6,6 mil vagas, com ocupação nesta terça-feira de 65%. 
A secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, chegou a falar, em entrevista em janeiro, que considerava que a oferta de vagas fora de UTIs, de mais de 6 mil, daria conta da demanda, mas, no mês passado, a pandemia não apresentava a deterioração que é verificada desde o fim de fevereiro.
Diante do esgotamento próximo, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) acionou o último nível de emergência do plano de combate à crise. Com isso, podem ser requisitadas estruturas hospitalares, incluindo privados.    

Porto Alegre ultrapassa limites em diversos hospitais 

Em Porto Alegre, as UTIs apresentam 101% de ocupação, patamar que não é mais novidade e vem sendo alcançado desde o fim de semana. São 544 casos com o novo coronavírus e 67 suspeitos. Do total de 912 leitos, 905 estão ocupados. A cada dia, novas vagas são acrescidas. 
Dos 17 hospitais com dados no painel de monitoramento, 10 estão cm unidades de tratamento intensivo superlotadas. O Hospital de Clínicas (HCPA) tem 110% de lotação. Tem estabelecimento com situação pior: o Moinhos de Vento tem 120% de lotação. O Independência tem 105% de utilização.
Outros hospitais com uso total da capacidade são o São Lucas, Mãe de Deus, Ernesto Dornelles, Porto Alegre, Vila Nova, Restinga e Santa Ana. O Hospital Beneficência Portuguesa, que começou a receber pacientes no fim de semana em leitos clínicos e UTIs, terá os dados também no painel.
Além das UTIs em boa parte esgotadas, a fila de espera de doentes em emergências que precisam de UTI soma 221, que engloba casos Covid, com outras complicações e usando ventilação mecânica precisando de cuidados em leitos intensivos.   
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