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ACPA

- Publicada em 16 de Julho de 2020 às 03:00

Pandemia de Covid-19 impõe transformação empresarial

Paulo Afonso Pereira vê muitos empreendedores com atitudes inovadoras

Paulo Afonso Pereira vê muitos empreendedores com atitudes inovadoras


/LUIS VENTURA/ACPA/DIVULGAÇÃO/JC
O cenário de pandemia e restrições à circulação das pessoas, bem como ao funcionamento dos negócios, impõe ao setor comercial a necessidade urgente de adaptação como única forma de fugir da falência. Porém, nem todos têm condições de sobreviver.
O cenário de pandemia e restrições à circulação das pessoas, bem como ao funcionamento dos negócios, impõe ao setor comercial a necessidade urgente de adaptação como única forma de fugir da falência. Porém, nem todos têm condições de sobreviver.
Por isso, a Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA) demonstra preocupação com o atual momento e adota medidas para ajudar e orientar o seu quadro de associados, integrado por comerciantes e prestadores de serviços de Porto Alegre.
Para o presidente da ACPA, Paulo Afonso Pereira, a instituição, além de reivindicar ao governo formas para combater a pandemia de Covid-19, defende igualmente medidas de proteção da atividade comercial em geral, impactada com as ações adotadas por decretos.
O dirigente diz que proteger a saúde é fundamental, entretanto, vê com muita preocupação o agravamento da crise econômica. "Para tristeza de todo o comércio e dos empreendedores em geral, não tem um critério confiável e que esteja sendo usado para o fechamento dos estabelecimentos", avalia.
O presidente da ACPA entende que o abre e fecha dos estabelecimentos comerciais acaba provocando um grande problema, porque, sem atividade econômica, não entra dinheiro no caixa. Segundo ele, as empresas estão exauridas, algumas com caixa para 30 dias, outras entre 60 e 90 dias. "Muitas empresas fecharam suas portas; não retornarão."
Nesse cenário de crise, Pereira vê atitudes empreendedoras despontando, com empresários se adaptando e utilizando a tecnologia para acessar os clientes, com e-commerce, entregas e sistema de pegue e leve para as compras. Mas nem todos contam com recursos suficientes para essa transformação imediata.
Além disso, ocorrem mudanças na forma de trabalho, como o home office, o que leva a um ajuste natural na questão do espaço físico das empresas.
Nesse contexto, já estão se modificando as relações de trabalho e de contratação, com ajustes para redução de custos, a fim de as empresas se manterem no mercado.
A ACPA está trabalhando em diversas iniciativas, como vídeos em que especialistas tiram dúvidas dos associados em vários aspectos - tributário, fiscal, negociação de aluguéis, importância da comunicação transparente com os funcionários e fornecedores.
Paralelamente, seguem ocorrendo eventos on-line com temas de interesse do empresariado e associados, como os debates no MenuPOA, Bom Dia Associado e Papo Online. Entre os assuntos abordados, fomento a pequenas e grandes empresas em época de pandemia, impactos da Covid-19 na economia gaúcha, alternativas para a retomada do desenvolvimento econômico, cenário atual e suas implicações nos mais diversos setores, mercado de trabalho, redes sociais, e-commerce, além de uma linha de crédito com o Sicoob para os associados.

"É preciso flexibilização para o comércio", defende presidente da ACPA

Jornal do Comércio - Quais são as iniciativas adotadas pela ACPA para atender o setor neste momento?
Paulo Afonso Pereira - Reivindicar ao governo formas para combater a pandemia da Covid-19. Manter a saúde é o principal de tudo! Mas estamos vendo, para tristeza do comércio e dos empreendedores, que não tem um critério confiável para o fechamento dos estabelecimentos. Houve lockdown em um primeiro momento sem muitas informações, as coisas foram acontecendo com certa rapidez, e a ACPA entendeu que poderia ser suportável. O governo federal foi o único que deu sua contribuição para minorar este problema. Depois houve a abertura. E, desde o primeiro momento, a ACPA vem fazendo três perguntas.
JC - Que perguntas?
Pereira - Qual é o critério para abrir e fechar? Qual a flexibilização com todos os protocolos? E como seria a mitigação de impostos? A primeira questão é em razão do seguinte: qual é o critério para deixar um supermercado aberto - não sou contra, o supermercado é importante pela necessidade de abastecimento -, mas o governo quer o distanciamento e há movimentação dentro de um supermercado, a proximidade das pessoas entre os espaços das gôndolas é maior do que em um shopping center, por exemplo. O critério é absolutamente equivocado. Outra coisa, supermercados vendem de tudo. Então, tem setores do comércio fechados, por exemplo, de eletrodomésticos, mas esses produtos são encontrados em supermercado. Os critérios estão absolutamente equivocados. A flexibilização, com organização, todos querem.
JC - Como?
Pereira - Ninguém quer o mal da população, pode haver flexibilização e abrir, como estão abertas farmácias, óticas, supermercados, outras atividades também poderiam estar abertas. Agora, temos as lojas fechadas, mas o comércio ambulante de Porto Alegre está a pleno vapor. A flexibilização é para dar chance a empresas, girando o seu negócio, mantendo empregos.
JC - E a questão dos impostos?
Pereira - Se temos um decreto que nos impede de faturar, como somos obrigados a pagar o imposto? Não queremos que o imposto seja cancelado, mas empurrar para frente, como fez o governo federal. Não vemos nenhuma boa vontade por parte do governo do Estado nem por parte da prefeitura.
JC - Como projeta o cenário, a partir do quadro que se apresenta hoje?
Pereira - Muitas empresas fecharam; não retornarão. Os empregos, dificilmente, serão realocados, porque já vínhamos com uma defasagem de vagas. Em relação ao futuro, acho que os empreendedores já se adaptaram naquilo que o momento oferece, como tecnologia, fazendo delivery, take away, principalmente na área da alimentação, nem todos têm estas condições. O e-commerce também é uma forma de continuar as atividades. Empresas que não tinham esta modalidade de comércio estão se adaptando, entendendo que mudou e o futuro, mais ou menos, vai ser este. E o trabalho em home office vai fazer ajustes em questões de espaço. E vai mudar completamente a forma de trabalho e de contratação. Muitas empresas que estão fazendo home office provavelmente continuarão fazendo. Esta é uma tendência muito firme, principalmente na área de serviços. Na área comercial, muitas empresas já estão fazendo e-commerce e têm que se adaptar em questão de logística. Vai ser uma grande mudança.
JC - A ACPA representa centenas de empresas, como está atuando com seus associados?
Pereira - Nossas atividades são de atendimento às necessidades dos nossos associados: são cursos, capacitação, treinamentos, mas também fomos pegos de surpresa. Algumas atividades são inviáveis por causas dos decretos, temos um excelente centro de treinamento que está fechado. Mas continuamos prestando assessoria na área jurídica, dando orientação para problemas que surgem. Por exemplo, fizemos contato com Brasília, várias vezes, para que recursos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que o governo colocou à disposição, cheguem na ponta, porque até agora não chegou, para capital de giro das empresas, os bancos estão travando a chegada deste dinheiro.