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Saúde

- Publicada em 20h57min, 01/04/2020.

Em meio à pandemia, pais devem trabalhar questões emocionais com filhos

Pais devem ficar atentos a comportamentos extremos, como raiva, e tristeza profunda

Pais devem ficar atentos a comportamentos extremos, como raiva, e tristeza profunda


JOHN MOORE/GETTY IMAGES/AFP/JC
Yasmim Girardi
No dia 23 de março, Helena Garcia Nunes comemorou dois anos de idade. A festa de aniversário aconteceu na internet, em uma chamada de vídeo reunindo amigos e parentes. É dessa forma que os pais tiveram que adaptar a realidade dos filhos durante a quarentena do novo coronavírus (Covid-19). Com a suspensão das aulas até 30 de abril e a alteração do regime de trabalho presencial para o home office, pais e mães estão tendo dificuldades de equilibrar o trabalho, as atividades domésticas e a atenção para os filhos.
No dia 23 de março, Helena Garcia Nunes comemorou dois anos de idade. A festa de aniversário aconteceu na internet, em uma chamada de vídeo reunindo amigos e parentes. É dessa forma que os pais tiveram que adaptar a realidade dos filhos durante a quarentena do novo coronavírus (Covid-19). Com a suspensão das aulas até 30 de abril e a alteração do regime de trabalho presencial para o home office, pais e mães estão tendo dificuldades de equilibrar o trabalho, as atividades domésticas e a atenção para os filhos.
A mãe da menina, Gabriela Garcia, conta que a pequena adorou poder ver as pessoas no aniversário. "Mas, para ela, a quarentena tem sido irritante, ela está muito chorosa e brigona. Pede para passear, para ir na casa da vovó e para ver os tios", contextualiza.
A psicóloga e psicopedagoga Daiane Duarte defende que esse é um comportamento normal em situações desse tipo. "A atual situação pode gerar enurese noturna (xixi na cama), comportamentos extremos (crises de raiva, com agressões e auto agressões), tristeza profunda e choros repentinos", explica.
Já o psicopedagogo e educador físico Roberto Rosa de Matos lembra que, a longo prazo, a quarentena também pode ter efeitos negativos na vida das crianças. "Mais tarde, pode gerar transtornos de pânico, distúrbios de sono, compulsões, entre outras patologias relacionadas a ansiedade e a transtornos de humor, como a depressão."
Helena, que vai para a escolinha desde os 11 meses, está tendo uma rotina agitada de brincadeiras ao ar livre e dentro de casa para ficar ocupada enquanto os pais trabalham remotamente. "Para nós tem sido bem cansativo, porque ela é uma criança que perde interesse rápido nas brincadeiras", afirma Gabriela. A mãe, que também é professora de inglês, conta que tem tentado deixar as telas (jogos de celular e filmes) somente para o turno da tarde.
Para Daiane, planejamento é o segredo para conseguir equilibrar as atividades profissionais e familiares de forma efetiva durante um momento de crise. "É muito importante que os pais assumam seus papéis como moderadores e orientadores dos filhos. Os filhos sempre veem os pais como modelos, espelhando seus comportamentos e atitudes. Se os pais desejam calma e tranquilidade, eles deverão mostrar na prática como estar, se comportar e se comunicar com calma e tranquilidade", ressalta.
"As crianças são muito compreensivas quando somos compreensivos com elas. Se os pais precisam trabalhar, devem explicar para a criança o que precisa ser feito com clareza e paciência, utilizando marcadores de tempo, como despertadores e envolvendo a criança em alguma atividade que a distraia por um tempo maior", defende Matos.
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