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Energia

- Publicada em 27/05/2022 às 15h54min.

Leilão viabiliza investimento de R$ 190 milhões em PCHs gaúchas

RS tem vocação no desenvolvimento de pequenas centrais hidrelétricas

RS tem vocação no desenvolvimento de pequenas centrais hidrelétricas


COPREL/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Três projetos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) conseguiram comercializar suas gerações no leilão de energia promovido pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nessa sexta-feira (27). Um dos empreendimentos já tinha vencido um certame anterior e não é considerado como um “investimento novo”, mas os outros dois significarão um aporte de aproximadamente R$ 190 milhões.
Três projetos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) conseguiram comercializar suas gerações no leilão de energia promovido pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nessa sexta-feira (27). Um dos empreendimentos já tinha vencido um certame anterior e não é considerado como um “investimento novo”, mas os outros dois significarão um aporte de aproximadamente R$ 190 milhões.
Tiveram êxito na disputa as PCHs Saltinho RS (da Saltinho Energética), Santo Antônio do Jacuí (da cooperativa Coprel) e Linha Onze Oeste (da cooperativa Ceriluz), sendo que essa última tinha comercializado parte de sua energia em leilão realizado no ano passado. Somados, os complexos representam uma capacidade instalada de cerca de 55 MW (um pouco mais de 1% da demanda média de energia do Rio Grande do Sul).
O presidente da Associação Gaúcha de Fomento às PCHs (AGPCH) e diretor das fontes hídricas do Sindienergia-RS, Roberto Zuch, considera como uma excelente notícia para o Rio Grande do Sul o resultado da venda da energia das três usinas. “O Estado tem potencial, vontade e investidores querendo desenvolver essa fonte”, enfatiza o dirigente. Ele reforça que o Rio Grande do Sul não teve outro tipo de produção de energia viabilizada nesse certame. Além das PCHs, mais 63 empreendimentos eólicos gaúchos se cadastraram para concorrer, contudo não tiveram sucesso.
Zuch frisa que o Estado é um dos pioneiros no Brasil quanto ao desenvolvimento de pequenas centrais hidrelétricas e cita as cooperativas de energia como destaque em ações nessa área. Uma dessas associações que teve um bom desempenho no leilão foi a Coprel, de Ibirubá. O facilitador de negócios do grupo, Mateus Stefanello, ressalta que o projeto da PCH Santo Antônio do Jacuí, levando em conta estudos técnicos e de viabilidade, é tratado há mais de dez anos. Os municípios que serão abrangidos pelo complexo, que será construído no rio Jacuí, são Victor Graeff e Mormaço. Ele lembra que a Coprel também possui no mesmo rio a implantação da PCH Tio Hugo, que venceu leilão de energia realizado em 2021 e deverá ser concluída no primeiro semestre de 2023.
Stefanello informa que a tendência é iniciar as obras da PCH Santo Antônio do Jacuí em 2024 e concluí-las em 2025. Ele diz que vai ser analisada a possiblidade de adiantar o começo da instalação da estrutura e também da comercialização de energia no mercado livre (formado por grandes consumidores que podem escolher de quem comprar a energia). O investimento na usina, que habilitou cerca de 4,6 MW para concorrer no leilão, é estimado atualmente em R$ 60 milhões. O dirigente enfatiza que as novas PCHs representam ganhos para os associados da Coprel. “A implantação desses projetos de geração viabiliza os programas sociais da cooperativa”, assinala Stefanello.
A Coprel, inicialmente, também fazia parte do projeto da Linha Onze Oeste, mas atualmente essa PCH está sendo conduzida apenas pela cooperativa Ceriluz, de Ijuí. Nesse último leilão, a cooperativa foi contemplada com a venda de 5,9 MW, ao valor de R$ 268,45 o MWh, o que corresponde a R$ 277 milhões em comercialização em um período de 20 anos. A usina, que já está em implantação e havia vendido parcela da sua geração em certame realizado em 2021, e por isso não foi apontada como investimento novo pela CCEE, envolverá um aporte de cerca de R$ 160 milhões.
O presidente da Ceriluz Geração, Iloir de Pauli, afirma que o resultado do leilão dá garantias para o financiamento da obra, que está em fase inicial no município de Coronel Barros. “Isso nos traz tranquilidade, pois vamos começar a obra sabendo que todo o investimento que fizermos dará retorno à cooperativa e aos seus associados”, aponta o dirigente. O complexo, que terá potência instalada de 23,6 MW, ficará situado no rio Ijuí.
Já a PCH Saltinho será implementada no rio Ituim, entre Ipê e Muitos Capões. O empreendimento comercializou sua energia no leilão dessa sexta-feira a R$ 265,00 o MWh. “Não é excelente, mas está bom, conseguimos viabilizar o projeto com esse valor”, destaca o diretor da Saltinho Energética, Aírton Jorge Pohl. Conforme o dirigente, para as obras começarem ainda está sendo aguardada a licença de instalação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), que ele espera ser obtida dentro de três meses.
O diretor da Saltinho Energética lembra que o leilão prevê a entrega de energia a partir de 2026, porém a ideia da companhia é concluir a PCH e operar até o final de 2024. Se a empresa conseguir confirmar essa previsão, ela poderá comercializar sua geração no mercado livre antes de chegar a data de entrega da energia prevista pelo certame. O investimento estimado na PCH de cerca de 27 MW de capacidade instalada é de R$ 130 milhões.
“Com o êxito da venda (da energia no leilão), o investimento fica garantido, gerando emprego na fabricação de equipamentos, na construção e na engenharia, todos nacionais”, acrescenta o também diretor da Saltinho Energética, Nelson Dornelas. Ele recorda que, atualmente, os investidores, empresários de Lajeado, somados a novos acionistas, entre eles a Múltipla, já estão construindo na região da PCH Saltinho a PCH Chimarrão, que tem estimativa de operação para o início de 2023.

Total do certame atrai mais de R$ 7 bilhões em aportes em usinas

No País como um todo, foram 29 usinas contratadas no primeiro leilão de energia nova do ano. Os empreendimentos, que somarão mais de R$ 7 bilhões em investimentos, fornecerão eletricidade gerada a partir de recursos hídricos (18 ), solares (5), eólicos (4) e de biomassa (2).
Os projetos totalizam 947 MWs de potência e serão construídos nos estados da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. A energia produzida será direcionada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), entre 2026 e 2045, para atender à demanda de três distribuidoras (Cemig, Coelba e Light) no mercado regulado, que abastece residências e pequenas e médias empresas.
Na avaliação do presidente do Conselho de Administração da CCEE, Rui Altieri, “o certame atingiu o seu principal objetivo, de contratar energia para satisfazer às necessidades apresentada pelas empresas de distribuição, e ainda apresentou deságio”. Foram firmados contratos com preço médio 9,36% menor do que o valor teto definido, o que vai gerar uma economia de aproximadamente R$ 1 bilhão, segundo estimativas da Aneel, evitando aumento tarifário de 0,5 pontos percentuais para os consumidores. Foram transacionados 37,6 milhões de MWh, a um custo médio de R$ 258,16 o MWh.
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