Porto Alegre, terça-feira, 21 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
terça-feira, 21 de julho de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

- Publicada em 21h26min, 21/07/2020. Atualizada em 21h28min, 21/07/2020.

Pazuello justifica por que interrompeu financiamento à pesquisa sobre a Covid-19 desenvolvida pela UFPel

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a pesquisa tinha um recorte regional, mas o estudo aborda a expansão do vírus em várias regiões do Brasil

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a pesquisa tinha um recorte regional, mas o estudo aborda a expansão do vírus em várias regiões do Brasil


Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini/JC
Marcus Meneghetti
A pesquisa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) sobre a Covid-19 estava "muito boa", mas o governo federal interrompeu o financiamento, porque estava com dificuldades em relacioná-la com a realidade nacional. Esta foi a justificativa do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, para a decisão de não renovar o contrato de financiamento do estudo coordenado pela UFPel - que tem sido referência no mundo todo. Pazuello foi questionado sobre o assunto nesta terça-feira (21), durante a coletiva de imprensa virtual que sucedeu a reunião com o governador Eduardo Leite (PSDB), no Palácio Piratini. 
A pesquisa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) sobre a Covid-19 estava "muito boa", mas o governo federal interrompeu o financiamento, porque estava com dificuldades em relacioná-la com a realidade nacional. Esta foi a justificativa do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, para a decisão de não renovar o contrato de financiamento do estudo coordenado pela UFPel - que tem sido referência no mundo todo. Pazuello foi questionado sobre o assunto nesta terça-feira (21), durante a coletiva de imprensa virtual que sucedeu a reunião com o governador Eduardo Leite (PSDB), no Palácio Piratini. 
"A pesquisa estava muito boa, mas estava com dificuldade de a gente ter uma posição nacional. Pra efeito de Brasil, a gente teria que mudar alguns focos do que foi contratado pelas universidades. Estamos discutindo isso. Fica muito regionalizada a pesquisa desta forma e tivemos dificuldades para transferir, para fazer uma triangulação das ideias para efeito de Brasil como um todo. O Brasil é muito heterogêneo. Precisaríamos de pesquisas individualizadas em cada região do Brasil. É o que estamos avaliando.", respondeu o ministro interino.
Entretanto, ao contrário do que disse Pazuello, a pesquisa da UFPel investiga a velocidade de expansão do coronavírus entre os brasileiros, não só entre os gaúchos. O estudo - denominado Epicovid - iniciou focado no Rio Grande do Sul, mas foi expandido para o resto do Brasil, graças ao financiamento do próprio Ministério da Saúde - que aportou R$ 12 milhões nos trabalhos até agora. 
A pesquisa forneceu informações valiosas ao governo Leite, para a formulação do modelo de Distanciamento Controlado. Apesar disso, Eduardo Leite - que estava sentado ao lado de Pazuello na coletiva desta terça - não se pronunciou sobre o corte de verba à pesquisa da UFPel.
A pesquisa foi realizada em três etapas, já encerradas. Os pagamentos foram feitos em três parcelas, a última quitada nesta semana. Os trabalhos eram coordenados pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel e executados pelo Ibope. Após a conclusão da terceira etapa do levantamento, realizada no início de julho, o Ministério da Saúde não demonstrou interesse e renovar o financiamento da pesquisa junto à universidade gaúcha.
A UFPel busca, agora, formas alternativas de bancar o estudo. Segundo o reitor da universidade, Pedro Hallal, negociações com instituições de pesquisa e com a iniciativa privada já estão em andamento. O objetivo é evitar que o trabalho seja interrompido em um momento em que a pandemia segue em alta no País.
Em entrevista à Rádio Gaúcha na manhã desta segunda-feira (21), Hallal afirmou que a decisão do ministério é “totalmente política” e que o presidente da República, Jair Bolsonaro, “não sabe o que fazer” com os dados.
Comentários CORRIGIR TEXTO