A América Latina deve manter o ritmo de crescimento baixo nos próximos anos, avalia um relatório do Banco Mundial divulgado nesta quinta-feira. A expectativa da entidade é que a economia da região, incluindo o Caribe, cresça 2,3% em 2022, 2,2% em 2023 e 2,4% em 2024. Para o Brasil, o banco prevê altas abaixo da média do continente, de 0,7% do PIB em 2022, 1,3% em 2023 e 2% em 2024. O país teve avanço de 4,6% em 2021.
"O Brasil é um dos países que têm mais dificuldades na recuperação da pandemia, talvez em parte porque tenha sido atingido de modo especialmente duro por ela", disse William Maloney, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina. O país soma 660 mil mortos pela Covid. Maloney pontuou que a ameaça de indisponibilidade de fertilizantes, trazida pelas sanções à Rússia, e problemas nas cadeias de valor globais podem dificultar ainda mais a recuperação do país.
Outras grandes economias da região também devem ter crescimento modesto, como Argentina (3,6%), Chile (1,9%) e México (2,1%). A Guiana deve ter o maior desenvolvimento da região, com taxa de 47,9% em 2022, por conta do descobrimento recente de reservas de petróleo. O Banco Mundial não fez estimativas para a Venezuela.
As consequências da guerra na Ucrânia, como o aumento do preço de combustíveis, levaram o banco a baixar a previsão de crescimento da região em 0,4%. A Ucrânia é um grande produtor de grãos e as restrições às exportações russas de petróleo e metais provavelmente aumentarão os preços das commodities nos próximos anos. Apesar disso, os países latino-americanos podem ter dificuldades para aproveitar esse boom.
"Embora os preços das commodities continuem fortes, o crescimento da China e das economias avançadas [como da Europa] está mais lento do que antes da pandemia -o que diminui a demanda por exportações da região- e as taxas de juros globais estão subindo para níveis de longo prazo", aponta o relatório.
Assim, o crescimento regional deve seguir aquém do necessário para amenizar a desigualdade social. "De 2010 até o início de 2020, a ALC (América Latina e Caribe) cresceu 2,2% ao ano enquanto o mundo crescia ao ritmo de 3,1%.
As previsões para 2022 e 2023 são igualmente desanimadoras e insuficientes para aliviar a pobreza ou dirimir as tensões sociais", compara o relatório.