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Pesquisa

- Publicada em 18h52min, 15/04/2020. Atualizada em 19h15min, 15/04/2020.

Governo gaúcho divulga primeira amostra de pesquisa da UFPel sobre Covid-19

Teste utiliza amostra de uma gota de sangue da ponta do dedo do participante

Teste utiliza amostra de uma gota de sangue da ponta do dedo do participante


ANTONIO CRUZ/ABR/JC
Gabriela Porto Alegre
O governo do Estado anunciou nesta quarta-feira (15), através de uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o resultado preliminar da primeira amostra da pesquisa que visa estimar o percentual da população gaúcha infectada pelo novo coronavírus (Covid-19). A primeira etapa do levantamento, que faz parte de uma série de quatro inquéritos populacionais, foi realizada no período entre 11 a 13 de março, em nove cidades gaúchas, escolhidas de acordo com critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas cidades de Pelotas, Santa Maria, Santa Cruz, Uruguaiana, Passo Fundo, Ijuí, Caxias, Canoas e Porto Alegre, foram aplicados cerca de 4.169 testes.
O governo do Estado anunciou nesta quarta-feira (15), através de uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o resultado preliminar da primeira amostra da pesquisa que visa estimar o percentual da população gaúcha infectada pelo novo coronavírus (Covid-19). A primeira etapa do levantamento, que faz parte de uma série de quatro inquéritos populacionais, foi realizada no período entre 11 a 13 de março, em nove cidades gaúchas, escolhidas de acordo com critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas cidades de Pelotas, Santa Maria, Santa Cruz, Uruguaiana, Passo Fundo, Ijuí, Caxias, Canoas e Porto Alegre, foram aplicados cerca de 4.169 testes.
De acordo com o reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Rodrigues Curi Hallal, instituição que firmou parceria com o governo gaúcho para realização da pesquisa, dos 4.169 testes realizados, dois testaram positivo para a doença, o que equivale a 0,05% da população com anticorpos para a Covid-19, ou seja, um infectado a cada 2 mil habitantes.
O resultado desta primeira fase estima que 5.650 pessoas já têm anticorpos para a Covid-19. "Temos cerca de 700 casos visíveis na ponta do iceberg, mas quando mergulhamos, encontramos mais outros casos de pessoas que não fizeram o teste, que não foram às unidades de saúde ou foram assintomáticas para a doença", afirma Hallal. O estudo estima que, para cada 1 milhão de habitantes do Rio Grande do Sul, existam 500 infectados reais, apenas 65 casos notificados, e 1,2 morto. Considerando cada caso notificado nas nove cidades, o estudo identifica que existam cerca de quatro casos não notificados.
No dia 1º de abril haviam 384 casos confirmados da doença no Estado, no entanto, o resultado da pesquisa demonstra que o contágio é 15 vezes maior que o número de diagnósticos ou 11 vezes o número de casos coletados.
Em relação às políticas de distanciamento social, o estudo demonstra que 20,6% dos entrevistados continuam saindo de casa diariamente, 21,1% ficam em casa o tempo todo, e 58,3% saem apenas para atividades essenciais, como ir ao mercado ou a farmácia. Dos que ficam em casa o tempo todo, 26% são do sexo feminino e 14,3% do sexo masculino. Entre os idosos acima de 60 anos, 35,9% ficam em casa o tempo todo. "Os idosos estão entendendo a mensagem de que devem ficar em casa. A pandemia está em estágio inicial no Rio Grande do Sul. Esses dados servirão como linha de base para o filme da evolução da Covid-19. A velocidade de propagação da doença depende das medidas de distanciamento social, ou seja, quanto mais a população aderir ao isolamento, mais devagar vai se propagar", alerta o reitor da UFPel.
Conforme o governador Eduardo Leite, as decisões tomadas até o momento em relação às políticas de isolamento social estão ajudando o Estado a estruturar o sistema de saúde. "Os resultados mostram que fizemos uma mobilização acertada, pois temos baixa velocidade de contaminação e uma das mais baixas taxas de mortalidade do Brasil".
As próximas etapas da pesquisa serão realizadas em intervalos de quinze dias, com inícios previstos para 25 de abril, 9 de maio e 23 de maio. A população será escolhida ao acaso, em cerca de 500 residências por cidade, assim como aconteceu na primeira fase. Em cada local, uma pessoa da família será escolhida para fazer o exame.
O teste utiliza uma amostra de sangue (uma gota) da ponta do dedo do participante, que é analisada pelo aparelho de teste em aproximadamente 15 minutos. Enquanto o resultado é processado, os entrevistadores aplicam um breve questionário sobre informações sociodemográficas básicas, sintomas da Covid-19 nas últimas semanas, busca por assistência médica e rotina da família em relação às medidas de prevenção e isolamento social.
O exame detecta a presença de anticorpos, as imunoglobulinas IgM e IgG, que são defesas produzidas pelo organismo somente depois de sete a dez dias da data de contágio pelo vírus. Dentro desse período, o resultado pode apontar negativo, mesmo que a pessoa tenha contraído o coronavírus. Em caso de resultado positivo, os participantes recebem um informativo com orientações e são contatados pela secretaria de saúde local.
O levantamento vai abranger um público de 18 mil pessoas. A partir desses resultados, será possível elaborar estratégias de saúde pública mais consistentes para o enfrentamento à Covid-19.
O estudo, coordenado pela UFPel, conta com o apoio do Ministério da Saúde e a parceria de outras 11 instituições de ensino superior públicas e privadas: universidades federais do Rio Grande do Sul; de Ciências da Saúde de Porto Alegre; do Pampa; de Santa Maria e da Fronteira Sul, e universidades do Vale do Rio dos Sinos; de Santa Cruz do Sul; Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul; de Caxias do Sul; de Passo Fundo (UPF) e Imed.
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