O consumo total de gás natural no Brasil alcançou 76 milhões de metros cúbicos/dia na média acumulada do ano de 2021, o que representa um crescimento de 28% na comparação com a média acumulada de 2020, quando foram consumidos 59 milhões de metros cúbicos/dia. Os dados fazem parte de levantamento estatístico mensal da Abegás com distribuidoras de todo o País.
No ano de 2021, o maior destaque foi o despacho termelétrico, totalizando exatos 33,9 milhões de metros cúbicos/dia na média acumulada, ante uma demanda de 22,4 milhões de metros cúbicos/dia, em média, ao longo de 2020 – o crescimento foi de 51,7%.
Excetuando a geração elétrica, o segmento industrial mostrou sua força, com alta de 15%, saindo da média de 25,6 milhões de metros cúbicos/dia em 2020 para o total de 29,5 de metros cúbicos/dia na média do acumulado de 2021. Todos os demais segmentos tiveram movimento ascendente – o ponto alto foi a recuperação do consumo de gás natural veicular - GNV (15,4%) e do segmento comercial (15,5%). Já o consumo do segmento residencial avançou 2,7%.
“O ano de 2021 marcou uma firme retomada do consumo de gás natural depois do susto registrado em 2020, com o forte impacto da pandemia, principalmente nos meses iniciais”, comenta o presidente executivo da Abegás, Augusto Salomon. Ele acrescenta que, em 2021, a indústria manteve a demanda, mesmo durante a segunda onda de Covid-19. Não por acaso, o desempenho do consumo industrial foi superior ao período pré-pandemia (27,9 milhões de metros cúbicos/dia na média do acumulado registrada em 2019). Nos demais segmentos, o avanço da vacinação foi determinante para a flexibilização das restrições, abrindo condições para a recuperação do segmento comercial e do consumo de GNV, avalia Salomon.
“O aumento do consumo termelétrico confirma a imensa importância do gás natural para a segurança energética do País em meio à maior crise hídrica em 91 anos. Não podemos ter uma matriz tão dependente do clima”, ressalta ainda o presidente executivo da Abegás. De acordo com ele, o conflito no leste europeu pode ter impacto no custo do gás natural no mercado internacional e esse preocupante contexto deve servir de alerta para que o País reduza sua exposição à importação de gás natural liquefeito - GNL.