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Saúde

Notícia da edição impressa de 26/03/2020. Alterada em 25/03 às 21h16min

Após fala de Bolsonaro, Mandetta diz que fica e pede racionalidade em quarentena

Ministro defendeu que melhores critérios sejam conversados entre Ministério e governadores

Ministro defendeu que melhores critérios sejam conversados entre Ministério e governadores


MARCOS CORRÊA/PR/JC
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, endossou nesta quarta-feira (25) o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro e criticou medidas fortes de restrições de circulação por causa da pandemia de coronavírus. Mandetta falou em racionalidade e afirmou que as determinações sobre quarentena foram feitas de formas desorganizadas, precipitadas e ocorreram muito cedo.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, endossou nesta quarta-feira (25) o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro e criticou medidas fortes de restrições de circulação por causa da pandemia de coronavírus. Mandetta falou em racionalidade e afirmou que as determinações sobre quarentena foram feitas de formas desorganizadas, precipitadas e ocorreram muito cedo.
Ele defendeu que haja melhores critérios conversados entre Ministério da Saúde e governadores. "Temos que melhorar esse negócio de quarentena, foi precipitado, foi desarrumado", disse. Mandetta afirmou que as restrições de circulação podem comprometer, inclusive, o sistema de saúde.
O ministro participou de entrevista coletiva realizada de forma remota, mas fez apenas uma fala inicial. Ele se retirou antes de atender às perguntas encaminhadas pelos jornalistas. Em sua fala, Mandetta disse que fica no cargo e só sai quando o presidente achar que ele não serve ou se ficar doente.
Da mesma forma, disse defender critérios de quarentena baseados em patamares de números de casos de cada estado. Assim, medidas poderiam ser tomadas de acordo com o avanço da doença. Também citou as preocupações econômicas, um dos principais argumentos de Bolsonaro. "Se não tivermos cuidado com atividade econômica, essa onda de dificuldade que a saúde vai trazer vai provocar uma onda de dificuldade ainda maior com crise econômica", diz.
Em pronunciamento na noite de terça-feira, Bolsonaro criticou o fechamento de escolas e do comércio, contrariou orientações dos órgãos de saúde e atacou governadores. Assim como Bolsonaro, o ministro da Saúde também citou alternativas para a quarentena, que poderia ser focada apenas em idosos e em pessoas com sintomas.
"Tem várias maneiras de fazer quarentena, a horizontal, a vertical, isso tudo tem um bando de gente estudando. Não vamos fazer nada que a gente não tenha confiança", disse. Também falou da importância da fé. "Que as igrejas fiquem abertas, mas não se aglomerem."
Segundo pesquisa Datafolha, o ministério que Mandetta coordena é mais bem avaliado que o presidente da República na crise do coronavírus. Dos 1.558 entrevistados entre 18 e 20 de março, 55% aprovam o trabalho da pasta da Saúde. Já Bolsonaro tem sua gestão da pandemia aprovada por 35%.
No domingo, em entrevista à CNN Brasil, Bolsonaro afirmou que Mandetta havia exagerado e usado palavras inadequadas. Ele se referia à declaração de que, em abril, o sistema de saúde entrará em colapso. Nos bastidores, o presidente cobrou do médico um discurso mais afinado ao do Palácio do Planalto no combate à pandemia do coronavírus.