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Saúde

Notícia da edição impressa de 19/06/2020. Alterada em 18/06 às 21h25min

Indígenas são testados após caso de Covid-19 na Capital

Secretaria realizou a testagem em 51 indígenas uma aldeia

Secretaria realizou a testagem em 51 indígenas uma aldeia


Frederico Maroso/SMS/Divulgação/JC
Yasmim Girardi
Após o primeiro caso de Covid-19 em um território indígena Kaingang de Porto Alegre ter sido registrado na quarta-feira, a equipe de saúde indígena do Núcleo de Equidade em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e o laboratório responsável pela coleta testaram 51 indígenas dessa etnia na manhã desta quinta-feira. O homem indígena de 53 anos foi diagnosticado com a doença na segunda-feira e a área técnica da Saúde dos Povos Indígenas da SMS acredita que ele pode ter sido infectado em uma viagem à trabalho na Serra Gaúcha. O resultado dos exames PCR está previsto para sair nesta sexta-feira.
Após o primeiro caso de Covid-19 em um território indígena Kaingang de Porto Alegre ter sido registrado na quarta-feira, a equipe de saúde indígena do Núcleo de Equidade em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e o laboratório responsável pela coleta testaram 51 indígenas dessa etnia na manhã desta quinta-feira. O homem indígena de 53 anos foi diagnosticado com a doença na segunda-feira e a área técnica da Saúde dos Povos Indígenas da SMS acredita que ele pode ter sido infectado em uma viagem à trabalho na Serra Gaúcha. O resultado dos exames PCR está previsto para sair nesta sexta-feira.
Segundo dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai/MS), até a tarde de quarta-feira, o Brasil contava com cerca de 3,3 mil casos confirmados de indígenas contaminados pelo coronavírus e 107 óbitos. O Rio Grande do Sul integra o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Interior Sul da Sesai/MS que, ao todo, soma 184 casos confirmados. De acordo com a SMS, o Estado já apresenta mais de 80 indígenas com Covid-19.
Ao total, são dez aldeias indígenas de três etnias diferentes (Charrua, Guarani e Kaingang) situadas em Porto Alegre. A responsável pela área técnica do Núcleo de Equidade da secretaria, Rosa Maris Rosado, afirma que a maioria dos casos no Rio Grande do Sul registrados até o momento são de pessoas da etnia Kaingang. "Além da etnia Kaingang ser a mais numerosa no Estado, eles participam muito das feiras e do comércio em centros urbanos. Acredito que a maioria dos casos esteja nessa etnia justamente por eles terem mais atividades fora das aldeias", explica.
A SMS testou um terço dos quase 150 moradores da aldeia Kaingang em questão. Segundo Rosa, muitos indígenas dessa etnia têm problemas como diabetes e hipertensão, por exemplo. Ela explica que isso aumenta ainda mais o risco de infecção. O homem infectado tem diabetes. "Os indígenas são extremamente vulneráveis às doenças infecto-respiratórias, como a Covid-19, sendo essa a principal causa de mortalidade nesse público", explica Rosa. Os parentes que estavam trabalhando com ele na Serra Gaúcha também retornaram com sintomas.
Entre os testados na manhã desta quinta-feira, estavam os anciões da aldeia, idosos e portador de diabetes e hipertensão. Por serem um coletivo, quando o homem contaminado adoeceu, os idosos foram na casa dele realizar rezas de cura. "Estou muito preocupada com isso. Os anciões são como se fossem as bibliotecas dos povos indígenas. Quando um ancião morre, o povo em questão perde saberes ancestrais e conhecimento sobre os rituais e práticas espirituais importante para a reprodução da cultura", justifica Rosa.
Além dos testes, a comunidade limpou uma escola que não estava sendo utilizada na aldeia para servir de centro de isolamento para os casos suspeitos de Covid-19. "Existe esse autocuidado comunitário muito forte. Então, a partir das orientações da equipe de saúde indígena e da orientação do cacique, eles se organizaram e criaram esse espaço", conta a responsável técnica. Ela afirma, ainda, que a equipe de Saúde Indígena que atua em seis aldeias está toda na aldeia em questão e que, por causa do elevado grau de espalhamento do vírus nas áreas indígenas que já foi identificado em outras cidades, a SMS está se preparando para caso ocorra um aumento no número de casos.
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