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Coronavírus

- Publicada em 16h13min, 07/04/2020. Atualizada em 12h04min, 08/04/2020.

Serviços contábeis são mais necessários na crise

Profissionais auxiliam a reavaliar o caminho de gestão das empresas e refazer projeções financeiras

Profissionais auxiliam a reavaliar o caminho de gestão das empresas e refazer projeções financeiras


/Waewkidja Freepik Divulgação JC
Roberta Mello
"Na crise, o contador é o médico do seu negócio." A frase é o slogan de uma campanha de valorização do serviço prestado pelo profissional contábil no momento em que muitos empreendedores têm de reavaliar o caminho de gestão das empresas e refazer projeções financeiras em função dos reflexos da pandemia do novo coronavírus. A ação é do Sindicato das Empresas Contábeis do Rio Grande do Sul (Sescon/RS) e resume um sentimento dos profissionais: é preciso focar em como sanar as atividades econômicas.
"Na crise, o contador é o médico do seu negócio." A frase é o slogan de uma campanha de valorização do serviço prestado pelo profissional contábil no momento em que muitos empreendedores têm de reavaliar o caminho de gestão das empresas e refazer projeções financeiras em função dos reflexos da pandemia do novo coronavírus. A ação é do Sindicato das Empresas Contábeis do Rio Grande do Sul (Sescon/RS) e resume um sentimento dos profissionais: é preciso focar em como sanar as atividades econômicas.
Na área da saúde, quando uma pandemia de projeção mundial como a que estamos encarando atinge em cheio uma localidade, é preciso voltar todos os esforços ao tratamento e à proteção das pessoas, principalmente as mais vulneráveis. No caso dos negócios, a diretriz não deve ser diferente. É preciso eleger o que é mais urgente e focar na resolução de problemas que podem se tornar vitais às companhias.
A ideia da campanha surgiu justamente como forma de reconhecer a importância dos profissionais contábeis para saúde financeira das empresas. "Queremos demonstrar o tanto de responsabilidade que os contadores carregam em seus ombros, e que deve aumentar em breve, em especial quando for retomado o ritmo dos negócios", destaca o presidente do Sescon/RS, Célio Levandovski.
O papel de facilitador para o empresário, diz o dirigente, também ganha mais peso e importância e exige dedicação extra dos contadores. "Neste momento de crise, o contador é imprescindível pois, a cada dia, há uma enxurrada de novas normas, medidas provisórias, portarias e leis que muitas vezes são até conflitantes, e será preciso tomar mais decisões" argumenta Levandovski, que também é empresário contábil.
O dirigente se refere ao grande volume de recentes decisões dos governos federal, estaduais e municipais para postergar a entrega de dados, suspender algumas multas por atraso e o pagamento de tributos. Há ainda medidas econômicas com injeção direta de recursos na economia, como a subvenção ao pagamento da folha de funcionários por dois meses. As novidades, muitas delas ainda em fase de discussão ou regulamentação, passam principalmente pelas áreas tributária, fiscal e trabalhista e exigem posicionamento dos profissionais contábeis.
A presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRCRS), Ana Tércia Lopes Rodrigues, lembra que a suspensão ou prorrogação nos prazos de entregas de obrigações, a exemplo do que ocorreu com a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, são demandas apresentadas por entidades representativas da classe principalmente para garantir que empresários, contadores e advogados se dediquem à gestão dos negócios. "É preciso tempo para estudar as medidas anunciadas, avaliar se são plausíveis para cada realidade, consultar colegas, avaliar o grau de insegurança jurídica e treinar a equipe", enumera Ana.
Enquanto as mudanças são vistas como extremamente necessárias, a categoria ganha mais responsabilidade. Ana admite que há uma pressão enorme sobre os profissionais, "mas, ao mesmo tempo, que nunca foi tão clara a sua importância em apresentar alternativas para enfrentar a crise".

Contadores estão na linha de frente para recuperação dos negócios

Roberta Mello
Um termo bastante usado entre profissionais de diversas áreas e repetido exaustivamente desde o ano passado vem à tona: disrupção. A palavra, até alguns anos atrás pouco usada, entrou no vocabulário de todos e virou questão de sobrevivência para os empreendimentos. Em 2018 e 2019 foi motor de discussões, tema de eventos e levou muita gente a implementar novos processos.
Disrupção significa, de acordo com o dicionário Michaelis, "quebra de um curso normal de um processo". Na prática, ela é o primeiro passo para parar, refletir e, quem sabe, adotar um rumo diferente, mais tecnológico e inovador.
"Mas ninguém imaginava que teríamos de colocar isso em prática tão rápido", reflete o presidente do Sescon/RS, Célio Levandovski. Ele salienta que além de atender ao cliente, o empresário contábil também tem que fazer a gestão do seu negócio, adaptar a estrutura para o home office, fazer a gestão do caixa e manter a equipe coesa, mesmo à distância.
"Como se não bastasse tudo isso, também temos de dar conta da nossa saúde e da nossa família", complementa a presidente do CRCRS, Ana Tércia. Por isso, é o momento de sair da zona de conforto, experimentar diferentes formatos e modelos de realização das atividades com auxílio das novas tecnologias, indica Ana.
Hoje, grande parte dos contadores e escritórios gaúchos já adaptou o serviço prestado à nova dinâmica social. A maioria está em esquema de teletrabalho - o home office. Segundo informações do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o Rio Grande do Sul tem 37,7 mil contadores e 4,4 mil organizações contábeis. O Estado é quinto em número de organizações no Brasil - atrás de São Paulo (21 mil), Minas Gerais (7,5 mil), Rio de Janeiro (5,4 mil) e Paraná (5,3 mil).
Porém, nem todos os escritórios tiveram de fechar as portas. Existem casos em que o escritório e a residência são juntos e o proprietário acaba trabalhando no mesmo lugar de antes, mas com as portas fechadas ao público, exemplifica Levandovski.
Também há municípios gaúchos em que o trabalho do contador é considerado serviço essencial. Segundo levantamento do Sescon/RS, Erechim, Panambi, São Lourenço, Bento Gonçalves, Encantado e Jaguarão são algumas das cidades do interior do Estado que incluíram em seus decretos com medidas de enfrentamento à pandemia os contadores entre aquelas categorias que podem continuar prestando serviços.
Em todos os casos, porém, é essencial seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de manter os locais limpos e arejados, evitar aglomerações, lavar sempre as mãos e evitar contato físico. Outra recomendação, esta feita por Levandovski, é ser solidário, prestar ajuda aos colegas, compartilhar ideias que estão dando certo e trabalhar em conjunto.
 

Trabalhar de casa pode se revelar um bom aprendizado

Caroline diz que dificuldades são normais e é preciso pedir ajuda
Caroline diz que dificuldades são normais e é preciso pedir ajuda
/Davi Adorna Divulgação JC

Com o avanço da tecnologia, as barreiras de tempo e espaço foram rompidas dando espaço a novos modelos de negócio e até mesmo de trabalho. A gestão das organizações e o cumprimento de obrigações fiscais são algumas das tarefas inerentes aos negócios em geral que já vêm há algum tempo tirando proveito das facilidades tecnológicas.

Porém, a rotina de trabalho normalmente continuava ocorrendo como sempre: presencialmente.
Com a necessidade da adoção de medidas de distanciamento social, o teletrabalho se impõe como uma saída. E o CEO da plataforma de recrutamento digital Connekt e doutor em psicologia social, Celson Hupfer, acredita que surpresas positivas aos profissionais e às organizações podem surgir.

"Já existem estudos que comprovam a eficácia do home office. Quando bem-feito, ele pode elevar os índices de produtividade e flexibilidade da equipe. Para o colaborador, pode significar menos estresse e maior disposição", argumenta.

Mas é preciso criar uma rotina saudável e seguir regras básicas. A psicóloga clínica, recrutadora e gestora de recursos humanos, Caroline Rodrigues Ferreira, destaca que o home office é uma novidade para muitas pessoas e, por isso, o novo momento requer adaptação.

Ela explica que, além de toda tensão gerada pela pandemia, "a mudança na rotina pode ser mais uma coisa que mexe com a atenção, com a ansiedade e com a vida em geral" dos trabalhadores.

Para ajudar quem está enfrentando os desafios dessa nova dinâmica, Caroline dá dicas para tornar o teletrabalho mais organizado, produtivo e prazeroso e salienta: "se estiver difícil, peça ajuda". "Não precisa ficar com o peso da sobrecarga sobre você. Cuide da sua saúde mental", indica.

Veja algumas dicas para tornar o home office mais eficaz

Procure manter a rotina habitual: tente seguir os mesmos horários de quando não estava em quarentena para acordar e dormir, para fazer suas refeições e para seus momentos de lazer e descanso;

Planeje suas tarefas do dia: vale fazer listas de afazeres no papel ou em aplicativos. Visualizar suas tarefas ajuda a definir quais são as prioridades;

Organize seu espaço de trabalho: tenha um local em que fique confortável e onde não haja muitas distrações;

Comunique-se com os colegas: continue em contato com a equipe, troque dicas e peça ajuda se precisar;

Faça combinações com a família: converse com quem você mora sobre seu tempo e responsabilidades. Avise em quais horários não pode ser interrompido e, se lhe ajudar a manter o foco, use fones ou ouça música.

Valide seus sentimentos: o home office é uma novidade e requer adaptação ao ambiente e ao ritmo de trabalho. Quando se sentir cansado ou sobrecarregado, faça uma pausa, dê uma voltinha pela casa e permita-se descansar um pouco.

Fonte: Caroline Rodrigues Ferreira, psicóloga

Auditores comemoram prazo mais largo para apresentar as demonstrações à CVM

Alaniz aponta como fundamental o fato de todas as inscritas terem seu trabalho avaliado por outra empresa
Alaniz aponta como fundamental o fato de todas as inscritas terem seu trabalho avaliado por outra empresa
/IBRACON/DIVULGAÇÃO/JC

O auditor e presidente da 6ª Regional do Instituto Brasileiro de Auditores Independentes (Ibracon), Paulo Alaniz, estima que "todas as empresas de auditoria tenham sido afetadas em alguma medida. Mesmo assim, "o processo de adaptação precisa acontecer".

Segundo Alaniz, a premissa agora deve ser a de preservar as pessoas para depois enfrentar as questões econômicas da melhor maneira possível. Ele participou de uma conversa on-line ao vivo promovida pelo CRCRS na semana passada e comentou que "desde o início de março já se podia perceber que entraríamos em uma fase difícil pelo menos até 31 de março" - prazo para muitas companhias de capital aberto entregarem demonstrações financeiras à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), e que exige trabalho incansável dos auditores independentes.

Além disso, muitas empresas de auditoria adotaram o teletrabalho, o que exigiu adaptação das e equipes. Paralelamente, começou a preSÂO

Alaniz explica que a Medida Provisória 931, de 30 de março, veio como resposta a essa demanda e deu prazo maior tanto para a apresentação das demonstrações de 2019 quanto da primeira Informação Trimestral (ITR) de 2020.

A Deliberação CVM 849, em linha com a MP 931/20, adia em dois meses o prazo de entrega de informações periódicas das companhias abertas, como demonstrações financeiras, formulários trimestrais, formulário cadastral, formulário de referência e o informe sobre o Código Brasileiro de Governança Corporativa. A norma também prevê o adiamento do prazo de entrega do relatório produzido pelos agentes fiduciários e permite que as assembleias dos fundos de investimento regulados pela CVM sejam realizadas de maneira virtual.

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