Porto Alegre, quarta-feira, 11 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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Conjuntura

11/03/2020 - 10h30min. Alterada em 11/03 às 18h08min

Puxado pelo agronegócio, PIB do Rio Grande do Sul cresceu 2,0% em 2019

Incremento nas lavouras de soja e milho garantiu bom resultado da economia gaúcha

Incremento nas lavouras de soja e milho garantiu bom resultado da economia gaúcha


FERNANDO KLUWE DIAS/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Foi o bom desempenho da agropecuária, especialmente no primeiro semestre do ano passado, que garantiu crescimento de 2% na economia do Rio Grande do Sul em 2019 _ ante 1,1% da expansão nacional. A alta no Produto Interno Bruto (PIB) foi sustentada pela na expansão das lavouras de soja, milho e trigo _ mas retraída pela indústria. O resultado positivo dos seis primeiros meses de 2019, no entanto, foi contido por uma desaceleração geral no quarto trimestre em relação a igual período de 2018.
Foi o bom desempenho da agropecuária, especialmente no primeiro semestre do ano passado, que garantiu crescimento de 2% na economia do Rio Grande do Sul em 2019 _ ante 1,1% da expansão nacional. A alta no Produto Interno Bruto (PIB) foi sustentada pela na expansão das lavouras de soja, milho e trigo _ mas retraída pela indústria. O resultado positivo dos seis primeiros meses de 2019, no entanto, foi contido por uma desaceleração geral no quarto trimestre em relação a igual período de 2018.
A agropecuária gaúcha teve alta 6,2% em 2019 ante 1,3% da média nacional. Com isso, o PIB gaúcho somou R$ 489,577 bilhões no ano passado, de acordo com números divulgados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento (Seplag). Alta expressiva no setor primário, em boa parte, porém, vem sobre queda de mais de 4% em 2018 sobre 2017.
Os dados apresentados governo gaúcho, por outro lado, chamam a atenção para o fraco desempenho na produção de máquinas e equipamentos. A queda no setor chegou a 4,5%, em parte devido ao recuo justamente nas vendas de tratores e colheitadeiras. Uma dos responsáveis pela queda seria a Argentina, que enfrenta grave crise e é tradicional importadora do segmento, explica o pesquisador Martinho Lazzari.
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“O setor de borrachas e plástico, que está ligada à produção de máquinas agrícolas, por exemplo, também teve queda, de 5,3%, assim como a metalurgia”, complementa Lazzari.
Já o setor de veículos automotores registrou incremento de 13,5% como resultado de produção e vendas que ficaram represadas em 2018 com a greve dos caminhoneiros, diz o pesquisador. Os números positivos também marcaram a indústria de transformação nos segmentos de Produtos de metal (8,8%) e Calçados e artefatos de couro (7,6%). Já a construção civil no Estado seguiu na contramão nacional, com queda de 1,1% em 2019 ante média brasileira de incremento de 1,6%.
“A construção civil no Estado chegou a ensaiar um recuperação em parte do ano, mas não se sustentou. Tem um certo delay (demora) em relação a retomada nacional, mas esperamos por crescimento em 2020. Com certeza é um setor fundamental para a economia, pelos setores que movimenta e pela geração de empregos”, alerta o Lazzari.
Ainda que os dados do PIB gaúcho animem e apresente a maior alta desde 2013, o futuro é extremamente incerto e não muito promissor, por dois fatores. A estiagem no Rio Grande do Sul ainda tem perdas crescentes e as incertezas são gerais sobre impactos do coronavírus. O fato é que já falta matéria-prima para parte da indústria gaúcha que importa insumos da China, e que poderá se refletir em suspensão de produção ao menos temporária em alguns segmentos, como já ocorre em São Paulo no setor automotivo, por exemplo.
“As notícias diárias trazem a cada momento um cenário diferente, tanto na área da saúde como na área econômica. Se a quarenta determinada na Itália for adotado por mais países na Europa, temo um efeito mais drástico. Porém vemos estímulos vindos de diferentes países, além da China, como Estados Unidos. É possível que estímulos monetários já anunciados e que estão por vir, reduzam os danos globais, por exemplo”, pondera a chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa Sulzbach.
Saiba mais sobre o PIB gaúcho
  • A retração registrada nos últimos três meses de 2019 foi influenciada principalmente pelo resultado da indústria, que apresentou queda de 3,9%. No período, agropecuária (+3%) e serviços (+1,5%) registram os melhores números. No país, no quarto trimestre, o PIB acumulou alta de 1,7%.
  • De acordo com os pesquisadores do DEE, o resultado do último trimestre abaixo do restante de 2019 já era esperado. A indústria enfrentou forte desaceleração no período, especialmente o segmento de veículos automotores e o de máquinas e equipamentos, que tinham uma alta base de comparação em relação a 2018.
  • Ao considerar os quatro trimestres de 2019, a alta de 2,0% no PIB foi alavancada pela agropecuária (+6,2%), com destaque para os aumentos das produções de trigo (+30,6%), milho (25,9%) e soja (5,5%). A lavoura de arroz (-14,6%) e a produção de uva (-19,1%) estão entre os principais destaques negativos.
  • A indústria gaúcha (+1,5%) também teve desempenho superior à do Brasil (+0,5%) no ano, com destaque para o segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (+3,5%) e a Indústria de transformação (+1,8%), com maior representatividade no Estado.
  • Entre as atividades com maiores altas na Indústria de transformação destacam-se a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (13,5%), produtos de metal (8,8%) e couro e calçados (7,6%). As maiores quedas foram metalurgia (-5,3%), produtos de borracha e de material plástico (-5,3%) e máquinas e equipamentos (-4,2%).
  • O setor de Serviços apresentou alta no Estado similar à registrada no país em 2019 (+1,6% contra +1,3% do Brasil). Todas as atividades do setor registraram desempenho positivo, com destaque para os serviços de informação (+3,8%) e intermediação financeira e seguros (3,0%).
  • No comércio, a performance no RS no ano passado foi de 0,6%, menor que a do Brasil (+1,8%). Neste segmento, destacaram-se as vendas de tecidos, vestuários e calçados (+8,2%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (+7,5%) e de veículos (+3,4%). Na ponta de baixo ficaram as vendas de combustíveis e lubrificantes (-4,2%) e de livros, jornais, revistas e papelaria (-12,9%).