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Consumo

- Publicada em 03h00min, 23/03/2020.

Pequenos negócios sentem efeitos da crise

Armazém da Venâncio vê menor número de clientes, mas maior volume de compras

Armazém da Venâncio vê menor número de clientes, mas maior volume de compras


/LUIZA PRADO/JC
Marcelo Beledeli e Carlos Villela
Além de afetar o cotidiano da população, a pandemia do coronavírus deve ter um impacto em todos os setores da economia. Com a orientação de quarentena para a população, que só deve sair de casa quando necessário, somada à ordem de fechar diversos locais de comércio e serviços, empresários precisam se adequar a essa nova realidade temporária.
Além de afetar o cotidiano da população, a pandemia do coronavírus deve ter um impacto em todos os setores da economia. Com a orientação de quarentena para a população, que só deve sair de casa quando necessário, somada à ordem de fechar diversos locais de comércio e serviços, empresários precisam se adequar a essa nova realidade temporária.
Para os minimercados, o surto tem se refletido mais fortemente no fluxo de clientes. No entanto, isso ainda não significou uma forte queda no caixa. "O movimento está menor, mas o pessoal que vem está comprando mais itens. Também sentimos um aumento no pedido de tele-entregas", afirma Marcos Dexheimer, gerente do Armazém da Venâncio, no bairro Cidade Baixa.
Segundo Dexheimer, embora o mercado tenha percebido uma queda no número de clientes contumazes - que, antes da pandemia, era em torno de 500 pessoas por dia - , novos compradores também surgiram nos últimos dias.
"São clientes novos que estão preferindo vir ao minimercado a enfrentar filas nos grandes supermercados", explica. Entretanto, o gerente tem receio de como ficará a situação nas próximas semanas.
Os principais produtos que estão sendo adquiridos são itens de mercearia, frutas e hortigranjeiros. Quanto à grande estrela do combate ao coronavírus - o álcool em gel -, o minimercado não está podendo oferecer aos clientes. "Os pedidos que fiz sequer chegaram aqui, tamanha é a demora do distribuidor para atender às entregas. A única opção que temos é álcool líquido", afirma Dexheimer.
Enquanto mercados de bairro conseguem segurar um pouco do fluxo de caixa, estabelecimentos alimentícios estão enfrentando uma situação complexa.
O restaurante Equilibrium, no Parque da Redenção, concedeu férias coletivas para os funcionários até o dia 7 de abril. De acordo com Ubirajara Schindler, o movimento está bem baixo. "Tivemos que fechar temporariamente, está sendo um caos", lamenta.
A churrascaria Garcias, na avenida Praia de Belas, em Porto Alegre, fechou as portas no último sábado. "Estamos atendendo pelo sistema de tele-entrega e também com a opção de as pessoas retirarem aqui. Entra um por vez, escolhe a carne já assada, a gente pesa, embala e elas levam", conta o sócio-proprietário Nedi Piovesani. 
Para lidar com a forte baixa no movimento do restaurante, o local havia concedido férias a parte dos funcionários e já não estava fazendo novas compras. "Trabalhamos com bastante estoque, então estamos gastando o que temos", explica.
A churrascaria também alterou uma das características principais, que era o horário de funcionamento prolongado. Ao invés de operar até as 3h da madrugada, como de costume, o local está fechando à meia-noite para a tele-entrega.
Postos de gasolina também estão percebendo uma queda na procura dos serviços. "Estamos a semana toda com movimento de domingo", disse um gerente de um posto na avenida Ipiranga que preferiu não se identificar. Em outro posto próximo, a administração também informa uma baixa movimentação, tanto em carros para abastecer quanto em clientes na loja de conveniência.
Alguns empresários estão pensando até mesmo em encerrar os negócios devido às perdas. É o caso de Eduardo Kramm, proprietário da academia Commando Barbell Club, na avenida Ipiranga, próximo à Pucrs.
Operando há apenas seis meses, a academia, que contava com um fluxo de 70 a 80 alunos, vinha sentindo uma redução no movimento desde a segunda semana de março. No dia 17, foram feitas as últimas aulas, e o local foi fechado no dia seguinte.
"Como estávamos há pouco tempo abertos, conseguíamos pagar as contas, mas não fazer reserva de fluxo de caixa para uma crise", explica Kramm. Com a falta de alunos, os funcionários, que eram quatro estagiários, tiveram que ser dispensados. "A princípio é muito grande a possibilidade de encerrar as atividades em definitivo", afirma.
Para o proprietário da academia, a maior dificuldade que leva esse possível desfecho é a imprevisibilidade do tempo que a crise vai demorar a passar. "Mesmo que eu reabra em um mês, os clientes ainda vão ter receios financeiros, pois eles também têm gastos, muitos sofrem redução de renda com essa crise e vão demorar para se recuperar. Então devem priorizar suas contas, aluguéis e compras que deixaram de fazer. A academia não vai ser algo essencial", prevê.
Como microempresário, ele dá o recado: "A estratégia é colocar as contas no papel, não aumentar as dívidas e não entrar em desespero".
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