Em 2020, as cooperativas de crédito gaúchas ampliaram em 34% a captação de recursos nos depósitos a prazo, registrando
R$ 28,5 bilhões nessa modalidade. "Isso significa que, durante a crise da pandemia, os gaúchos confiaram no crédito das cooperativas locais", destaca Vergilio Perius, presidente da Ocergs.
"Fomos surpreendidos porque nossos depósitos aumentaram, melhorando nossa liquidez, enquanto a inadimplência se manteve nos mesmo níveis. Então, a pandemia não teve impacto negativo nas cooperativas de crédito", afirma Leonel Pedro Cerutti, diretor administrativo da Central das Cooperativas de Crédito Mútuo do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná (Cecresul). Com cinco filiadas (Coopesa, CredCorreios, Servicoop, Credicor, Crediplan e Credisul), a central possui cerca de 20 mil cooperados, administrando R$ 500 milhões.
De acordo com Cerutti, o aumento dos depósitos ocorreu porque, diante da instabilidade gerada pela pandemia, muitos associados preferiram retirar dinheiro que tinham em outros bancos para guardar os recursos nas cooperativas. "Os grandes bancos operam muito com fundos de investimentos, que no início da pandemia tiveram uma forte desvalorização. Diante disso, os associados, que confiam nas cooperativas, têm um relacionamento mais próximo com elas, viram em nós um porto seguro", explica.
No entanto, Cerutti lembra que a tendência de crescimento das cooperativas de crédito no sistema financeiro nacional já vinha se manifestando há alguns anos. Segundo dados do Banco Central (BC), em 2016, as cooperativas representavam 5,1% dos depósitos no Brasil. Em 2020, o percentual foi para 6,21%. A fatia do total de ativos no País, que em 2016 era de 2,5%, em 2020 foi para 3,8%. Já as operações de crédito das cooperativas, que somavam 2,7% do montante nacional, avançou para 5,1% no mesmo período.