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Mobilidade Urbana

- Publicada em 16h26min, 24/03/2020. Atualizada em 16h32min, 24/03/2020.

Uso de bicicleta pode evitar aglomerações na quarentena, mas treino pode ser perigoso

Eduardo Macedo teve aumento da demanda em 50% antes de fechar as portas da bicicletaria

Eduardo Macedo teve aumento da demanda em 50% antes de fechar as portas da bicicletaria


ROBERTO FURTADO/DIVULGAÇÃO/JC
Lívia Araújo
Com o imperativo de praticar o distanciamento social e ficar em casa o máximo de tempo possível – de preferência integralmente – quem tem de ir trabalhar e usar transporte público ou aplicativos pode ficar especialmente amedrontado com aglomerações e um possível contágio a partir disso.
Com o imperativo de praticar o distanciamento social e ficar em casa o máximo de tempo possível – de preferência integralmente – quem tem de ir trabalhar e usar transporte público ou aplicativos pode ficar especialmente amedrontado com aglomerações e um possível contágio a partir disso.
Por isso, muita gente, nas últimas semanas, tem recorrido à bicicleta para ir ao trabalho ou ao mercado, a fim de usar um transporte individual que privilegia o ar livre e também não gera gasto com combustível – também útil em um período em que profissionais autônomos e informais podem baixar sua renda consideravelmente.
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O maior uso da bicicleta se justifica pelo aumento da demanda das bicicletarias. Eduardo Macedo, sócio de uma loja e oficina na Cidade Baixa, conta que teve “uma demanda gigantesca de manutenção e venda” uma semana antes de baixar as portas depois do decreto lançado pela prefeitura de Porto Alegre, determinando o fechamento de indústrias, comércios e prestadores de serviço.
“Nossas vendas subiram mais de 50%. Na semana passada, havia no mínimo duas bicicletas vendidas por dia, e tinha dia que vendia quatro. Além disso, todo perfil de cliente que entrava para comprar a bike era para a mobilidade urbana, queriam começar a se movimentar de bicicleta, e os clientes falavam que não queriam mais andar de aplicativo”, conta. “Já outras pessoas estavam pegando as bicicletas que estavam em casa e não usavam, para fazer manutenção”.
Macedo também acrescenta que tem visto também um uso alto de bicicletas compartilhadas. “Moro na frente da Bike Poa e vejo a estação todo dia sendo muito usada”, relata. 

Exercício pesado pode favorecer o contágio, alerta professora

Embora o uso da bicicleta nos deslocamentos pode diminuir aglomerações no transporte público e, portanto, diminuir o risco do contágio pela proximidade, é necessário, pelo mesmo motivo, evitar pedalar em grupo. Diversos grupos de pedal cancelaram seus passeios semanais para se proteger, já que é comum que eventos ciclísticos reúnem dezenas de pessoas. No Facebook, o clube de ciclismo PedAlegre cancelou seus passeios Pedalight e Pedafit.
A professora de Educação Física Goreti Seabra, ela mesma uma ciclista urbana, alerta que “mesmo em grupos pequenos” o ideal é não pedalar. “A melhor opção é não incentivar ninguém a pedalar, mesmo de madrugada. E se todo mundo for de madrugada?”, questiona.
E, embora a prática de exercício seja desejável para evitar o sedentarismo em tempos de quarentena, além de diversas doenças, a profissional recomenda cuidado. “As pessoas pensam ‘eu preciso suar bastante’, acham que o exercício tem de ser vigoroso para a imunidade melhorar, e é justamente o contrário”, revela. “A gente precisa manter a atividade física em dia, só que em uma zona de treinamento moderado, porque um treino de alta intensidade faz com que nosso organismo entre numa escala de imunossupressão. O corpo fica com a imunidade baixa para a gente se restaurar depois de um treino muito intenso, e se gente pode abrir a porte para esse vírus”, alerta Seabra.
Para quem não quer abrir mão do treino na bicicleta, mas também precisa evitar aglomerações, uma opção possível é o rolo de treino, uma espécie de “esteira” para bicicleta, ou suportes que tiram a roda traseira do chão e transformam uma bicicleta comum em uma ergométrica. O importante é se exercitar com segurança e ficar em casa.
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