Em meio a um processo de expansão da sua unidade de plástico verde (feito a partir do etanol oriundo da cana-de-açúcar) em Triunfo, que deverá ser concluído até dezembro deste ano, a Braskem pretende incrementar ainda mais a oferta de polietileno verde e novas ampliações no polo petroquímico gaúcho não estão descartadas. A meta da companhia é chegar a uma capacidade de 1 milhão de toneladas anuais da resina renovável até 2030 e, para isso, calcula que será necessário investir algo entre US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão.
No momento, a empresa conta com uma capacidade de produção de 200 mil toneladas ao ano de polietileno verde que está sendo aumentada para 260 mil toneladas. A estimativa atualizada de aporte nessa iniciativa é de cerca de US$ 90 milhões. “A gente ainda não tem o desenho de um próximo investimento em Triunfo nessa linha, mas é algo que vamos avaliar futuramente”, afirma o vice-presidente de finanças, suprimentos e relações institucionais da Braskem, Pedro Freitas.
O executivo detalha que, para atingir o patamar de 1 milhão de toneladas de polietileno verde, serão necessárias, pelo menos, quatro plantas. “A primeira é a de Triunfo, a pioneira, que já está operando há mais de dez anos, eventualmente a segunda, se avançar a parceria com a SCG Chemicals (que tem um memorando de entendimento assinado com a empresa brasileira), na Tailândia, e tem mais duas, pelo menos, para colocar em operação. Vamos analisar todas as alternativas e Triunfo não deixa de ser uma delas”, reforça.
Freitas participou nesta quinta-feira (17) de apresentação dos resultados financeiros da Braskem. No quarto trimestre de 2021, o lucro líquido do grupo foi de R$ 530 milhões, fechando o ano passado com o lucro total de R$ 14 bilhões. Já o investimento realizado pela companhia em 2021 foi de US$ 691 milhões. O vice-presidente de finanças ressalta que o aporte esperado era de cerca de US$ 800 milhões, contudo as dificuldades geradas pela pandemia de coronavírus e a necessidade de manter um número menor de pessoas nas plantas fez com que o montante fosse menor.
Para 2022, a Braskem, de uma maneira geral, pretende investir aproximadamente R$ 5,5 bilhões (sem incluir eventuais aportes da mexicana Braskem Idesa). Parte desses recursos será aplicada na parada de manutenção das unidades petroquímicas da empresa no polo de Triunfo. A diretora de relações com investidores da Braskem, Rosana Avólio, confirma o início da parada entre março e abril e explica que, normalmente, uma ação como essa dura de 45 a 60 dias. A executiva informa que, somente nessa iniciativa, a quantia desembolsada será na ordem de R$ 250 milhões a R$ 300 milhões.
Quanto aos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia, Freitas destaca que a indústria petroquímica tem atuação global, então qualquer evento dessa proporção tem desdobramentos. “A situação ainda é bastante incerta, a volatilidade está muito alta, o petróleo subiu e agora está caindo, os petroquímicos básicos estão subindo. É muito difícil, hoje, prever como a situação vai se estabilizar no futuro”, diz o vice-presidente de finanças.
Porém, especificamente quanto aos negócios da Braskem, ele salienta que a companhia não tem um volume significativo de vendas naquela região e, por enquanto, não sofreu impactos materiais. Questionado sobre se o conflito bélico poderia atrapalhar os planos de alienação da Braskem, Freitas comentou que também é difícil responder a essa pergunta, neste momento, mas que os acionistas da empresa continuam engajados nesse processo e avaliando o mercado.